Jovens norte-americanos estão mais politizados e conservadores

Greg Toppo

Após um declínio de 35 anos, o interesse dos jovens pela política está em ascensão, segundo os resultados de uma ampla pesquisa feita com calouros de universidades dos Estados Unidos.

Segundo Linda Sax, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles e diretora da pesquisa anual "The American Freshman", o fenômeno pode ser atribuído à eleição presidencial polêmica de 2000 e aos ataques de 11 de setembro de 2001.

Segundo os resultados da pesquisa mais recente, divulgados na segunda-feira (26/01), 34% dos calouros das universidades norte-americanas, entrevistados no outono do ano passado, disseram que é importante acompanhar as questões políticas, o que mantém uma tendência que teve início após a recontagem dos votos na Flórida e os ataques terroristas de 11 de setembro.

Até então, o interesse pela política vinha caindo nos últimos 35 anos.

Sax afirma que foi a recontagem dos votos em 2000 que atraiu os estudantes. "O que os interessou não foram os políticos, e sim a contestação do processo eleitoral", explica.

Segundo Sax, os ataques de 11 de setembro ensinaram aos estudantes que assuntos que eram tidos como questões internacionais possuem um vínculo real com as suas vidas.

Mesmo assim, o engajamento político dos jovens modernos é insignificante, se comparado ao dos calouros de 1966, que foram os primeiros a ser entrevistados pela pesquisa. Naquele ano, 60% dos estudantes ouvidos disseram que acompanhar as questões políticas era "essencial ou muito importante".

Desde então, segundo as pesquisas, a orientação política dos estudantes também se deslocou para a direita. O número de estudantes liberais ainda é maior que o de conservadores, mas por uma margem muito pequena: os estudantes com postura liberal são 24%, contra 21% conservadores.

A porcentagem de liberais diminuiu drasticamente desde o seu apogeu de 38% em 1971. Já o percentual de estudantes conservadores, que chegou a apenas 14% após a segunda posse de Richard Nixon, em 1973, aumentou bastante, ficando pouco acima dos 20% desde 1981 e o primeiro mandato de Ronald Reagan. A seguir, como agora, o maior grupo passou a ser o daqueles que definem as suas posições como "no meio da estrada".

Política à parte, a pesquisa indica que a vida dos jovens mudou bastante desde a década de 60: uma proporção maior dos estudantes de hoje disse que freqüentou recentemente uma cerimônia religiosa na igreja - foram 80%, contra 69% nos anos 60. Mas uma quantidade maior disse não ter preferência religiosa.

A percentagem de estudantes que se concentram no "bem-estar financeiro" aumentou drasticamente, de 42% em 1966, para 74% em 2003, enquanto que aquela dos que disseram que é importante desenvolver "uma filosofia de vida significante" caiu em mais que a metade. Eram 86% em 1967, contra os 39% de hoje.

Na pesquisa de 2003, 45% dos estudantes disseram ter tomado cerveja no ano anterior, contra 69% em 1966. Somente 6% disseram ter fumado cigarros, contra 15% em 1966.

"É uma geração mais conservadora", diz Paul Houston, da Associação Americana dos Administradores de Escolas. "Eles simplesmente não fazem coisas que oferecem riscos à saúde".

Eles também estão tirando notas mais altas, aparentemente com menos esforço. Em 2003, 23% dos estudantes disseram que as suas notas médias no segundo grau eram A ou A+. Em 1966, apenas 7% dos estudantes tiraram tais notas.

Embora só a partir de meados da década de 80 tenham começado a existir estatísticas a respeito do tempo dedicado aos estudos, os estudantes de hoje parecem estudar menos que os seus predecessores. Em 1987, quando os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles fizeram pela primeira vez perguntas sobre hábitos de estudo, 47% dos calouros disseram que estudavam em média seis ou mais horas por semana durante o último ano do segundo grau. Esse grupo sofreu uma redução, estando agora em 34%.

Os resultados de 2003 são baseados em respostas escritas, colhidas de 276.449 estudantes de 413 universidades. Danilo Fonseca

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