Tarifas mais altas garantem alta lucratividade para bancos

Jeff McKinney
The Cincinnati Enquirer/The New York Times

Tarifas mais altas pelo uso de caixas eletrônicos. Dez dólares por cópia impressa de um extrato bancário, um serviço que costumava ser gratuito. Aumento para um índice de dois dígitos das taxas cobradas pela cobertura de cheques sem fundo ou pela emissão de ordens para sustar o pagamento de cheques.

A economia está cambaleando, mas os bancos da nação não estão tendo dificuldades em ganhar dinheiro. De fato, o setor bancário está no rumo certo para conseguir obter, em 2003, o seu quarto ano consecutivo de recorde de lucros. Isso se deve em grande parte à cobrança de tarifas mais altas.

"Os bancos têm se baseado cada vez mais na renda advinda de tarifas para diversificar os seus lucros", diz Greg McBride, analista financeiro da Bankrate.com. "Para o consumidor médio, isso significa que o fato de possuir a 'conta errada' pode significar mais taxas".

Considerem o seguinte:

  • As taxas responderam por 42% do lucro de US$ 408,5 bilhões obtido pelos bancos norte-americanos em 2001, segundo os últimos dados disponíveis, fornecidos pela FDIC (a corporação federal de seguro de depósitos). Em 1977, as rendas advindas das taxas bancárias responderam por 18% do lucro do setor, que foi de US$ 46 bilhões.

  • De 1995 a 2001, a renda advinda de tarifas bancárias, tomada como porcentagem dos lucros totais dos bancos, aumentou de 35% para 50%, segundo a R.K. Hammer Investment Bankers, uma empresa com sede em Thousand Oaks, na Califórnia, que monitora taxas relacionadas a cartões de crédito e bancários.

  • As tarifas médias para 11 dos 13 serviços bancários mais básicos - das contas correntes sem juros às taxas extras para o uso de caixas eletrônicos por parte de pessoas que não sejam clientes do banco ao qual pertençam essa máquinas - tiveram um aumento significativo entre 1996 e 2002, segundo pesquisas anuais realizadas pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos).

  • A tarifa média cobrada pela cobertura de um cheque sem fundos era, em 2002, de US$ 21,73, contra US$ 16,99 em 1996. A tarifa extra para uso de caixas eletrônicos por indivíduos que não são clientes do banco aumentou de US$ 1,10 para US$ 1,36 no mesmo período.

  • Os banqueiros dizem que esses aumentos são para compensar os custos crescentes do fornecimento de mais recursos aos clientes. Eles dizem também que a maioria das pessoas evita as tarifas ao procurar os bancos que cobram tarifas pequenas - ou não cobram nada - sobre as contas correntes ou o uso de caixas eletrônicos.

    "Muitas dessas taxas são evitáveis, caso os clientes sejam habilidosos na hora de gerenciar suas finanças", explica Tracey Mills, porta-voz da Associação Americana de Banqueiros.

    Instituições de defesa do consumidor e analistas independentes que monitoram as tarifas bancárias alegam que os bancos continuam a aumentar as suas tarifas pelo fato de estas terem se transformado na sua mais confiável fonte de lucros. Elas ajudam os bancos a superar problemas econômicos e flutuações nas taxas de juros.

    Historicamente, a principal forma de os bancos ganharem dinheiro é a partir da diferença entre aquilo que cobram sobre os empréstimos e o que pagam sobre os depósitos. Nos últimos anos, especialmente desde meados dos anos oitenta, variações nas taxas de juros e mudanças nas leis forçaram os bancos a cobrar pelos serviços oferecidos de forma mais competitiva e a entrar em novas linhas de negócios - incluindo produtos e serviços baseados em taxas.

    Stacy Mitchell, pesquisadora do Instituto pela Auto-Suficiência Local, de Minneapolis, um grupo sem fins lucrativos de pesquisas e de políticas públicas, acredita que as taxas elevadas sugerem que não está havendo concorrência.

    "Passamos por uma década de fusões de grande porte e de fechamento de filiais", diz ela. "Várias comunidades, especialmente os bairros de populações de baixa renda, contam agora com menos opções além da utilização dos dispendiosos caixas eletrônicos".

    Já Mills, da Associação Americana de Banqueiros, diz que a maioria das pessoas não paga muito em tarifas bancárias. Segundo ela, 58% dos consumidores pagam menos de US$ 3 mensalmente pelos serviços bancários, de acordo com uma pesquisa conduzida em julho do ano passado pela associação, que ouviu mil clientes.

    O limite para tal ação dos bancos pode ser o seguinte: eles podem impor tarifas mais altas até o ponto em que estas passem a causar maiores transtornos para os clientes.

    Mas R.K. Hammer, presidente da R.K. Hammer Investment Bankers, diz que os bancos estão andando sobre a corda bamba.

    "Eles precisam continuar aumentando as tarifas a fim de satisfazer aos investidores que querem retornos financeiro cada vez maiores", explica. "E de fato, estão aumentando as taxas cobradas dos clientes, arriscando-se assim a perdê-los." Danilo Fonseca
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