Estatinas são vinculadas à redução de risco de câncer

Tim Friend

CHICAGO - Medicamentos tomados por milhões de norte-americanos a fim de reduzir o colesterol podem também diminuir o risco de surgimento de certos cânceres, anunciaram pesquisadores na última segunda-feira.

Esse vínculo ainda não foi definitivamente comprovado, mas um estudo preliminar realizado durante 13 anos na Holanda demonstrou haver um risco 20% menor de aparecimento de câncer em indivíduos que tomam Zocor, quando comparados às pessoas que não fazem uso desse medicamento redutor do colesterol.

O Zocor foi o segundo remédio mais comercializado nos Estados Unidos em 2002, com um valor total de vendas de US$ 4,2 bilhões, segundo estatísticas das instituições federais de saúde. O mais vendido foi uma outra estatina, o Lipitor.

Estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas tomem essas e outras estatinas para combater o colesterol. Todas elas inibem a ação de uma enzima que permite ao fígado produzir colesterol.

As estatinas poderiam aumentar a capacidade do corpo em matar células com mutações causadoras dos estágios primários de câncer, afirmou Matthijs Graaf, do Centro Acadêmico Médico da Universidade de Amsterdã, em uma conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

A maior associação no estudo realizado entre 1985 e 1998, envolvendo mais de 20 mil pessoas, foi descoberto nos casos de câncer de próstata e rim. A redução do risco só foi detectada nas pessoas que tomavam estatinas por pelo menos quatro anos.

Se as estatinas realmente reduzirem o risco de câncer, elas não seriam as primeiras drogas criadas para atacar uma determinada doença que mais tarde se descobre serem também capazes de ter um impacto sobre tumores malignos. A aspirina, por exemplo, que é recomendada para pessoas que sofrem de cardiopatias, demonstrou ser capaz de reduzir o risco de aparecimento de pólipos do cólon, vinculados ao câncer do cólon. Medicamentos anti-inflamatórios como o Celebrex, criado para combater a artrite, também inibem o crescimento de pólipos do cólon.

O especialista em câncer Bruce Johnson, da Escola de Medicina da Universidade Harvard e do Instituto do Câncer Dana Farber, disse que ninguém deveria tomar estatinas, a não ser para a sua finalidade específica, que é a redução do risco de doenças cardíacas.

Mas a Sociedade Americana de Oncologia Clínica considerou o estudo suficientemente interessante para apresenta-lo em um seminário moderado por Johnson neste congresso que reuniu 25 mil oncologistas.

Graaf disse que devem ser realizados mais estudos que comparem placebos com estatinas antes que sejam feitas recomendações quanto o consumo do medicamento pela população. Danilo Fonseca

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