Debate religioso sobre casamento gay poderá ter conseqüências políticas

Chuck Raasch
DE WASHINGTON

Dois entre cada três americanos se opõem ao casamento entre homossexuais. No entanto, correntes religiosas adotam posições diferentes em relação ao tema, conforme aponta uma pesquisa divulgada no mesmo dia em que a Corte Suprema de Massachusetts vetou uma lei que proibia o casamento entre homossexuais.

A decisão do tribunal e os resultados da pesquisa antecipam uma discussão instável sobre o casamento gay durante a campanha eleitoral de 2004.

Os evangélicos, que predominantemente condenam o casamento gay, concentram-se no Sul - um reduto republicano no qual os democratas sempre lutam para obter votações expressivas.

Os católicos, que exercem uma oposição mais amena ao casamento gay e são tradicionais eleitores do Partido Democrata, concentram-se na região do chamado "Cinturão de Ferrugem" ou em Estados do Centro-Oeste como Pensilvânia e Ohio.

Alguns democratas avaliam que os republicanos tentarão aprovar, no próximo ano, uma emenda constitucional que proibiria o casamento homossexual e necessitaria da ratificação dos Estados, com a intenção de mobilizar os adversários da idéia. Republicanos e alguns democratas afirmam que permanece forte o apoio ao Ato de Defesa do Casamento, aprovado em 1996. Este Ato permite que os Estados não reconheçam casamentos homossexuais realizados em outros Estados.

"Levando em conta este novo clima de opinião, a importância do casamento gay para as eleições de 2004 permanece incerta", afirma Andrew Kohut, diretor do Pew Research Center. "Mas há claros sinais de que este poderá ser um tema muito delicado para o candidato democrata".

Kohut afirmou que os apoiadores dos democratas estão divididos quanto ao tema, enquanto três quartos dos seguidores de Bush se opõem ao casamento homossexual.

O Pew Center divulgou sua pesquisa horas após a Corte de Massachusetts ter declarado inconstitucional a proibição ao casamento homossexual, por quatro votos a três.

A pesquisa do Pew Center revela que o número de protestantes evangélicos dispostos a aceitar o casamento gay em igrejas era duas vezes maior do que o número de fiéis ligados a congregações protestantes tradicionais. Foi indicado ainda que 80% dos protestantes evangélicos entrevistados se opunham ao casamento gay, enquanto 55% entre os católicos e 54% entre os protestantes tradicionais rejeitam esta possibilidade.

Somente 13% dos protestantes evangélicos defendem o casamento gay, enquanto 37% entre os protestantes tradicionais e 35% entre os católicos defendem a proposta. Esta presquisa nacional entrevistou 1.515 adultos entre os dias 15 e 19 de outubro e possui uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

No conjunto, atesta o Pew Center, 59% dos entrevistados condenam e 32% aprovam o casamento homossexual. A oposição à união de parceiros do mesmo sexo subiu 6% desde julho e a religião é um dos fatores desta recusa. O Pew Center declarou que, em sua última pesquisa 55% dos entrevistados consideravam "um pecado manter relações homossexuais", mas que 76% das pessoas que se consideravam extremamente religiosas mantinham esta posição.

O Pew Center afirmou ainda que, embora a tolerância ao homossexualismo hoje seja muito maior do que era na década de 1980, há claros indícios de um "recuo", que é constatado no momento em que o casamento homossexual volta a ser um tema cultural polêmico.

31% dos entrevistados afirmaram que a maior aceitação dos homossexuais seria prejudicial ao país. Em 2000, esta era a opinião de 23% dos entrevistados, afirma o Pew Center. 48% afirmam que a indústria cultural exibe temas e personagens homossexuais em excesso. Em 2000, esta era a opinião de 37% dos entrevistados.

O Senador Tom Daschle, líder democrata no Congresso, afirmou que discorda da decisão do Tribunal de Massachusetts. Ele declarou na terça-feira a repórteres que alguns republicanos "talvez queiram tirar vantagens políticas" por sua oposição ao casamento homossexual. No entanto Daschle destacou que o Ato da Defesa do Casamento foi aprovado em 1996 com amplo apoio de democratas e republicanos. André Medina Carone

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