Pesquisa demonstra que hispânicos não se enquadram facilmente em categorias políticas

Sergio Bustos
DE WASHINGTON

Os hispânicos não se encaixam com facilidade na tradicional dicotomia política dos Estados Unidos formada de democratas e republicanos, segundo os resultados de uma ampla pesquisa de âmbito nacional divulgada na terça-feira (2/09).

O projeto Pesquisa Eleitoral National Annenberg, conduzido pelo Centro Annenberg de Políticas Públicas da Universidade da Pensilvânia, revelou que a maior parte dos hispânicos compartilha com os eleitores mais liberais a idéia de que mais verbas federais devem ser aplicadas no sistema de saúde e nas escolas. Mas um grande número de hispânicos também apóia a distribuição dos "school vouchers" (um tipo de bônus que permite a alunos carentes estudarem em escolas privadas) e a proibição do aborto - medidas geralmente defendidas pelos conservadores.

Um outro dado revelado pela pesquisa: os hispânicos mais ricos, ao contrário da maioria dos norte-americanos não hispânicos da classe média alta, se definem como simpatizantes do Partido Democrata.

Ao comentar os resultados, Adam Clymer, diretor da pesquisa, sugeriu que os hispânicos poderiam estar se sentindo alienados do processo político e que ambos os partidos majoritários não conseguiram estabelecer vínculos com esse segmento da população.

"Muitos hispânicos simplesmente não estão comprometidos com um único
partido", afirmou. As descobertas da pesquisa certamente confundirão os
estrategistas de campanha de ambos os partidos neste momento em que eles
procuram elaborar a mensagem apropriada para atrair os eleitores hispânicos em 2004.

A pesquisa, que ouviu 4.676 hispânicos, foi realizada entre novembro de 1999 e janeiro de 2001, como parte de um trabalho maior, no qual foram
entrevistados 79 mil norte-americanos, e que foi divulgado no ano passado. A margem de erro da pesquisa feita com os hispânicos é de um ponto percentual para mais ou para menos.

Essa foi a primeira pesquisa a ouvir um número tão grande de hispânicos, permitindo que os diretores do trabalho avaliassem dados colhidos sobre grupos específicos de hispânicos, incluindo mexicanos, porto-riquenhos e cubanos. Quase seis entre cada dez hispânicos são mexicanos.

A pesquisa reafirmou certas tendências históricas quanto às preferências dos hispânicos pelos dois maiores partidos dos Estados Unidos: a maioria dos cubanos ainda prefere os republicanos, enquanto que mexicanos e porto-riquenhos continuam a apoiar os democratas.

Eis algumas das revelações da pesquisa:

  • Cerca de 37% dos hispânicos afirmaram que o governo federal deveria
    proibir todos os tipos de aborto. Somente 17% dos democratas e 31% dos
    republicanos são da mesma opinião. Os hispânicos de origem centro-americana são ainda mais conservadores com relação a esse tópico: 49% se opõem ao aborto.

  • Uma alta percentagem de hispânicos (64%) disse que o governo federal deveria procurar reduzir as diferenças de renda entre os norte-americanos, uma opinião compartilhada por apenas 32% dos republicanos. Um número ligeiramente maior de hispânicos é favorável a tal medida. A porcentagem de hispânicos que defende esse ponto de vista é ainda maior que a de eleitores democratas de todas as etnias (59%). Os hispânicos caribenhos defendem ainda mais (77%) as medidas do governo no sentido de reduzir as disparidades de renda.

  • Cerca de 75% dos hispânicos, assim como 79% dos democratas, disseram que o governo federal deveria investir mais verbas para proporcionar seguro saúde às pessoas que não contam com nenhuma cobertura médica. Já os republicanos estão divididos simetricamente quanto a esse tópico.

  • Cerca de 80% dos hispânicos disseram que o governo federal deveria
    investir mais verbas em escolas. Uma percentagem menor de republicanos, 55%, tem o mesmo ponto de vista.

  • Aproximadamente 35% dos hispânicos que recebem um salário anual de mais de US$ 75 mil se identificaram como democratas. Somente 26% disseram que eram republicanos. A tendência é oposta entre os não hispânicos que estão no mesmo patamar salarial. Cerca de 35% preferem os republicanos e 27%, os democratas. Danilo Fonseca
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