Brad Pitt testa seu poder de sedução na superprodução "Tróia"

Olívia Baker
Em Nova York

Divulgação/Warner

Astro ganhou 5 kg de músculos para interpretar o herói grego Aquiles

Mesmo alguém como Brad Pitt tem seus pontos fracos. Ele -o homem de US$ 20 milhões (cerca de R$ 60 milhões) por filme- forma com Jennifer Aniston, a Rachel do seriado "Friends", o casal de platina, o mais badalado de Hollywood.

Tem, por exemplo, o tendão em seu calcanhar que passou a doer, depois de meses correndo nas areias de México e Malta, durante a filmagem de "Troy" (Tróia). O nome do tendão originou-se do herói que ele encarna no épico em celulóide sobre a guerra de Tróia, Aquiles. "Ironia estúpida", resmunga Pitt. A julgar por seu passo forte, está curado.

Ele e seu personagem guerreiro grego têm outro ponto vulnerável em comum -o coração (afinal, foi o amor, tanto quanto uma flecha no calcanhar, que por fim derrubou Aquiles). No que se refere à intimidade e à emoção, "quanto mais você se expõe e se abre, mais arrisca se machucar", diz Pitt.

"Isso provavelmente é verdade para a maior parte das pessoas". Seu casamento de quase quatro anos com Jennifer parece sólido, e os dois estão tentando ter filhos.

Mas há um outro ponto em que Pitt está vulnerável atualmente. Alguns dizem que o status de ídolo das matinês de Pitt está sendo testado com "Troy", que estréia no dia 14 de maio.

Não é apenas o maior filme de Pitt "de orçamento, amplitude e escala", diz ele, mas também de Hollywood, na companhia de "Titanic". O longa metragem está orçado em US$ 200 milhões (cerca de R$ 600 milhões) e, para Pitt, pode-se dizer que está carregado de expectativas titânicas.

Pitt, 40, não estrelou um filme de mais de US$ 100 milhões (R$ 300 milhões) em quase uma década, desde o excelente "Seven - Os Sete Crimes Capitais", de 1995 ("Onze Homens e Um Segredo", de 2001, foi mais um trabalho de grupo). Apesar de "Troy" ter um elenco de estrelas, incluindo Orlando Bloom e Peter O'Toole, Pitt carrega o peso do épico em seus ombros musculosos e bronzeados.

Desde que mostrou seu definido abdome nu, em 1991, em "Thelma e Louise", Pitt vem se revezando, com sucesso, entre roteiros mais arriscados, como "Os Doze Macacos" e comerciais, como "Onze Homens e Um Segredo".

Em "Troy", Aquiles precisa tomar uma decisão: lutar pelos gregos, para recuperar Helena e sua honra, ou ficar em casa e criar a família -em outras palavras, atingir a glória eterna e a morte quase certa, ou acomodar-se no anonimato.

O efeito de "Troy" na carreira de Pitt ainda é incerto.

"Não acho que seria errado dizer que há um investimento razoável nesse filme. E ele é sua principal atração", diz o crítico de cinema Leonard Maltin, apresentador do programa de televisão "Hot Ticket". "Acredito, porém, que ele tem muito a ganhar, porque é a primeira vez que vamos vê-lo nesse tipo de papel heróico". E os executivos da Warner Bros? "Acho que estão apostando no cavalo certo."

Pitt, entretanto, é positivamente blasé sobre a pressão. O processo de filmagem "parece igual, para mim", seja em um filme meio artístico como "Clube da Luta" ou em um aspirante a grande sucesso como "Troy".

"Você coloca tudo que tem. Alguns funcionam, alguns não. Acho que este é realmente forte", diz o ator, em uma suíte de hotel em Nova York.

Fisicamente, Pitt preparou-se para o papel com um ano de treinamento intensivo. "Os primeiros três meses foram desanimadores e nada divertidos". Sua preparação incluía duas ou três horas na academia de ginástica, duas horas de treino com a espada e quatro refeições por dia de muita proteína e pouco carboidrato. Como resultado, ele ganhou quase 5 kg de músculos. "Foi massacrante", diz Pitt.

Ele parou de fumar e cortou o consumo de cerveja e batata frita, apesar de se permitir um agrado: milk shake McFlurry, do McDonald's. "Era mais para matar saudades de casa, você sabe, um pouco de cultura americana".

Pitt tenta evitar a ênfase em seu esforço físico. A transformação no antigo guerreiro arrogante e distante também envolveu um componente mental. Pitt, entre outras pesquisas, mergulhou na "Ilíada", pela primeira vez. (Ele brinca que teve que fazer isso porque os jornalistas iam lhe questionar sobre o livro). "Fiquei surpreso. Não foi chato como uma obrigação. Realmente gostei. Há uma razão para ser o que é".

O diretor, Wolfgang Petersen (o mesmo de "Mar em Fúria" e "Força Aérea Um"), ressalta que era "extremamente importante" que Pitt estivesse em forma. "Não dá para ter Aquiles com barriga de chope. Não funciona. Ele precisa lutar como um artista, mas deve se parecer com um deus".

O esforço trouxe outras vantagens, digamos, mais íntimas. Will Smith observou essa vantagem quando se exercitou para fazer o papel de Muhammad Ali, no filme "Ali", de 2001: "Minha mulher está adorando". Pitt dá um grande sorriso. "Vou ter que concordar com Will. Há certas vantagens ao trabalho duro. Tem uma compensação".

Entretanto, no dia do encerramento de "Troy", Pitt flexibilizou sua disciplina. "Movido à cafeína" e comendo chocolates, ele coça as mãos e puxa a orelha, parecendo mais "Onze Homens e Um Segredo" do que "Troy"; está de calças largas e camisa listrada, cinza e branca, levemente desabotoada, revelando uma corrente de prata.

Com pizza e hambúrgueres voltando à sua dieta, Pitt está tomando só duas cervejas e não seis como antes. Ele raspou os cachos dourados de Aquiles, que iam até os ombros. "Estava cansado de cabelo. Eu ficava me batendo no rosto com ele".

"Aquiles era um nome pesado. Fazer um papel como esse, para qualquer ator, deve ser um pouco intimidador. Muita gente está analisando seu trabalho, e ele o fez muito bem", diz Petersen. "Muitas pessoas se surpreendem de ver Brad fazendo um papel como esse. Mas, para mim, é natural." Em seu trabalho como o irlandês Mickey O'Neil em "Snatch - Porcos e Diamantes" e o rebelde nihilista Tyler Durden, em "Clube da Luta", "já havia indicações de que tinha um lado negro como ator".

O diretor dos ótimos "Clube da Luta" e "Seven", David Fincher, ajudou a reformular a imagem de Pitt como um garotão forte do Missouri (apesar de haver fotos suficientes em "Troy" para se fazer um calendário de Pitt como símbolo sexual).

Fincher gosta da ironia de um Tyler subversivo e um atormentado Aquiles "serem estrelados pelo rapaz predileto da capa da People". Pitt e Aniston constaram da lista das 50 pessoas mais bonitas do mundo pela People quatro vezes, inclusive neste ano.

"É de se admirar quando um ator escolhe papéis diferentes de sua personalidade", diz Fincher. Pitt é um "sujeito extremamente educado, mas não faz personagens educados".

Muitos repetem o elogio. Simon Kinberg, escritor e co-produtor de "Mr. and Mrs. Smith", em que Pitt trabalha, diz: "É uma das pessoas que conheci que mais tem os pés no chão". Pitt oferece ao visitante várias vezes algo para beber, chocolate e até serviço de quarto.

"Ele poderia ser a maior prima-dona de todas, mas não é", diz Petersen. "Não acho que nasceu uma celebridade. Isso é o que ele é, mas não sei se é o que quer ser".

A postura de estrela acidental é parte de seu charme, diz Maltin. "Você ouve falar muito sobre ele, mas ele mesmo quase não diz nada", diz Maltin. "E isso cria um grande mistério". O holofote sobre Pitt é tão forte que até mesmo seu célebre colega em "Onze Homens e Um Segredo", George Clooney, fica em sua sombra.

Os fãs "pisam em cima de você para chegar nele", diz Clooney, que conta sobre a estréia de "Onze Homens e Um Segredo" na Turquia: "Entrei primeiro e todo mundo começou a gritar 'George!' Eu disse: 'Vejam, Brad Pitt!'" A multidão virou-se e avançou para seu amigo. "Naquela altura, eu era seu guarda-costas", disse Clooney.

Clooney só implica com uma coisa, a altura de Pitt: "Ele é alto. Tem 1,85m. É irritante". Com 1,80m, diz Clooney, "pareço um baixinho". Além disso, tem o maxilar forte, a aparência de soldado ou de salva-vidas e os olhos, sim, azuis como o Mar Egeu.

"Ele é um pouco feio", diz Clooney, com cara-de-pau. Pitt é poucos anos mais jovem que Clooney. Ele "parece ter dez anos a menos que eu. É uma espécie de aberração genética", brinca Clooney.

Pitt está tentando transmitir alguns desses bons genes, não só os físicos. "Sinto que sei o suficiente hoje para ser responsável e guiar alguém, em vez de, você sabe, deixar a pessoa maluca", diz ele.

Ele acredita que sua agenda, apesar de lotada, com "Mr. And Mrs. Smith" e "Doze Homens e Um Segredo", depois de dois anos relativamente calmos, não interferirá com a paternidade.

Sobre Aniston, que agora terminou a longa série da NBC "Friends", ele diz: "Temos nosso tempo juntos. Realmente criamos tempo para nós". Com "Friends" se aproximando do episódio final de quinta-feira (06/05), Aniston fechou contratos para estrelar em vários filmes, inclusive uma refilmagem da comédia britânica "Como Possuir Lissu",de 1966.

Além de fazer bebês, o casal está produzindo filmes com sua empresa, Plan B. Mas não espere vê-los atuando juntos. "Olhando para os casais que trabalharam em filmes juntos, as chances são realmente contra nós, entende?"

Bem, ele não quis dizer "Contato de Risco", o fracasso que marcou a separação do ex-par de platina de Hollywood, Ben Affleck e Jennifer Lopez. "Na verdade, gostei de 'Contato de Risco'. Acho que a crítica foi injusta. Foi mais uma resposta à saturação da mídia. Affleck fez coisas realmente ótimas naquele filme."

Pitt parece não se afetar com as notícias de tablóides e revistas de celebridades, que perseguem o casal sem descanso.

"Isso é o que temos, por entrar em cena", diz ele. "Passei os primeiros anos combatendo esse tipo de coisa. Mas toma tanto tempo da sua vida, que você quase a perde. E raramente (as fofocas) têm qualquer base na realidade."

Como, por exemplo, o boato que ele não quis usar sandálias em "Troy" por medo de expor outro de seus pontos vulneráveis, seus pés ossudos.

Mas Pitt, que no filme usa botas até o joelho, explica: "Eu queria um sapato para poder lutar de fato". Filme orçado em US$ 200 milhões tem estréia mundial no dia 14 de maio Deborah Weinberg

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