Compras com a marca do hotel oferecem aos hóspedes uma sensação de resort em casa

Dawn Gilbertson

Turistas viajados, hoje em dia, não se satisfazem mais com as lembranças da loja de presentes do hotel. Cada vez mais, buscam objetos no lobby, nos restaurantes, na piscina. Querem móveis, roupas de cama, talheres, o que puderem comprar para levar para casa ou dar de presente.

Resorts e hotéis de primeira nos EUA, pressentindo a oportunidade de fazer dinheiro e conquistar a simpatia dos hóspedes, estão respondendo à tendência e criando sites da Web, catálogos e promoções nos quartos.

Para seu 50º aniversário de casamento, no ano passado, Patrícia e Jack Witmer passaram 10 dias no luxuoso Four Seasons Resort de Scottsdale, Arizona. O casal de Ohio partiu com muitas milhas em seus sapatos de golfe e três colchões Serta. Investiram mais de US$ 6.000 (cerca de R$ 18.000) para comprar os colchões Posturelux, feitos sob medida, e meia dúzia de travesseiros idênticos aos que usaram durante sua estadia.

"Em vez de ir a uma fábrica de colchões, como fizemos nos últimos 45 anos, preferi comprar um colchão que eu já sabia que era bom", disse Patrícia Witmer.

A tendência ainda está no início, e muitos estabelecimentos ainda não formalizaram as vendas de objetos, mas considere:

  • Bellagio Resort, um resort AAA, de cinco diamantes, em Las Vegas. Há oito meses começou a distribuir o catálogo com seus produtos em cada um de seus 3.000 quartos. Chama-se "The Finer Things" (as melhores coisas) e começa assim: "E se todos os dias pudessem lhe trazer uma lembrança de um dia no Bellagio? Agora, isso é possível".

    Os itens à venda vão desde um refrescante bucal de US$ 2 (em torno de R$ 6) até uma cama de casal Serta, de US$ 1.600 (aproximadamente R$ 4.800). As descrições do produto são como da Madison Avenue. Um porta lenço de papel de plástico, de US$ 10 (cerca de R$ 30), tem como título: "'Saúde!' nunca foi tão elegante".

    Uma porta-voz disse que o catálogo foi criado depois de uma enxurrada de pedidos dos clientes por todo tipo de amenidades dos quartos. "Reconhecemos que essa seria uma grande oportunidade e serviço aos nossos hóspedes, então desenvolvemos o catálogo, para que saibam o que temos disponível", disse Sandy Zanella, do antecessor do Bellagio, MGM Mirage.

    New York-New York acaba de lançar um site da Web para clientes comprarem lembranças tradicionais, como copos de licor e casacos de moletom. No ano passado, também distribuiu nos quartos um cartão com informações de como encomendar os novos colchões Serta. O hotel recebe uma comissão por cada venda. Foi sugestão da Serta.

    "Algumas vezes, os fornecedores nos procuram com promoções. Eles também estão procurando novas formas de aumentar a receita", diz Brad Goldberg, vice-presidente de marketing do hotel.

    New York-New York não tem um catálogo anunciando todos os artigos no quarto, mas Goldberg não descarta a idéia. "Com base no sucesso de Bellagio, outros hotéis dentro da família do MGM Mirage estarão explorando essa avenida", disse.

    The Phoenician Resort, em Phoenix, já tem um catalogo há dois anos. Ele agora está sendo refeito para incluir novos artigos como lençóis italianos de luxo e novas toalhas felpudas de piscina. Também inclui uma gama mais ampla de itens estranhos e populares entre os clientes, como espremedores de limão usados no chá da tarde e pequenos potes pretos usados para servir batata assada no Green Restaurant do hotel.

    A cadeia de hotéis Sheraton planeja vender os colchões Sealy Posturepedic e lençóis a partir do outono.

    Westin, que, como o Sheraton e o Phoenician, é de propriedade da Starwood Hotels and Resorts, deu início à moda em 1999, com sua altamente promovida Heavenly Bed (cama dos céus). A partir daí, passou a incluir uma longa linha de produtos Heavenly, que vão desde um pacote de ganchos para cortina de chuveiro por US$ 12 (em torno de R$ 36) até o conjunto Heavenly Bed, de US$ 2.965 (cerca de R$ ). O site da Westin tem até listas para noivados.

    "Acho que você vai ver marcas de hotéis se superando. É uma nova tendência e será competitiva", disse Michael Mahoney, diretor de hospitalidade e consultor de lazer da PricewaterhouseCoopers, uma das quatro grandes firmas de consultoria e contabilidade.

    Mahoney e pessoas do ramo da hotelaria dizem que os hotéis estão promovendo esse tipo de venda e aprimorando continuamente suas amenidades para manter sua posição no ramo sempre competitivo e atualmente lento da indústria do turismo.

    "Estão contratando estilistas para criar uma experiência que ultrapasse o normal, onde a pessoa acorda e não consegue se lembrar onde está", diz Mahoney.

    Turistas freqüentemente querem lembranças de sua estadia. Nos níveis mais altos de renda, lembranças envolvem mais do que roupões de banho e camisas de golfe.

    "Se gostarem da sua estadia, os produtos que comprarem vão trazer grandes lembranças", diz Abe Mahiko, diretor de compras do Four Seasons Resort Scottsdale.

    Para a maior parte das redes de hotéis, o comércio de mercadorias ainda não rende muito, diz Mahoney. Na venda de itens mais caros, como colchões, por exemplo, alguns hotéis recebem uma comissão, enquanto outros, como o Phoenician e o Four Seasons, são apenas intermediários voluntários. Para eles, a intenção é apenas servir o cliente, dizem.

    Se a demanda continuar, no entanto, as ofertas vão se multiplicar e as vendas por catálogo e sites na Web poderão se provar substanciais. Deborah Weinberg
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