Bush está confiante na forma como administra a economia e a situação no Iraque

Mike Madden
DE WASHINGTON

O presidente Bush disse na terça-feira (16/09) ao "Gannett News Service" que está confiante no seu governo, apesar do aumento das críticas à forma como conduz a economia e a ocupação norte-americana do Iraque.

Rumando para um ano eleitoral, Bush se depara com problemas potenciais, tanto em casa quanto no exterior. A economia está caótica, apesar da redução de impostos da ordem de US$ 1,5 trilhão que o presidente transformou em lei, e o déficit do orçamento federal alcançou patamares recordes. No Iraque, um número maior de soldados morreu desde que Bush anunciou o término dos grandes combates, em 1º de maio, do que durante a guerra propriamente dita, e o governo está tentando conseguir US$ 87 bilhões para custear as operações em andamento naquele país.

Os democratas no Congresso e aqueles que almejam disputar a eleição presidencial batem em Bush diariamente, dizendo que a nação está perdendo a confiança no seu governo. As pesquisas indicam que um número maior de norte-americanos começa a indagar se Bush está conduzindo o país no caminho correto.

"Estamos fazendo um bom progresso", disse Bush. "Estou muito otimista quanto ao futuro... Afinal, essa é a minha função, liderar, estabelecer uma visão administrativa e liderar".

Bush defendeu os planos para o Iraque de pós-guerra e afirmou que perseverar na luta contra os atuais ataques de guerrilha é essencial, assim como foi também fundamental a invasão norte-americana em março.

"Um Iraque livre garantirá não só uma vida melhor para o povo iraquiano, mas servirá como advertência sobre aquilo que é possível para os países vizinhos do Iraque e da região", afirmou.

Porém, cinco meses após o início da ocupação do Iraque, as tropas norte-americanas ainda estão tentando promover a ordem e garantir uma infraestrutura confiável para o país. Membros do Congresso - incluindo os legisladores de ambos os partidos que apoiaram a guerra - acusaram o governo de fracassar na tarefa de planejar de forma adequada um fim para a guerra.

Na terça-feira, a líder da minoria na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, e o deputado John Murtha, democrata da Pensilvânia, que geralmente ficam ao lado de Bush nas questões relativas à defesa, pediram que os assessores que elaboraram a política de pós-guerra para o Iraque fossem demitidos.

Bush disse estar certo de que a situação de pós-guerra vai melhorar com o tempo, embora não tenha especificado o que as tropas norte-americanas poderiam fazer para acabar com os atuais combates.

O presidente disse que alguns grupos terroristas ainda tentarão atacar os Estados Unidos, não importando o que aconteça com o Iraque. Ele disse que a invasão do país não estava diretamente vinculada à luta contra a Al Qaeda e Osama Bin Laden, que ele prometeu que terá continuidade.

Quanto à economia, Bush admitiu estar preocupado com o índice de desemprego de 6,1%. Culpou a recessão que teve início antes que assumisse a presidência, os ataques terroristas de 11 de setembro, a mobilização para a guerra contra o Iraque e os escândalos empresariais do ano passado pelos problemas econômicos que atingem a nação.

O presidente disse acreditar que a redução de impostos por ele implementada vai gerar uma recuperação econômica, mas acrescentou que entende por que certas pessoas estão menos esperançosas.

"Se eu não tivesse um emprego, também estaria perdendo a paciência", afirmou.

Vários democratas, preocupados com a forma como vão ser pagos os US$ 87 bilhões que Bush deseja para o Iraque sem que se aumente déficit orçamentário de quase US$ 500 milhões, gostariam de adiar ou rejeitar algumas das recentes reduções de impostos, pelo menos aquelas que beneficiam os norte-americanos mais ricos.

"Creio que é necessária a existência de um elemento de sacrifício neste país, se estamos pedindo aos nossos soldados, aos membros da Guarda Nacional e aos nossos reservistas que abandonem os seus empregos para lutar pela pátria", disse o líder da minoria no Senado, Tom Daschle, democrata de Dakota do Sul. "Aqueles que estão no topo da pirâmide não estão fazendo nenhum sacrifício. Eles deviam se sentir embaraçados com o fato de nada lhes estar sendo cobrado."

Bush rechaçou essa idéia, afirmando que as reduções de impostos precisam adquirir caráter permanente, e não rejeitadas. "A melhor forma de lidarmos com o déficit é fazer com que a economia cresça e controlar os gastos dispensáveis", afirmou. Danilo Fonseca

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