Duas voltas no parque, motorista - e cobre no cartão, por favor

Martha T. Moore e Charisse Jones
EM NOVA YORK

As pessoas que pegarem um dos 12 mil táxis amarelos da cidade de Nova York poderão pagar a tarifa com cartão de crédito, segundo um plano anunciado na semana passada juntamente com um aumento de tarifas de 26%.

Em conseqüência, os táxis vão se unir aos supermercados, postos de gasolina, lojas de conveniência, máquinas de tíquetes de metrô e outros lugares onde as transações envolvem passar um cartão em vez de contar dinheiro.

Os órgãos reguladores dos táxis não esperam que grande número de viagens curtas seja pago com cartão de crédito, diz Iris Weinshall, comissária de transportes da cidade e membro da Comissão de Táxis e Limusines, que define as tarifas. A corrida média de táxi em Nova York subirá de US$ 6,60 (cerca de R$ 20,00) para US$ 8,30 (R$ 25,00) a partir da primeira semana de maio. "Mas se você fizer um percurso desde o Aeroporto Kennedy são US$ 45", diz Weinshall. "Não seria bom poder usar o cartão de crédito?"

Menos de 1% dos serviços de táxi e limusines dos Estados Unidos aceitam cartões de crédito, embora o número dessas transações esteja crescendo rapidamente, segundo a MasterCard International. No ano passado, os passageiros gastaram cerca de US$ 550 milhões usando cartões de crédito em táxis, diz David Robertson, editor do "The Nilson Report", um boletim da indústria de meios de pagamento. Atlanta, San Francisco, Baltimore e Washington estão entre as cidades onde as empresas de táxi e os motoristas aceitam cartões de crédito. Chicago está exigindo que todos os seus 7.900 táxis instalem máquinas de cartão de crédito até junho, e até agora cerca da metade já tem o equipamento.

"Todos os outros negócios aceitam cartão de crédito", diz Caroline Shoenberger, comissária do Departamento de Serviços ao Consumidor de Chicago, que regulamenta os táxis. "Existe um motivo. É uma maneira fácil de atender aos clientes que talvez não tenham dinheiro vivo, não queiram gastá-lo ou desejem um registro da despesa." Os motoristas também ganham gorjetas maiores com as tarifas pagas com cartão, diz Shoenberger.

Nova York espera ter máquinas de cartão de crédito em todos os táxis até novembro de 2005. Os donos de táxis terão de pagar cerca de US$ 1.500 para instalar uma máquina, um monitor que mostra a localização do táxi e um divisor de acrílico à prova de choque entre o assento dianteiro e o traseiro, tudo sob os termos do aumento da tarifa. O motorista, e não o passageiro, pagará a taxa de transação cobrada pelas companhias de cartão, diz Weinshall.

As tentativas de colocar outros dispositivos eletrônicos nos táxis de Nova York fracassaram. Um programa piloto para colocar TVs em táxis acabou porque os passageiros detestavam não poder desligar o monitor. Gravações em áudio para lembrar os passageiros de colocar o cinto de segurança, gravadas por celebridades como o diretor dos Yankees, Joe Torre, e Elmo the Muppet, faziam os passageiros, mesmo na barulhenta Nova York, suplicar para que se calassem.

"Todo mundo detestava Elmo", diz Weinshall. "Eles colocavam o Elmo, tiravam o Elmo."

As máquinas de cartão de crédito deverão ser uma conveniência. Mas há dúvidas sobre em que medida serão usadas. Em Nova York, onde todo mundo está sempre correndo, motoristas e passageiros talvez não queiram gastar segundos preciosos esperando pela aprovação do cartão.

"O ambiente em Nova York é extremamente apressado", diz Bruce Schaller, da Schaller Consulting, em Brooklyn, especializada em transportes urbanos e questões de táxis. No mês passado, Schaller estudou alguns táxis locais que já aceitam cartão de crédito e descobriu que a transação leva mais de dois minutos.

"Os motoristas manifestaram a preocupação de serem multados enquanto estão estacionados. Os motoristas têm pressa porque querem ganhar a próxima tarifa, e é claro que os passageiros têm pressa. O equipamento não precisa ser apenas confiável, o processamento deve ser rápido", ele diz.

O motorista de táxi Elzeftawy Aref, 53, de Queens, concorda que a maioria dos nova-iorquinos é apressada demais para usar cartão de crédito. "O negócio do táxi é: as pessoas percorrem dois quarteirões e descem", ele diz. "As pessoas se incomodam de usar cartão de crédito porque demora demais. A maioria não espera o recibo."

O banqueiro de investimentos John Coleman diz que alguns passageiros talvez aproveitem a nova maneira de pagar, mas duvida que ele faça isso. "Tenho certeza de que alguns nova-iorquinas vão usar, porque eu vou à mercearia e vejo pessoas com uma conta de US$ 3 pagarem com cartão", ele diz. "Sei que eu não vou usar. Meu objetivo quando pego um táxi é entrar e sair o mais rápido possível, sempre."

Schaller estima que os cartões de crédito e de débito serão usados em 5% a 15% de todas as viagens de táxis, a um custo de US$ 1,15 a US$ 2 por transação.

A cidade de Nova York também quer que os táxis instalem monitores mostrando aos passageiros a localização do carro. Saber a localização também ajudaria quando os passageiros procuram frotas de táxis em busca de objetos perdidos, como telefones celulares. Hoje, se você esquecer o telefone num táxi as chances de recuperá-lo são "quase zero", diz Weinshall.

As telas de localização poderão ter anúncios para cobrir os custos para os proprietários, diz ela. Mas poderão ser desligadas.

Grewal Manjit, 50, de Queens, que dirige um táxi há 18 anos, diz que a localização não é necessária para os passageiros. "Eles sabem qual é seu destino", diz. "Nem as TVs são uma boa idéia. Na minha opinião os táxis devem ser um lugar sem estresse." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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