Guerras culturais entre vermelhos e azuis estão de volta nos EUA

Chuck Raasch
Em Washington

Depois do final amargo da eleição presidencial de 2000, exércitos de cientistas políticos, demógrafos, jornalistas e cientistas sociais encontraram tantas formas de dividir o país em vermelho (para George W. Bush) e azul (para Al Gore) que parecia que os EUA tinham entrado em um estado de perpétua desunião.

O dia 11 de setembro de 2001 mudou isso -por um tempo.

Vermelhos e azuis uniram-se em uma reação de choque, tristeza e raiva. Um dos ataques terroristas atingiu um Estado solidamente azul (Nova York, na época lar das torres gêmeas); outro, um Estado solidamente vermelho (Virgínia, sede do Pentágono). E os heróis do vôo 93 derrubaram o avião na Pensilvânia, um Estado constantemente indeciso entre azul e vermelho, embora tenda para o azul. Por alguns meses após 11 de setembro, o velho mapa azul e vermelho parecia coisa do passado.

Entretanto, ele voltou -mais determinado que nunca. Os campos de batalha dos Estados divididos de 2000 voltaram a ser o foco de campanhas de propaganda sem precedentes e organizações que vão tentar ressaltar as diferenças partidárias daqui até novembro.

Além disso, as guerras culturais estão se intensificando, bem em tempo para as eleições presidenciais de 2004 entre o presidente Bush e o senador John Kerry, de Massachusetts. Em retrospectiva, com a guerra, a paz e a segurança nacional em jogo, a questão de 1992 sobre mães solteiras, discutida entre a personagem fictícia Murphy Brown e o vice-presidente Dan Quayle, parece bastante trivial.

Hoje em dia, pode-se supor muito sobre suas opiniões pelo que você vê e ouve. Simplificando, a cisão cultural pode ser definida como Nashville contra Hollywood.

Um artigo de primeira página do New York Times, recentemente, contava como produtores, roteiristas e atores liberais de Hollywood estavam inserindo falas e imagens contra Bush em seus programas de televisão. Programas como "Whoopi" (Goldberg) e "Law & Order" culparam Bush por estragar a economia (apesar de uma série de boas novas recentes) e enganar o país, levando-o a uma guerra cada vez mais mortífera e complexa no Iraque. Como salientou o Times, Kerry tirou vantagem dessa veia hollywoodiana, angariando US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 7,5 milhões) em um evento recente em Beverly Hills.

Mas em qualquer estação de rádio do interior do país, hoje em dia, ouve-se uma história diferente. "Have You Forgotten" (você se esqueceu?) de Darryl Worley, uma canção sobre vingança por 11 de setembro, ficou sete semanas em primeiro lugar no placar de músicas country da Billboard, no ano passado, e ainda é muito tocada em muitas rádios. As Dixie Chiks sofreram uma queda temporária, quando a vocalista do grupo disse coisas pouco gentis sobre Bush durante um concerto no Reino Unido.

Worley apresentou-se quando Bush visitou a 101ª Divisão Aerotransportada, em Fort Campbell, Kentucky, no mês passado. Segundo a mídia, as pessoas gritaram e acenaram com a bandeira quando Worley cantou o refrão: "Alguns dizem que este país só está procurando briga. Depois de 11 de setembro, eu diria que é verdade."

Atualmente, dois singles country dos 10 primeiros da Billboard homenageiam as tropas americanas ("Letters from Home", de John Michael Montgomery e "American Soldier" de Toby Keith). As canções provam um aspecto que certamente é diferente entre as guerras do Iraque e do Vietnã: os veteranos de então foram recebidos por um país indiferente, às vezes hostil, o que não parece acontecer com os soldados voltando do Iraque.

O músico country Worley e o apresentador de rádio Al Franken, crítico aberto de Bush e da guerra no Iraque, estão em lados opostos nas guerras culturais e políticas. Estiveram juntos, entretanto, durante uma turnê no Iraque no último Natal e disseram aos entrevistadores que ficaram amigos depois da experiência na companhia de soldados.

Honrar o sacrifício dos soldados é uma coisa que todo mundo pode compartilhar hoje em dia, tendo ou não um amigo, parente ou esposo no Iraque, concordando ou não com a guerra, considerando Bush um líder forte ou um irresponsável. Americanos atribuem a cor vermelha aos republicanos e azul aos democratas Deborah Weinberg

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