Medicamento contra o câncer de mama gera esperanças

Rita Rubin

Um medicamento que até hoje só tinha sido usado para o tratamento de casos de câncer de mama avançados reduziu pela metade o risco do retorno da enfermidade em pacientes que sofrem da doença no seu estágio inicial, disseram na quinta-feira (09/09) pesquisadores norte-americanos.

Fred R. Conrad/The New York Times

Os remédios contra câncer de mama
"Essas descobertas vão ser de bastante interesse para muitas mulheres, seus parentes, amigos e também para os médicos que tratam delas", afirma o co-autor do estudo, James Ingle, da Clínica Mayo. Ele estima que cerca de 40% de todos os pacientes de câncer de mama serão candidatos a receber a droga, denominada Letrozole.

Ingle e seus colegas testaram o Letrozole em mais de 5.000 pacientes de câncer de mama em idade pós-menopausa que terminaram recentemente o tratamento com o Tamoxifen. Outra pesquisa demonstrou que um tratamento de cinco anos com esta última droga após a cirurgia de câncer de mama reduz o risco de reaparecimento da doença em 47%. Porém, após cinco anos, o Tamoxifen não confere benefícios adicionais e pode até mesmo fazer com que aumentem as chances de o câncer retornar. A cada ano, centenas de milhares de sobreviventes de câncer de mama em todo o mundo terminam o seu tratamento de cinco anos com o Tamoxifen.

As pesquisas com o Letrozole são as primeiras a demonstrarem que uma droga funciona por mais de cinco anos após cirurgia para tratamento do câncer de mama, afirma o autor da pesquisa, Paul Goss, do Hospital Princess Margaret de Toronto. Ele diz que isso é importante porque cerca de 60% dos casos de reaparecimento do câncer de mama ocorrem entre cinco e 15 anos após a cirurgia. E, embora 9% das pacientes de câncer de mama morram nos primeiros cinco anos, diz ele, outros 18% morrem nos dez anos seguintes.

O Letrozole, vendido com o nome comercial Femara, mostrou ser tão eficaz que Goss e seus colaboradores suspenderam o seus estudo, planejado para durar cinco anos, após apenas dois anos e meio de pesquisas. O periódico "The New England Journal of Medicine" considerou as descobertas tão importantes que publicou o estudo no seu site na quinta-feira, quatro semanas antes da data originalmente prevista para publicação.

Todos os tumores dos indivíduos que participaram do estudo tinham receptores para os hormônios estrogênio e/ou progestina. O Tamoxifen se une aos receptores, prevenindo os hormônios de penetrarem nas células do tumor e de estimularem o seu crescimento. A droga protege os pacientes de fraturas dos ossos e reduz o colesterol. Por outro lado, o letrozole, assim como outras drogas conhecidas como inibidores aromatase, reduz os níveis de estrogênio. Como resultado, ele pode enfraquecer os ossos e aumentar o nível de colesterol.

Em um editorial que acompanha a publicação do estudo, Harold Burstein, da Escola de Medicina da Universidade Harvard, adverte que ninguém sabe ainda se o uso dos inibidores aromatase em longo prazo é seguro.

Goss e Ingle reconhecem que muitas questões quanto ao uso do Letrozole ainda não têm resposta. Os cientistas não sabem ainda por quanto tempo as mulheres devem tomar o medicamento, embora Goss diga suspeitar que ele possa ser eficaz por muitos anos a mais do que o Tamoxifen. Na verdade, diz ele, os inibidores aromatase poderão um dia substituir o Tamoxifen no tratamento das pacientes de câncer de mama. Uma dessas drogas, o Anastrozole, ou Arimidex, foi aprovada um ano atrás para os estágios iniciais do câncer de mama. Danilo Fonseca

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