Substância tóxica é encontrada em leite materno

Elizabeth Weise

Uma substância química tóxica utilizada na fabricação de móveis, espumas e equipamentos eletrônicos resistentes ao fogo está aparecendo em grande quantidade no leite materno das mulheres norte-americanas.

Dois estudos, um deles divulgado na última terça-feira, revelam que 100% das mulheres examinadas estavam contaminadas por éter difenil polibrominado (PBDE), um retardador de incêndios. O índice de PBDE encontrado nas norte-americanas foi o mais alto do mundo, sendo de dez a 20 vezes maior que aquele apresentado pelas européias.

O Environmental Working Group (EWG), uma organização de pesquisas governamentais sem fins lucrativos, testou o leite de 20 mulheres de várias partes do país. Foram encontrados níveis que variaram de 9,5 a 1.078 partes por bilhão. As mulheres foram recrutadas por meio de um anúncio no site da EWG. "Esse é mais um alerta para que acordemos para o problema", afirma Linda Birnbaum, diretora do laboratório de toxicologia experimental da Agência de Proteção Ambiental.

Os níveis de PBDE em seres humanos estão dobrando a cada período de dois a cinco anos, adverte Linda.

Um estudo da Universidade do Texas em Houston, conduzido por Arnold Schecter, professor de ciências ambientais, e por Linda Birnbaum, publicado na edição do mês passado do periódico "Environmental Health Perspectives", apontou níveis no leite materno que variaram de cinco a 418 partes por bilhão em 47 mulheres norte-americanas. O leite materno é testado por ser essa a forma menos agressiva de se examinar a gordura, onde o PBDE fica armazenado.

Ainda não há estudos que indiquem quais seriam os níveis seguros da substância em seres humanos. Em ratos e camundongos, várias experiências demonstraram que o PBDE é capaz de provocar alterações cognitivas e comportamentais durante o desenvolvimento, assim como alta incidência de câncer.

Peter O'Toole, da organização Bromine Science and Environmental Forum, observa que não se podem extrapolar as experiências com roedores para determinar os efeitos do PBDE em seres humanos.

O PBDE é amplamente utilizado nos Estados Unidos porque o país adota os padrões mais exigentes para o retardamento de incêndio. Aqui há menos incêndios do tipo capaz de ser prevenido, causado por material elétrico e mobiliário inflamáveis, do que na Europa.

O PBDE pode passar para o meio ambiente durante o seu processo de fabricação ou quando os produtos que o contêm liberam a substância, ao serem danificados. Há quem diga que a maior fonte do produto seja a gordura animal presente nos alimentos. Um estudo revelou que a substância está presente na poeira doméstica.

"Esses são os nossos bebês. Será que queremos que eles sejam menos inteligentes do que nós porque os seus cérebros estão sendo atacados por esses produtos químicos tóxicos?", questiona Schecter. Danilo Fonseca

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