Impacto econômico de furacão Isabel assusta menos que a tempestade

Barbara Hagenbaugh e Sue Kirchhoff

Embora o furacão Isabel tenha feito com que vários estabelecimentos comerciais fechassem as portas na Costa Leste dos Estados Unidos na quinta-feira (18/09), o seu impacto sobre a economia regional e nacional do país provavelmente será bem pequeno.

Isso porque, embora algumas companhias deixem de vender e se vejam forçadas a gastar milhares de dólares para continuar funcionando, outras, como aquelas que vendem geradores de energia elétrica e lâminas de compensado (utilizadas para proteger janelas e portas da força dos ventos), estão de fato se beneficiando com a tempestade. E há ainda outras empresas que serão capazes de compensar a queda nas vendas em uma outra ocasião.

"Se uma pessoa não comprar um carro hoje, ela o comprará na semana que vem", diz Stephen Fuller, diretor do Centro de Análise Regional da Universidade George Mason, em Virginia, observando que os gastos vão apenas ser distribuídos de forma diferenciada. "Há ganhadores e perdedores".

A rede de lojas de materiais de construção Home Depot vendeu cerca de um milhão de lâminas de compensado, milhares de geradores e 80 caminhões de areia nesta semana, à medida que empresas e proprietários de casas se preparavam para a chegada do Isabel.

Já as empresas de seguro provavelmente sairão perdendo. A firma de gerenciamento de riscos AIR Worldwide estima que cerca de US$ 2 bilhões terão que ser desembolsados para cobrir os estragos, com base na rota seguida pelo furacão e no tipo de construções que ele vai atingir pelo caminho. Segundo o Instituto de Informação sobre Seguros, o furacão Andrew, de 1992, foi a tempestade mais cara a atingir os Estados Unidos, causando um prejuízo de US$ 20 bilhões a preços atuais.

Eis certos efeitos do furacão sobre os negócios:

  • A firma de advocacia Rosen, de Raleigh, Carolina do Norte, está se preparando para receber uma enxurrada de clientes procurando o divórcio. Após outros períodos de fenômenos climáticos intensos, tais como uma recente tempestade de neve, os casais que estavam a ponto de se separar tomaram a decisão final após passarem dias trancados juntos dentro de casa.

  • Kip Laramie, dono do restaurante Santa Fe Cafi, em Arlington, Virginia, fechou as portas na quinta-feira e pode tornar a abri-las na sexta - o dia mais movimentado da semana para os seus negócios. O restaurante fica em um prédio do governo federal, de forma que, com o fechamento das repartições públicas, ele não viu motivo para trabalhar na quinta-feira.

  • Jay Dunbar, dono da CD Warehouse, uma loja que vende CDs, DVDs e video games em Raleigh e Cary, na Carolina do Norte, diz que as suas vendas aumentaram 10% na quarta-feira em relação ao mesmo dia no ano passado. Ele diz que o aumento das vendas pode ser parcialmente explicado pela sua localização: ambas as suas lojas ficam próximas a supermercados Kroger. Assim os fregueses vieram dar uma olhada nos seus produtos após comprarem o essencial no supermercado. Ele acredita que as pessoas estão também se preparando para se manterem ocupadas durante os vários dias que poderão ficar dentro de casa.

    Ele fechou as portas da loja na quinta-feira à tarde, de forma que o aumento das vendas na quarta-feira provavelmente vai compensar as vendas que deixaram de ser feitas no final da semana. "Provavelmente o lucro vai ser equivalente ao prejuízo", afirma. Danilo Fonseca
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