Suplemento alimentar pode suprimir arrotos

Dan Vergano

Os fãs da ciência podem se sentir aliviados por saber que os pesquisadores estão trabalhando diligentemente para neutralizar a ameaça atmosférica de dimensões globais motivada pelos arrotos do gado bovino.

Especialmente ao eructar, o gado gera quantidades significativas de metano, que talvez seja o mais potente dos gases causadores do efeito estufa.

Gases de efeito estufa, tanto os provenientes de fontes naturais quanto industriais, desempenham um papel-chave na mudança climática global. Acredita-se que eles serão responsáveis pelo aumento das médias de temperatura em alguns graus neste século, segundo estimativas de uma comissão científica das Nações Unidas.

E levando-se em conta que há muito gado bovino - mais de um bilhão de cabeças em todo o mundo - e considerando que cada animal produz cerca de 0,4 m³ de metano por dia, é fácil concluir que bois e vacas contribuem para a mudança climática.

O gado bovino é responsável por mais de 20% de todas as emissões de metano causadas por atividades humanas. (A criação de animais é categorizada como atividade humana).

Para os fazendeiros, a questão representa um outro problema: todo esse gás representa grande desperdício de alimento para gado causado pela digestão ineficiente.

Procurando resolver ambos os problemas, cientistas da Universidade de Nebraska-Lincoln estão criando um aditivo para as rações capaz de reduzir o metano gerado pelo gado bovino.

Uma espécie de "Beano" (um suplemento alimentar a base de enzimas) para bois e vacas, a novidade é um composto que bloqueia a produção de metano, direcionando os micróbios envolvidos no processo digestivo que habitam um dos quatro estômagos bovinos para a produção de nutrientes, em vez de gás.

Estudos feitos em tubos de ensaio sugerem que a adição do componente reduziria o consumo de alimento pelo gado em pelo menos 10%, já que menos energia do processo digestivo seria despendida com a produção de gás.

"O que a primeira vista poderia soar como algo cômico ou tolo é na verdade uma pesquisa muito importante", diz o microbiólogo John Breznak, da Universidade do Estado de Michigan em East Lansing. Apesar disso, o bioquímico Steve Ragsdale, diretor da pesquisa, admite: "Nos divertimos bastante falando com os criadores de gado sobre esse assunto. A pesquisa se concentrou não só no potencial retorno econômico, mas também na possibilidade de fazer algo de positivo para todos".

Outros cientistas estão lidando com o problema do metano gerado por gado bovino de maneiras criativas. Conforme o humorista Dave Barry mencionou no ano passado, ao discutir ironicamente os méritos da mistura entre espécies, pesquisadores australianos propuseram que se alimentasse o gado bovino com micróbios estomacais de canguru, capazes de reduzir a produção de metano.

Verbas federais financiam outros estudos a respeito de formas de ajustar a alimentação de maneira a reduzir a produção de metano. E pesquisadores da Nova Zelândia sugeriram que se alimentasse o gado ovino do país (as ovelhas também produzem o gás) com gramíneas de pradarias, que reduzem a produção de metano.

A equipe de Ragsdale é bem conhecida por estudos anteriores com micróbios, acrescenta Breznak, e caso a sua pesquisa tenha sucesso, os resultados serão a produção de rações mais nutritivas e a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. Danilo Fonseca

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