OMS modifica tática para a erradicação da pólio

Anita Manning


Autoridades internacionais do setor de saúde, que concentram seus esforços nas últimas localidades do planeta onde a poliomielite ainda existe, estão fazendo uma "mudança tática sem precedentes" no esforço mundial para a erradicação da doença.

Em vez de realizar 266 grandes campanhas de imunização em 93 países, como ocorreu no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os seus parceiros da Iniciativa para a Erradicação da Pólio vão lançar no ano que vem 51 campanhas em apenas 13 países - os sete onde ainda são registrados casos de pólio - Índia, Nigéria, Paquistão, Egito, Afeganistão, Níger e Somália - e seis outros considerados de alto risco de reinfecção pela doença paralisante - Angola, Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Nepal e Sudão.

"É uma transferência maciça do foco para sete áreas infectadas e a interrupção de campanhas de grande porte no resto do mundo", diz Bruce Aylard, da OMS, coordenador da iniciativa. "O que estamos realizando é o deslocamento de 300 milhões de doses de vacina e de US$ 40 milhões em recursos para as áreas que continuam infectadas".

Caso a iniciativa seja bem sucedida, essa vai ser a primeira erradicação de uma doença desde a varíola em 1980. O plano contém riscos. Ao se interromper grandes campanhas, nas quais voluntários imunizam todas as crianças de determinada região por um período de dias, há a possibilidade de que a pólio possa ser transferida de volta para uma área que atualmente está livre da doença.

Para evitar que tal fato ocorra, diz Aylward, as autoridades locais de saúde tomarão precauções extras para fazer com que a imunização se transforme em um processo rotineiro e aumentarão a vigilância global, de forma que, na eventualidade de ocorrer um caso, possa-se reagir rapidamente de forma a isolar a vítima e vacinar todos que tenham sido expostos ao vírus.

Desde o início da Iniciativa para a Erradicação da Pólio, em 1988, 209 países e territórios foram declarados livres da doença e o número de casos anuais caiu de mais de 350 mil em 125 países para 1.919 no ano passado em sete países.

A certificação global por parte da OMS vai demorar de dois a três anos após o identificação do último caso, para garantir que qualquer amostra do vírus contida em laboratórios seja estocada com segurança e registrada.

Há menos preocupação com a possibilidade de que a pólio se transforme em uma ameaça bioterrorista como a varíola, diz Aylward, já que o vírus não é transmitido pelo ar, e sim através do circuito fecal-oral. Apenas uma em 200 pessoas infectadas com o vírus da pólio fica paralítica, e dessas, 10% morrem.


Tradução: Danilo Fonseca

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