Problemas de companhias aéreas atrapalham administradoras dos cartões de crédito

Jonathan D. Epstein
The News Journal (Wilmington, Delaware)/USA Today


Desde que foram criados na década de 80, os cartões de crédito operados em parceria com bancos são as jóias do setor. E os cartões das companhias aéreas, os diamantes de dois quilates. Por quê? Os consumidores tendem a gastar mais em cartões ligados às companhias de aviação, utilizam-nos com maior freqüência e dificilmente deixam de pagar as prestações. Isso fez com que os programas de cartões de linhas aéreas passassem para o grupo dos mais cobiçados.

Mas Jamie Dimon, diretor-executivo do Bank One Corporation, sabe identificar sinais que indicam problemas.

Dimon está preocupado com a possibilidade de que a falência da United Airlines tenha um impacto de centenas de milhões de dólares sobre a sua companhia. Portanto, ele e sua equipe gerencial estão procurando como alternativa "as melhores marcas dos Estados Unidos".

Embora os diretores de bancos digam que não vêem as suas mais novas parcerias com gigantes do mercado como a Walt Disney Corporation e a Starbucks Coffee Corporation como um contrapeso para os riscos da United, eles esperam que os novos produtos atraiam milhões de consumidores. E alguns analistas acreditam que tais esforços poderiam ajudar a desvincular o banco dos problemas da United Airlines.

"Qualquer coisa nova poderia contrabalançar os problemas", opina Michael Auriemma, presidente do Auriemma Consulting Group, de Westbury, Nova York, especializado no setor de cartões de crédito.

Os cartões de marca dupla trazem tanto o nome do banco quanto o de uma marca comercial popular que atraia os consumidores. Eles geralmente oferecem algum tipo de recompensa que os consumidores podem acumular - como, por exemplo, milhagem. Isso os torna atraentes para os consumidores e valiosos para os bancos.

Considerando que a United entrou em processo de concordata, os investidores sepultaram o Bank One com perguntas sobre o que poderia acontecer com o cartão de crédito que traz a marca do banco - com sede em Chicago - e da segunda maior empresa aérea dos Estados Unidos.

Com mais de US$ 6 bilhões em empréstimos a receber, o cartão de crédito United Airlines Mileage Plus Visa que o Bank One e os seus predecessores fornecem desde junho de 1987 representa uma parte fundamental das operações do banco e grande parcela dos seus rendimentos.

"O cartão é, na verdade, mais importante para as nossa operações do que os 10% que representa sobre o total de nossas atividades", diz Dimon. Ao todo, o cartão de crédito do Bank One gera um terço dos rendimentos do banco.

O cartão United representa 8,2% dos US$ 72,8 bilhões em financiamentos com cartões do Bank One, mas contribui com mais de 10% da quantia que os consumidores descontam nesses cartões. E esse é o motivo pelo qual o Bank One se preocupa - e daí vem o seu desejo de auxiliar a United, mesmo após ter assimilado um prejuízo de US$ 50 milhões em transações com a empresa aérea no primeiro trimestre deste ano. Quanto a United pediu concordata no ano passado, o Bank One concordou em fornecer US$ 600 milhões em financiamentos a fim de manter a empresa à tona.

No seu balanço anual, o banco reconhece o enorme potencial de prejuízos para o setor de cartões de crédito caso a United não consiga se recuperar. Para ter mais chance de experimentar um novo crescimento, o Bank One está colocando grande parte do seu futuro nas parcerias com "as melhores marcas dos Estados Unidos", incluindo a Amazon.com, a Disney e a Starbucks que possuem, cada uma, grandes grupos de consumidores fiéis.

O programa Disney não tem uma taxa anual e oferece a oportunidade de se ganhar 1% ou mais em pontos a cada compra. Os pontos podem ser utilizados para comprar mercadorias e entradas nas lojas da Disney, para pagar quartos de hotel, cruzeiros e férias.

O programa Amazon consiste de um cartão Visa que oferece aos consumidores três pontos por cada dólar gasto em compras na Amazon e um ponto por dólar em outras compras. A cada 2.500 pontos o consumidor recebe um crédito de US$ 25 para usar na Amazon.

E o banco trabalhou em conjunto com a Starbucks para criar uma nova combinação de cartão Visa e cartão exclusivo para as instalações da rede, que, segundo ela, é o primeiro do gênero. O cartão se baseia no sucesso com o seu programa de créditos que funciona há 18 meses e que já emitiu 11 milhões de cartões, mas que só pode ser utilizado nas lojas Starbucks e está limitado a US$ 500.


Tradução: Danilo Fonseca

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