Estações meteorológicas caseiras são sucesso de venda nos EUA

Patrick O'Driscoll

Como uma criança em véspera de Natal, o professor aposentado do primeiro grau Randy Pettigrew aguarda nesta semana a chegada de um novo brinquedo com o qual nunca sonhou e do qual nunca precisou: uma estação meteorológica caseira.

"Dá para planejar com antecedência, sabendo o que esperar", diz Pettigrew, 56, de Williamstown, West Virginia. "Usamos bastante o Canal de Meteorologia. Mas agora somos capazes de saber que tempo está fazendo bem aqui na nossa casa".

Foi por isso que ele comprou a estação remota La Crosse WS-2310, pelo correio, como um presente de Natal antecipado. Após ver o aparelho montado no quintal pelo genro, Chris Leach, um meteorologista amador de Charlotte, Carolina do Norte, Pettigrew ficou fascinado.

Pode parecer estranho que alguém queira acompanhar a previsão do tempo a partir do seu quintal em um mundo repleto de dados climáticos instantâneos fornecidos por fontes oficiais: previsões de tempo de 24 horas na TV a cabo, incontáveis sites na Internet, e até mesmo alertas pessoais de tempestades, transmitidos por telefone celular, pagers ou assistentes digitais pessoais.

Mas vários entusiastas da previsão climática descobrem que o tempo nos locais onde moram, especialmente fora das cidades, não é aquele sugerido pelas notícias fornecidas pela televisão ou por instituições federais. "Em West Virginia, basta você contornar uma montanha para se deparar com um clima totalmente diferente", diz Pettigrew, que mora a 19 quilômetros de Parkersburg, em West Virginia, a cidade mais próxima dotada de um escritório do Serviço Nacional de Meteorologia.

Enquanto isso, os preços dos componentes eletrônicos não param de cair mais rapidamente do que a escala de um barômetro antes da chegada de um furacão. Isso faz com que surjam, à disposição do consumidor comum, instrumentos climáticos tão bons quanto aqueles utilizados pelos profissionais. O resultado é uma avalanche de previsões do tempo caseiras.

As estações remotas com mostradores instalados no interior das residências, que possibilitam leituras digitais das condições meteorológicas externas chegam a custar apenas US$ 150 - ou até US$ 2.500. Esses aparelhos podem medir a temperatura externa, a chuva e a neve, a direção e a velocidade do vento, a pressão atmosférica - e até mesmo a sensação térmica devida ao vento, a radiação solar e umidade do solo -, sem que o consumidor precise se molhar ou sentir frio.

Equipamentos para previsão do tempo aparecem incessantemente em catálogos de presentes das lojas de produtos eletrônicos como The Sharper Image e Brookstone, e daquelas especializadas em produtos para atividades ao ar livre, como a Cabela's e a Campmor. A Radio Shack, que já foi a única a vender esse tipo de equipamento, atualmente concorre com a Best Buy, a Target e outras redes.

Interesse crescente

"O interesse realmente aumentou demais", conta Jesse Ferrel, fundador da WeatherMatrix.com, uma rede on-line de mais de 6.000 meteorologistas amadores. "Antigamente, só os cientistas eram capazes de lidar com uma estação meteorológica. Agora, qualquer um pode ir até a loja de equipamentos eletrônicos e comprar uma estação amadora".

Não só até a loja, mas também às lojas do ciberespaço. De fato, o maior tráfego está na Internet. A Weather Channel, que abriu a sua loja on-line no primeiro semestre deste ano, oferece um relógio cuco de previsão do tempo por US$ 40. O AccuWeather, encontrado no "AccuMall", possui um detector de raios de US$ 190. A Wind and Weather, uma loja da Califórnia que atende a um grande número de encomendas por correio, oferece aos consumidores estações meteorológicas de mesa de US$ 200 no formato de satélite Sputnik. O Stormwise, um site texano da Internet, vende dispositivos de bolso cujos preços variam entre US$ 112 e US$ 150, capazes de prever "clima de pesca" e "clima de caçadas", para os entusiastas desses esportes.

Várias lojas da Internet chegam a vender estações meteorológicas do tamanho de telefones celulares, que custam apenas US$ 350.

"É o período em que estamos mais ocupados", afirma Tom Tesauro, da Scientific Sales, de Lawrenceville, em Nova Jersey. A sua loja on-line vendeu 200 estações meteorológicas caseiras em um único dia na semana passada.

Os analistas e grupos de negócio não sabem que parcela do mercado de equipamentos eletrônicos domésticos, no valor de US$ 95 bilhões, é destinada aos instrumentos meteorológicos. Mas "é óbvio que o mercado está crescendo", diz Jimmie Smith, da MeteoQuest, uma empresa de consultoria da área de tecnologias da atmosfera. "Esses objetos estão se transformando em eletrodomésticos".

A Internet estimula o boom

A nova parafernália não se destina apenas aos entusiastas da tecnologia. Grande parte desses aparelhos é suficientemente precisa para ser usada por estudiosos sérios, mas conta com um grau de simplicidade suficiente para que os neófitos da meteorologia consigam manejá-los.

"Quando abri a loja, achei que só iria lidar com fregueses que encaram a meteorologia como um hobby sério, mas descobri que esses produtos atraem uma gama de consumidores bem mais ampla do que eu esperava encontrar", afirma Parke Madden, da The Weather Store, uma loja especializada em produtos meteorológicos, de Sandwich, Massachusetts. "Os fregueses me dizem que não são meteorologistas sérios e que tudo o que querem é saber a temperatura externa. Quando as pessoas vêem a força dos furacões, tempestades ou dos vendavais que vêm do nordeste, os indicadores de velocidade do vento sobem na lista de itens mais vendidos no Natal".

O acesso instantâneo a dados meteorológicos na Internet estimulou esse boom. Programas de computador permitiram que milhares de pessoas dotadas de estações nos quintais de suas casas compartilhassem as suas leituras com redes profissionais no ciberespaço, como a WeatherMatrix.com, a Weather Underground, a weatherforyou.com e a WeatherBug, um serviço que atende a 27 milhões de usuários. Milhares de outros observadores voluntários que prestam informações ao Serviço Nacional de Meteorologia ajudam a preencher as lacunas no sistema.

"Muita gente quer participar do processo", diz Steve Hamilton, discotecário de uma estação de rádio do Colorado, cujo site, o weatherbuff.com, orienta os novatos no setor. Embora Hamilton nada tenha feito para promover o site, criado há apenas um mês, ele já conta com 500 consultas diárias. "As pessoas não param de visitá-lo. Nós lhes damos as boas-vindas e os encorajamos um pouco".

Para alguns, a revolução na meteorologia caseira é um novo hobby. Para outros, trata-se de um novo desafio.

O empresário de softwares Mike Lanza, de San Francisco, instalou recentemente uma estação Vantage Pro, da Davis Instruments, na sua casa, a fim de provar aos amigos, colegas e futuros compradores de casas que o tempo na sua cidade está longe de ser frio e imprevisível, conforme a reputação.

"Moro em Potrero Hill, a região mais quente da cidade", conta. E as leituras que faz no aparelho comprovam essa afirmação.

"Se eu algum dia vender esta casa, acredito que serei capaz de obter por ela um preço substancialmente maior caso as pessoas saibam qual é o clima no terreno". Danilo Fonseca

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