Estudo comprova que ingestão de fibras previne surgimento de pólipos pré-cancerosos

Rita Rubin

Reduzir o risco de câncer do cólon pode ser algo tão simples como ingerir uma tigela de cereais ricos em fibras com leite desnatado no café da manhã, segundo um estudo amplo divulgado nesta quarta-feira (10/12).

O câncer do cólon e do reto é a segunda enfermidade de natureza maligna mais letal nos Estados Unidos, matando cerca de 60 mil pessoas anualmente. Apenas o câncer do pulmão mata um número maior de norte-americanos.

As revelações do novo estudo são bastante consistentes com pesquisas anteriores sobre os fatores de risco associados ao câncer do cólon. Embora a pesquisa não prove que as fibras de cereais e os laticínios desnatados ofereçam proteção contra o câncer do cólon, ela demonstra que há uma forte associação entre esses fatores, afirma o autor do trabalho, David Lieberman, chefe do setor de gastroenterologia do Centro Médico dos Veteranos, em Portland, Oregon.

Porém, como a grande maioria daqueles que participaram do estudo é do sexo masculino, as conclusões não podem ser aplicadas às mulheres, escreveu a equipe de Lieberman no periódico "Journal of the American Medical Association".

Lieberman e colegas de 12 hospitais de veteranos utilizaram a colonoscopia para avaliar 3.121 pacientes com idades entre 50 e 75 anos. Nenhum deles apresentava quaisquer sintomas de problemas do aparelho digestivo, mas as colonoscopias revelaram que cerca de 10% eram portadores de pólipos pré-cancerosos em estado avançado.

Acredita-se que o câncer do cólon se desenvolva a partir de pólipos benignos que levam anos para se tornar malignos. De acordo com Lieberman, entre 10% e 20% dos adultos norte-americanos desenvolverão pólipos pré-cancerosos em estado avançado no decorrer da vida, e entre metade e um quarto desses pólipos se transformarão em cânceres se não forem removidos.

Os pesquisadores compararam os 329 pacientes portadores de pólipos em estado avançado com 1.441 que não tinham pólipos. Os pacientes preencheram questionários a respeito de dietas e exercícios. Os pesquisadores fizeram também perguntas sobre o hábito de fumar, o uso do álcool e de drogas antiinflamatórias não esteróides, como a aspirina.

Não foram encontrados indícios de que o consumo de frutas e verduras influa na diminuição do risco do desenvolvimento de pólipos em estágio avançado. Já os indivíduos que mais comiam fibras de cereais - mais de 8,1 gramas diárias - apresentaram uma probabilidade 50% menor de ter pólipos em estágio avançado do que aqueles que menos as ingeriam.

Em dois estudos divulgados em 2000, pacientes foram aleatoriamente escolhidos para se submeterem a uma dieta rica em fibras e pobre em gordura ou seguirem a sua alimentação normal. Esses pacientes foram acompanhados por cerca de quatro anos. Os estudos não encontraram diferença entre os dois grupos no que se refere ao surgimento de novos pólipos, mas a duração da pesquisa pode não ter sido longa o suficiente para revelar os benefícios da primeira dieta. "Demora muito tempo para que a superfície normal do cólon apresente pólipos ou algo mais sério", explica Lieberman.

O estudo revelou que o hábito de fumar e de beber de forma moderada ou exagerada, assim como o fato de se possuir um pai, irmão ou filho que teve câncer do cólon, aumentam a probabilidade de surgimento de pólipos em estágio avançado. Além das fibras de cereais, a ingestão de vitamina D - encontrada nos laticínios - e o uso de drogas antiinflamatórias não esteróides parecem prevenir o aparecimento dos pólipos. A atividade física moderada e a ingestão de cálcio, ácido fólico e complexos vitamínicos não pareceram ser fatores importantes para a prevenção de pólipos no cólon. Danilo Fonseca

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