Democratas e republicanos prometem saturar Estados indecisos

Chuck Raasch
Em Washington

Duane Pichelman está percebendo o que poderá ser uma grande discussão até o outono. O professor aposentado de música de 73 anos de Urbandale, Iowa, viu o candidato presidencial John Kerry de perto e diz que planeja votar nele no dia 2 de novembro. No entanto, as propagandas de Bush, dizendo que Kerry vai aumentar os impostos, talvez tragam dúvidas a Pichelman.

Muito esforço será despendido tentando fazer com que Pichelman reconsidere seu voto entre hoje e o dia das eleições. Pichelman e outros residentes de 17 Estados indefinidos. Estes Estados, de acordo com avaliações dos dois partidos, têm eleitores que podem mudar de voto até o dia das eleições. Eles já estão vivenciando uma enxurrada de anúncios de televisão, campanhas e visitas de candidatos.

Bush e Kerry estão levantando quantias recordes de fundos e dedicando-os à batalha nesses Estados. Além disso, grupos políticos experientes, que surgiram como resultado das novas leis de financiamento de campanhas, começaram a fazer propaganda nos 17 Estados.

Bush visitou Iowa 10 vezes como presidente, e os moradores do Estado acham que ainda vão receber mais atenção. "Não estamos saturados -ainda", disse Pichelman, que recebeu uma medalha Purple Heart por seu serviço na Coréia.

A enxurrada de anúncios de televisão, eventos de levantamento de fundos e comícios para as eleições de 2004 pode ser quase inaudível em muitos Estados, como Califórnia, Texas e Nova York.

A razão é simples: para vencer a eleição presidencial não é preciso conquistar o maior número de votos populares, como provou Bush contra Al Gore, em 2000. O que o vencedor precisa ter é a maioria do Colégio Eleitoral.

O sistema constitucional confere aos Estados um número de votos no Colégio Eleitoral com base no tamanho de sua população. Para se conquistar a presidência, é preciso ter 270 votos eleitorais. Para isso, o tamanho Estado não importa, especialmente em uma nação tão polarizada quanto os EUA atualmente.

Os sete votos eleitorais de Iowa são mais disputados do que os 55 da Califórnia ou os 34 do Texas. Kerry é um claro favorito na Califórnia, um Estado caro para se fazer campanha por causa de seu tamanho e do custo da propaganda na televisão. Bush é sólido favorito no Texas, onde duas vezes foi eleito governador. Não faria sentido Kerry ou Bush dedicarem muito tempo ou energia tentando vencer nesses territórios desfavoráveis, especialmente neste momento ainda distante das eleições.

Mas Iowa, que Gore venceu por apenas 4.144 votos em 2000, novamente é considerado um Estado indeciso. Por isso deverá receber muita atenção de Bush e Kerry até o dia da eleição.

Os 17 Estados considerados determinantes neste ano estavam entre os mais disputados em 2000, uma das eleições mais divididas na história americana. Por fim, a disputa foi decidida por 5 votos a 4, em uma batalha legal na Suprema Corte em relação à contagem de votos da Flórida.

Além de Iowa, os outros Estados indecisos e seus votos eleitorais são: Arizona (10), Arkansas (6), Flórida (27), Maine (4), Michigan (17), Minnesota (10), Missouri (11), Nevada (5), New Hampshire (4), Novo México (5), Ohio (20), Oregon (7), Pensilvânia (21), Washington (11), Virgínia Ocidental (5) e Wisconsin (10).

Os assessores de Bush acham que outros Estados podem entrar no jogo, como Nova Jersey e Delaware, que votaram em Gore em 2000. Os Democratas acham que Kerry pode se tornar competitivo em três Estados que Bush venceu em 2000: Colorado, Louisiana e Carolina do Norte. Por outro lado, alguns Estados hoje considerados "indecisos" podem sair da lista. Por exemplo, os Republicanos acham que Arkansas pode estar firme ao seu lado, até o outono.

Diferentes razões podem levar os Estados a se tornar campos de batalha. Nevada está na lista em parte porque a chegada de novos residentes de outros Estados dificulta uma previsão.

Wisconsin parece estar em constante conflito entre seu histórico progressista e o conservadorismo.

New Hamsphire já foi firmemente Republicano, mas migrações de Massachusetts mudaram dramaticamente sua postura política desde os anos 80.

Novo México e Arizona são campos de batalha por causa da rápida expansão do voto hispânico, mas os subúrbios de Phoenix também tornam o Arizona importante alvo das campanhas destinadas a um eleitorado chave de 2004: mulheres suburbanas.

A Flórida deve continuar dividida, por causa da chegada constante de idosos e por causa do resultado disputado de 2000, que ainda causa revolta a muitos Democratas.

"Na primavera de 2000, não ficou claro porque houve tamanha ambigüidade ou por que a eleição foi tão disputada. Desta vez, está muito mais claro. Há mais polarização no Estado do que havia na época", disse Richard Scher, cientista político da Universidade da Flórida.

O desafio de conquistar votos não é igual nos diferentes Estados indecisos. Na Flórida e em Nevada, o foco está em identificar e atrair novos eleitores às urnas. Em Iowa, que tem uma população mais estável e participativa, o foco está em agradar os eleitores que vêm se inscrevendo para votar e talvez tenham conhecido os candidatos pessoalmente.

As pesquisas de opinião dizem que uma percentagem extraordinariamente alta de pessoas já escolheu seu candidato, deixando a decisão da eleição para uma margem menor de eleitores nos Estados onde tanto Kerry quanto Bush acham que têm chance de ganhar. O principal estrategista de Bush, Matthew Dowd, estima que cerca de 8 a 10% das pessoas que vão votar ainda não se decidiram ou podem mudar de idéia.

O país, no todo, não poderia estar mais dividido. Como observa o analista político Charlie Cook, o instituto Gallup conduziu quase 40.000 entrevistas no ano passado e concluiu que 45,5% dos americanos consideravam-se Republicanos e 45,2%, Democratas. No final de 2003, de acordo com Cook, as assembléias legislativas dos 50 Estados tinham, coletivamente, 3.688 Republicanos e 3.627 Democratas. Os menores poderão decidir quem será o próximo presidente americano Deborah Weinberg

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