Museu oferece uma exploração instrutiva e reveladora da história do erotismo

Chris Woodyard
LOS ANGELES

Um passeio de poucos minutos de carro em Los Angeles pode conduzi-lo até alguns dos melhores museus de arte, e também até alguns dos mais sórdidos sex shops. Em algum lugar situado entre os dois está o novo Museu Erótico, que abre suas portas no próximo dia 16.

Este museu promove uma celebração de todas as coisas ligadas ao sexo - sendo fortemente desaconselhável às pessoas pudicas.

Nele, os visitantes poderão assistir a um filme pornô antigo no qual alguns acreditam que atua uma jovem Marilyn Monroe, explorar um aquário repleto de brinquedos sexuais e acompanhar a evolução ao longo de um século do vibrador - tudo sob as aparências de um estudo sério das artes e da história.

Quatro empreendedores desenvolveram esse museu proibido para menores, após terem visto museus similares em Paris, em Amsterdã e em outros lugares pelo mundo afora. Na época, "eu sabia que não existia nada igual nos Estados Unidos", explica Mark Volper, um dos sócios, embora um Museu do Sexo tivesse sido inaugurado em Nova York em 2002.

Volper, que imigrou da Rússia para os Estados Unidos em 1981, diz ser um apreciador de longa data da arte erótica. Segundo ele, Hollywood, que está tentando seguir uma cura de rejuvenescimento, principalmente como destino turístico, parecia ser o local perfeito para um tal projeto. Então, eles gastaram mais de US$ 250 mil (R$ 714.500) para transformar uma loja de camisetas de 78 anos.

Até mesmo numa comunidade que já está mais do que acostumada a ver salões de tatuagem e bares com garçonetes de topless, uma visita ao Museu Erótico pode provocar um certo choque. De fato, existem alguns itens mais "brandos", tais como gravuras de Picasso representando nus entrelaçados, além de um mosaico baseado num famoso pôster sexy de Farrah Fawcett. Mas a maior parte da coleção vai muito mais longe no espectro da provocação, trazendo desde assustadoras bonecas sexuais que parecem vivas até uma coleção de quadrinhos, de fotos e de reproduções que não deixam qualquer espaço para a imaginação.

Por contraste, a um quarteirão apenas dali encontra-se um Museu da Lingerie aberto a visitantes de todas as idades, que fica logo atrás da loja Frederick's, na capitânia de Hollywood, e que apresenta nas suas vitrines as roupas de baixo de estrelas da cidade, as quais vão desde Natalie Wood até Shirley MacLaine. Entre os itens mais procurados está o sutiã preto com borlas adornando os seios que Madonna trajou durante a sua turnê "Who's that Girl", em 1987.

Os 1.829 metros quadrados do Museu Erótico são divididos em seções. No andar térreo encontra-se a coleção permanente que apresenta cenas de erotismo através da história. Alguns painéis descrevem as posições sexuais do Kama Sutra. Uma parede é dedicada a retratos dos heróis da liberação sexual, desde a espiã dublê de mulher fatal Mata Hari até Hugh Hefner, o fundador da "Playboy".

No andar de cima ficam as exposições temporárias. Elas se desenvolvem em torno de temas tais como "Sexo e Tecnologia", a qual apresenta os mais diversos objetos e artefatos do gênero, e "Sexo e a Musa", na qual é exibida a maior parte da coleção de arte - uma mistura confusa de desenhos, quadros e quadrinhos. Vêem-se nus jocosos pintados por David LaChapelle e desenhos eróticos gays do finado Tom, da Finlândia.

Eric Singley, 33 anos, um antigo webdesigner que é o curador da coleção, explica que ele optou por escolher itens que mostram "o sexo como uma atividade interessante, em vez do sexo como algo gratuito". Ele acrescenta que as exposições precisavam comportar elementos valiosos, e que elas não podiam se limitar a ser simplesmente excitantes.

No museu, não será permitida a entrada a menores de 18 anos. Mesmo assim, os responsáveis pelo projeto estavam muito preocupados em relação às reações que a coleção suscitaria, tanto que eles fizeram questão de informar os líderes de movimentos cívicos do que estava por vir.

"Nós ficamos paranóicos. Estávamos apavorados", conta Mark Volper, 56, que acrescenta que eles se sentiram logo aliviados. "Nós os procuramos e as reações foram todas positivas".

Bem, quase todas. "É certamente um assunto muito sensível e não surpreende que as opiniões estejam divididas", diz Leron Gubler, o presidente da Câmara de Comércio de Hollywood. "Muitas pessoas acham que um tal museu se tornará parte do ambiente de maneira natural, sobretudo pelo fato de que Hollywood sempre foi vista como uma cidade ousada", comenta. "Além do mais, nós estamos tentando criar um clima familiar na casa".

Com isso, Hollywood logo descobrirá se a atriz Betty White merece mesmo ter a sua estrela na Calçada da Fama e ainda, daqui para frente, um foto supostamente dela na qual posa nua, no Museu Erótico. Jean-Yves de Neufville

UOL Cursos Online

Todos os cursos