Estudo associa depressão e suicídio ao sexo na adolescência

Karen S. Peterson


Um novo e controverso estudo associa relações sexuais com depressão e tentativa de suicídio. As descobertas aplicam-se especialmente às jovens, diz a Heritage Foundation, instituição conservadora que patrocinou a pesquisa. Cerca de 25% das moças sexualmente ativas disseram estar deprimidas quase o tempo todo; apenas 8% das jovens não sexualmente ativas disseram sentir o mesmo.

O estudo foi divulgado em meio a uma torrente de novos relatórios sobre a atividade sexual entre adolescentes. A pesquisa vem alimentar o debate crescente sobre educação sexual nas escolas. O governo Bush defende programas de abstinência.

O estudo da fundação Heritage usou dados da Análise Nacional de Saúde do Adolescente.Os pesquisadores da Heritage selecionaram dados de 2.800 alunos, de 14 a 17 anos. Os próprios jovens avaliaram seu grau de "estado geral de infelicidade contínua" e não foram clinicamente diagnosticados com depressão.

Os pesquisadores não encontraram uma ligação causal entre "jovens infelizes" e atividade sexual. "Isso é realmente impossível de provar", diz Robert Rector, pesquisador da Heritage. No entanto, para ele, o estudo mostra uma imagem do adolescente infeliz muito diferente do que retratada pela cultura popular, que "todas as formas de atividade sexual não marital são maravilhosas e gloriosas, que quanto mais jovens, melhor", diz ele.

O estudo da fundação Heritage revelou que:

  • Cerca de 14% das moças que já tiveram relação sexual tentaram suicídio e apenas 5% das sexualmente inativas.

  • Cerca de 6% dos rapazes sexualmente ativos tentaram o suicídio e menos de 1% dos não ativos sexualmente.

    Tâmara Kreinin, do Conselho de Educação e Informação sobre Sexualidade dos EUA, diz: "Precisamos levar muito a sério a depressão entre os jovens". No entanto, é um "desserviço" culpar a atividade sexual e ignorar o "divórcio, a violência doméstica, abuso sexual, drogas, falta de apoio parental e da comunidade, além de questões sobre orientação sexual", diz ela. O conselho patrocina programas escolares com informações sobre controle de natalidade e abstinência.


    Tradução: Deborah Weinberg
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