Funcionários com altos salários podem ser vítimas das reduções de custos das empresas

Stephanie Armour

Os funcionários que ganham mais que seus colegas de trabalho podem ser particularmente vulneráveis a demissões neste período de economia letárgica.

Vários empregados receberam generosos aumentos durante a época das vacas gordas, no final dos anos noventa e em 2000. Agora, esses trabalhadores bem remunerados se transformaram em passivo financeiro.

E os profissionais demitidos que ganhavam entre US$ 75 mil e US$ 125 mil por ano têm pouca chance de duplicar seus salários, afirma Marc Lewis, em Stamford, Estado de Connecticut. Ele é presidente de operações norte-americanas da empresa de pesquisas executivas Morgan Howard. "É possível conseguir um jovem brilhante, recém-saído da faculdade, e obter o mesmo resultado".

Poucos empregadores admitem que patamares salariais sejam um fator decisivo para as demissões. Mas especialistas em compensações afirmam que esses patamares fazem parte dos critérios de demissibilidade. Eis alguns sinais dessa tendência:

  • Alegações de que há preconceito contra a idade. Cada vez mais trabalhadores antigos reclamam de estarem sendo pressionados para sair e a fim de que possam ser substituídos por funcionários mais novos e baratos. O número de processos relativos à discriminação em razão da idade junto à Comissão de Oportunidades Legais de Emprego aumentou para quase 20 mil em 2002, comparado a 14 mil em 1999.

  • Embora as companhias possam legalmente utilizar o salário como um fator válido na hora de decidir quem será despedido, especialistas em direito trabalhista dizem que os patrões deveriam avaliar se tal critério tem um efeito discrepante sobre os trabalhadores com mais de 40 anos.

  • Pressão advinda dos benefícios. O aumento dos custos dos benefícios faz com que seja ainda mais difícil conter os gastos com tais compensações sem demitir os trabalhadores mais bem pagos.

  • Segundo o índice de custo de empregos do Departamento do Trabalho, os custos dos benefícios aumentaram 6,1% no período de 12 meses encerrado em março deste ano. Isso representa um aumento de 4,9% com relação ao mesmo período anterior de 12 meses.

  • Embora o desemprego esteja em ascensão, os empregos temporários estão encontrando mais demanda de companhias que desejam substituir funcionários demitidos. As empresas contrataram um número de trabalhadores temporários 11,7% maior no primeiro trimestre deste ano do que no mesmo período do ano passado, segundo a Associação Americana de Recrutamento.

    Herman Boose foi despedido em janeiro do cargo de supervisor técnico, tendo sido novamente contratado como consultor por um período de dois meses. "Eu era um dos que tinham o maior salário. Quando fui demitido, me disseram que a firma estava reduzindo os custos na minha área devido ao salário mais elevado", conta Boose, de 51 anos, de San Jose, na Califórnia.

    Alguns gerentes dizem que às vezes sentem que não têm escolha, a não ser apelar para o corte dos funcionários de maior salário.

    Gretchen Adams é ex-supervisora de uma loja Wal-Mart que deixou o emprego em 2001 para se tornar sindicalista. Ela diz que foi obrigada a despedir dez trabalhadores, de forma a fechar o balanço da loja.

    "O corte da folha de pagamentos é a principal meta das empresas", diz Adams, de Milton, na Flórida.

    A porta-voz da Wal-Mart, Sarah Clark, diz que seria "ridículo" demitir pessoas com base no salário: "Precisamos dos antigos funcionários para treinar os novos". Danilo Fonseca
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