Companhias investem em saúde de funcionários

Chris Wadsworth

Joyce Reynolds se sente como quem acaba de sair de uma montanha russa, embora diferente daquele tipo encontrado nos parques de diversões. É que ela travou por toda a vida uma batalha cheia de altos e baixos com o seu peso.

"Passei por períodos de depressão", conta Reynolds, 47. "Ainda quando acreditava haver chegado a um estágio na vida em que seria feliz, isso não era verdade. Era como enganasse a mim mesmo."

A empresa na qual trabalha, a Lee County Electric Cooperative, da Flórida, tenta ajudá-la. Recentemente, a companhia passou a oferecer sessões de monitoramento de peso no local de trabalho. Alguns dos mais de 30 participantes tiveram um desconto no preço normal da inscrição. Outros puderam parcelar a despesa nos contracheques.

Há cinco semanas no programa, Reynolds perdeu 2,7 quilos e a sua pressão arterial baixou de 16/10 para 13/8.

As companhias estão cada vez mais buscando sucessos semelhantes. Elas procuram maneiras de conseguir uma saúde melhor para seus funcionários - tanto por boa vontade como porque isso se constitui em um bom negócio.

O Conselho de Saúde da América (Welcoa, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos que promove programas de saúde no trabalho, afirma que as despesas com saúde representam a maior fração da economia dos Estados Unidos - em 2002, por exemplo, essas despesas totalizaram US$ 1,4 trilhão. Desse total, as companhias arcaram com US$ 444 bilhões.

E o futuro não parece mais promissor, havendo a expectativa de que os gastos com saúde ultrapassem os US$ 2 bilhões em 2007, segundo projeções feitas pelo setor empresarial.

Tal situação representa um dilema para os patrões. Como eles serão capazes de persuadir os trabalhadores a se tornarem mais saudáveis, não só pelo benefício particular, mas também para ajudar as finanças das companhias?

"Creio que o empresariado norte-americano está em uma encruzilhada", opina David Hunnicutt, presidente do Welcoa, com sede em Omaha, no Estado de Nebraska. Segundo ele as pesquisas demonstram que 88% das empresas norte-americanas oferecem atualmente algum tipo de programa para melhoria da saúde ou da forma física.

No entanto, a maior parte dessas iniciativas se resume a um cartaz pendurado no refeitório ou a uma brochura que acompanha o contracheque. Apenas 10% das companhias dos Estados Unidos oferecem realmente programas organizados de saúde e melhoria da forma física no local de trabalho.

Hunnicutt acredita que muitos empregadores ainda não entendem que os programas de saúde beneficiam as finanças das empresas.

Ele cita como exemplo a Union Pacific Railroad. Líder em saúde no local de trabalho, a companhia de transporte ferroviário investiu inicialmente US$ 2,5 milhões em programas de saúde e condicionamento físico para os funcionários. No ano em que isso ocorreu, foi registrada uma redução de US$ 50 milhões nos gastos com problemas de saúde.

"Há 20 anos todos se perguntavam o que era saúde do trabalhador", conta Hunnicutt. "Atualmente as companhias entendem que os programas de saúde são parte importante da solução, e estão lutando para implementá-los."

Além das sessões para perda de peso, os 330 funcionários da Lee County Electric Cooperative contam com um ginásio de esportes nas instalações de North Fort Myers. A companhia concede ainda incentivos financeiros aos funcionários inscritos em centros de condicionamento físico da região, oferece vacinação contra gripe no outono e sedia feiras de saúde.

Além de serem boas estratégias para recrutamento, essas iniciativas também beneficiam a companhia por criarem uma força de trabalho mais saudável e fisicamente condicionada, que pede menos licenças-médicas. E os funcionários se sentem mais dispostos e produtivos.

"Mentalmente, nos sentimos melhor", garante Reynolds. "É mais fácil lidar com os problemas que aparecem no decorrer do dia".

O Departamento de Polícia de Lee County está adotando uma iniciativa similar para os seus 1.100 funcionários. O departamento montou uma sala de ginástica no trabalho, dotada de alteres, esteiras, escadas e outros equipamentos aeróbicos. A agência planeja lançar, em janeiro, um programa de saúde direcionado para os funcionários encarregados de tarefas sedentárias.

"Vamos tentar modificar o estilo de vida dos nossos funcionários", diz o coordenador do programa, Dawn Bennett.

Especialistas em saúde e patrões dizem que, caso tais programas não funcionem, os trabalhadores terão que arcar com uma parcela cada vez maior das despesas crescentes com saúde.

"Nós gostamos dos funcionários e queremos lhes fornecer os melhores benefícios disponíveis", diz Hunnicutt. "Mas, a menos que eles façam escolhas benéficas para as suas saúdes, não seremos capazes de conceder-lhes esses benefícios." Danilo Fonseca

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