Aprenda como conseguir um emprego milionário com Donald Trump

Del Jones e Bill Keveney

O público talvez deteste demissões, enxugamentos e transferência de empregos para a Índia, mas 30 milhões de americanos assistirão nesta quinta-feira (15/04) Donald Trump dizer "Você está despedido!", no episódio final do reality show da rede americana NBC "The Apprentice" (o aprendiz).

Esta será a 15ª demissão de Trump no programa. Mas ele também dirá, pela primeira vez, "Você está contratado", para um dos dois finalistas: o gerente de investimento de Nova York Kwame Jackson ou o empresário de Chicago Bill Rancic.

"Em geral, trabalhar é chato, mas hoje, de 21h às 23h, vamos para casa ver tudo exagerado", diz Marcus Buckingham, co-autor de "First, Break All the Rules: What the World's Greatest Managers Do Differently" (primeiro, quebre todas as regras: o que os maiores administradores do mundo fazem de forma diferente).

Então, o que aprendemos sobre a vida no programa? Aqui vão 10 possíveis lições:

  • Lição nº 1: Pessoas ricas fascinam os ricos e os jovens.

    Na televisão, não existe rico demais ou jovem demais. "The Apprentice" tem notas altas pelos dois. Em renda, a audiência está em primeiro lugar entre as séries do horário nobre. A renda média anual de seus telespectadores é de US$ 68.093 (cerca de R$ 206.790). O programa é o que tem a maior percentagem de jovens adultos com rendas de US$ 75.000 (aproximadamente R$ 225.000), junto com o "The West Wing", também da NBC. Esse dado deixa com água na boca os anunciantes que querem atingir públicos afluentes.

    A média da idade do público do "The Apprentice" é de 38,6 anos. Ou seja, sete anos a menos que a média da NBC. É o público mais jovem depois de "Average Joe" e "Fear Factor".

    As estatísticas do programa são boas. Está em sétimo lugar na audiência geral dos EUA nesta temporada, com 19,6 milhões de telespectadores. Em relação ao grupo mais cobiçado da propaganda, de 18 a 49 anos, está em primeiro lugar entre os programas novos e em terceiro lugar no geral.

  • Lição 2: Mark Burnett e Donald, juntos, são um sucesso.

    Trump e o produtor Burnett fizeram mágica. E pode ser duradoura. A NBC já aprovou mais dois ciclos do "Apprentice", que pode se tornar tão longo quanto o "Survivor" de Burnett, hoje em sua oitava temporada e sem mostrar sinais de decadência.

    "O próprio conceito parece ser intrigante e maduro para ser usado em diferentes avenidas. Não acredito que Trump seja despedido tão cedo", diz David Marans da agência de mídia MindShare.

    O programa começa com 16 candidatos, um número similar a sucessos como "Survivor", "American Idol" e "The Bachelor". É boa a estratégia do programa de envolver muitos concorrentes ao prêmio, diz Marans. Cinco ou seis provavelmente serão interessantes, e o programa não vai viver ou morrer com base em uma única personalidade.

    Como ficaria o programa se Trump partisse? Marans, referindo-se ao apreço de Trump pelos holofotes da mídia, não considera a questão relevante: "E ele vai querer sair da TV?"

    Trump é a principal fonte da popularidade do programa, diz Marans. As notícias dos problemas de seus cassinos não vão afetar seu público, porque os telespectadores são atraídos principalmente pela personalidade do magnata de Manhattan.

    "Se você colocasse o programa no ar com Bill Gates (da Microsoft), não daria certo", diz Marans.

  • Lição 3: "The Apprentice" é para os negócios o que Homer Simpson é para a família.

    Empresários e especialistas discutem, desde o primeiro dia, se o programa ensina qualquer coisa importante. Por exemplo, Marion Sandler, co-diretora da Golden West Financial, considerou-o tão distante da realidade que não conseguiu continuar assistindo.

    Muitos reclamam que "The Apprentice" é uma versão animada do mundo real. As campanhas de propaganda do programa são terminadas em um dia, e as demissões são feitas sem nem um telefonema para o departamento jurídico ou de recursos humanos.

    Donald Trump é um Mr. Dithers de hoje. Este era o chefe nos quadrinhos "Blondie", que freqüentemente demitia Dagwood sem falar com ninguém.

    Há uma legião de pessoas, inclusive alguns empresários, que encontram lições no "The Apprentice".

    Buckingham, que raramente perde um episódio, não consegue se lembrar de nada que tenha aprendido. Mas pensando com calma, diz que é possível que o resto do mundo possa aprender alguma coisa com a convicção americana de que os funcionários são responsáveis por seus erros.

    Tal responsabilidade é estranha para europeus, diz Buckingham, que é britânico. Ele duvida que o programa teria sucesso em qualquer outro lugar com o final "você está despedido". "No Reino Unido, eles fariam um postmortem sobre quem foi o jogador mais justo."

  • Lição 4: Traição e golpes existem em qualquer lugar.

    Apesar de "For the Love of Money" (pelo amor ao dinheiro) ser um tema excelente para a abertura do programa (com Trump entrando em seu jato), "Apprentice" também poderia ter usado outra canção de OJ: "Backstabbers" (traidores).

    Ereka Vetrini falando mal de Omarosa Manigault-Stallworth. Omarosa criticando Heidi Bressler. Todo mundo maltratando o pobre dorminhoco Sam Solovey. Os golpes são muito divertidos, desde que não sejam conosco.

    Em geral, os concorrentes foram estimulados a competir -é bom para o ibope. A melhor estratégia para não ser despedido era culpar outra pessoa. Em uma sessão reveladora, Kristi Frank fez um erro fatal. Ela assumiu a responsabilidade por suas ações.

  • Lição 5: Traição e golpes são divertidos.

    Muitas empresas favorecem um ambiente amigável, mas "Apprentice" atraiu os telespectadores optando por tubarões.

    A sabotagem conquista tempo de televisão. Deliberadamente ou não, Omarosa, que voltou na semana passada com outros competidores, ganhou a cena com sua desatenção à tarefa de fazer arranjos de viagem, um erro que poderia aumentar as chances do finalista Kwame de ganhar o emprego de US$ 250.000 anuais (em torno de R$ 750.000) com Trump.

    Se os golpes por trás são divertidos, os pela frente entretêm. Um ponto alto foi quando Omarosa (de novo!) disse a Trump que Heidi não tinha classe, e Heidi, ofendida, estava a apenas duas cadeiras de distância.

  • Lição 6: No fim, os vencedores não são os traidores.

    O programa pode nos fazer pensar que é melhor ser um cretino do que ser feito de tolo. Mas observe os dois finalistas, diz Paul Argenti, professor da Faculdade de Administração Tuck de Dartmouth. Trump ficou com pessoas bem educadas, conscientes, trabalhadoras, que menos se dedicaram às enganações. Omarosa e Heidi se foram.

    O programa tem duas mensagens. Uma, declarada, é de traição, apresentada em cada episódio. A mais sutil, que aparece mais tarde, é que a traição pode ser um desvio e levar à derrota: "Você não vai longe golpeando pelas costas", diz Argenti. Esse é o conselho que dá aos seus alunos.

  • Lição 7: Balance, mas não quebre.

    Ou, como diz Trump, use os dons que Deus lhe deu; seja atraente, seja sensual -até certo ponto. No início, Trump não objetou às mulheres flertando ou bebendo com os clientes, para que a conta do bar fosse mais alta. A equipe masculina perdeu as primeiras quatro tarefas, e a lição parecia ser de contratar mulheres.

    Quando as equipes se misturaram, o fator sensualidade sofreu, mas ainda havia brigas e competição, o que fez o público permanecer ligado.

    O apelo sexual teve seus limites. A assessora de Trump, Carolyn Kepcher, finalmente criticou as mulheres por suas táticas e, então, Trump demitiu sete mulheres em seguida. A última, Amy Henry, foi demitida na semana passada.

    Ainda assim, os finalistas são tão bonitos que poderiam estar na capa da GQ. Isso corrobora a recente pesquisa de Marcus Mobius e Tanya Rosenblat, de Harvard e Welseyan, que revelou que funcionários fisicamente atraentes levam vantagem. São mais confiantes e têm melhores habilidades de comunicação e sociais. Se isso não fosse o suficiente, são erroneamente considerados mais capazes por seus patrões.

  • Lição 8: Vencer não é tudo.

    Quem vencerá será Kwame ou Bill, mas qual dos candidatos será lembrado? Omarosa, que poderia ser apresentadora de um "Apprentice" para divas. Falando mal de seus competidores, exagerando alguma ofensa ou deliberadamente (ou acidentalmente) sabotando o finalista Kwame, foi grande o suficiente para usar apenas um nome. (Se Trump lhe desse uma empresa para administrar, talvez a arruinasse, mas valeria o programa).

  • Lição 9: Mamãe estava certa.

    Nem todo mundo tem a beleza de um modelo, mas uma lição fundamental de "The Apprentice" é que os velhos e chatos conselhos dos pais são importantes, diz Argenti. Para progredir, faça uma boa escola. Reforce sua habilidade em entrevistas. Cuide da apresentação, que compensa genes ruins. E trabalhe duro.

    Troy McCain, de Boise, Idaho, era um concorrente popular, que foi longe com sua personalidade. Era promissor, embora não tivesse diploma de terceiro grau. Mas quando empatou com Kwame, Trump optou pelo candidato com um MBA de Harvard.

    É quase certo que Kwame vai ganhar, diz Argenti. Os concorrentes controversos e interessantes, como Omarosa e Sam, trouxeram telespectadores. Mas eles se foram. Esforço disciplinado e constante é a essência de Kwame e Bill e o que os levou às finais.

  • Lição 10: Lee Iacocca quem?

    Há uma antiga discussão sobre a celebridade de grandes diretores milionários. Apesar de ganharem como estrelas, não são reconhecidos nas ruas como atletas ou atores, com exceção talvez de Trump e Gates.

    O sucesso de Trump fez outros empresários de renome entenderem que a verdadeira fama pode estar ao seu alcance. O proprietário do Dallas Mavericks, Mark Cuban, e o fundador da Virgin Airlines, Richard Branson, são os primeiros tentar copiar com programas de realidade na ABC e na Fox.

  • Lição extra: Os sem-graça são mais competentes.

    Isso não ficou óbvio em "The Apprentice". Durante a série, entretanto, houve inúmeros artigos sobre as dificuldades financeiras de Trump. As pesquisas do livro "Good to Great" (do bom ao ótimo) revelaram que as empresas com melhor desempenho são chefiadas por diretores que preferem o anonimato.

    Então, ligue sua televisão na NBC. Mas invista o dinheiro de sua aposentadoria em empresas dirigidas por pessoas comuns e sem graça. Deborah Weinberg
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