Em Bagdá, nova onda de matrimônios

Mark Memmott
EM BAGDÁ, Iraque

As festas de casamento estão do volta à capital do Iraque.

Saddam Hussein encorajou os iraquianos a se casarem ao lhes oferecer bônus e outros incentivos financeiros. Mas é um fato amplamente conhecido que milhões de pessoas adiaram seus casamentos durante o regime de quase 24 anos.

Em uma nação na qual a polícia secreta freqüentemente fazia uso de ameaças contra familiares a fim de intimidar e chantagear os cidadãos, muita gente não queria aumentar o tamanho da família e, assim, dar aos agentes de Saddam Hussein maior oportunidade de interferir sobre suas vidas.

Mas agora, nas noites de quinta-feira, os hotéis de Bagdá estão pulsando ao ritmo dos tambores tradicionais e dos gritos e músicas dos parentes que celebram a lua-de-mel dos recém-casados.

Uma ocasião festiva que foi banida sob o regime de Saddam Hussein - o acompanhamento do casal até o hotel na noite de lua-de-mel, que para muitos ocorre nas vésperas do dia sagrado muçulmano - está de volta.

Habid Khanger, de 50 anos, e sua mulher, Rezaw Aziz, de 30 anos, chegaram ao Hotel Babilônia com mais de uma dúzia de parentes como comitiva.

Khanger explica que adiou o casamento até agora, porque "considerando que Saddam Hussein estava destruindo o povo iraquiano com as suas políticas, não era a hora de se casar".

Agora, diz ele, "estamos satisfeitíssimos por termos nos livrado de Saddam Hussein".

E, após ter feito tal declaração, ele e a noiva entraram e se dirigiram aos elevadores do hotel, enquanto os seus parentes seguiam atrás.

A comitiva familiar só os deixou em paz quando as portas do elevador se fecharam. Danilo Fonseca

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