Erros médicos previsíveis provocam internações mais caras e longas nos hospitais

Kathleen Fackelmann

Danos à saúde, em grande parte evitáveis, causados por intervenções médicas em hospitais dos Estados Unidos contribuem para um custo extra substancial em termos de mortes desnecessárias e dias adicionais passados nos hospitais, revelou hoje um estudo.

Mais de 32 mil norte-americanos morrem anualmente devido a tais erros médicos, afirma o estudo. Mas até mesmo os pacientes que sobrevivem pagam um preço: eles com freqüência acabam pagando pelo custo extra das internações prolongadas nos hospitais, afirma o autor do estudo, Chunliu Zhan, do Centro para Melhora da Qualidade e Segurança do Paciente, um órgão vinculado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Um relatório de 1999, elaborado pelo Instituto de Medicina, revelou que cerca de 98 mil norte-americanos morrem diariamente devido a erros que ocorrem em hospitais, consultórios médicos, clínicas e locais similares. O novo estudo, publicado no periódico "Journal of the American Medical Association", baseia-se na análise detalhada dos erros médicos que ocorrem exclusivamente nos hospitais.

Os pesquisadores examinaram registros de pacientes de 994 hospitais em 28 Estados norte-americanos, uma amostragem que representou cerca de 20% dos hospitais do país. A equipe se concentrou em 18 danos físicos específicos que podem ser causados por erro humano e que aumentam os problemas do paciente, incluindo internações mais longas e custos extras.

Em todo o país, a equipe calcula que tais problemas resultem em 2,4 milhões de dias adicionais passados nos hospitais, e em US$ 9,3 bilhões em custos extras devido às internações mais longas e aos cuidados intensivos.

O relatório mencionou uma série de problemas de saúde, tais como:

- Infecções potencialmente letais do sangue, que podem se disseminar após uma cirurgia, o principal problema descoberto pelos pesquisadores. A equipe descobriu que pessoas que contraem tais infecções apresentam uma chance de morrer 22% maior do que a média. Os sobreviventes necessitam ficar internados cerca de 11 dias a mais arcam com uma conta hospitalar US$ 58 mil mais cara do que a dos pacientes que não tiveram infecções.

- Reabertura de um ferimento após a cirurgia, muitas vezes devido a uma infecção. Esse problema faz com que os pacientes muitas vezes passem dez dias no hospital e implica em uma conta adicional de US$ 40 mil.

- O esquecimento de um instrumento cirúrgico ou gaze dentro do corpo do paciente, um erro que raramente provoca a morte, mas que freqüentemente implica em dez dias a mais de internação e um custo extra de US$ 13 mil.

Zhan diz que as infecções cirúrgicas muitas vezes ocorrem quando a equipe médica não lava as mãos e os instrumentos de maneira apropriada.

Mas Nancy Foster, da Associação Americana de Hospitais, diz que em muitos casos as infecções ocorrem ainda que os membros da equipe sigam todos os procedimentos mais avançados para o controle de infecções. Os germes capazes de causar as infecções estão em constante processo de mutação, burlando até mesmo as mais rigorosas medidas de controle.

Vários dos problemas médicos apontados no relatório podem ser atribuídos às condições críticas nas quais médicos e enfermeira precisam trabalhar em grande velocidade para salvar a vida dos pacientes, acrescenta Rick Wade, da Associação Americana de Hospitais. Danilo Fonseca

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