Aprovação a Bush atinge nível mais baixo de seu mandato

Jill Lawrence
Em Washington

O índice de aprovação do presidente Bush caiu ao nível mais baixo já registrado no seu mandato, segundo uma pesquisa de opinião realizada após uma semana de revelações de abusos cometidos contra prisioneiros iraquianos e de questionamentos quanto à manutenção de Donald Rumsfeld no cargo de secretário da Defesa.

A pesquisa USA TODAY/CNN/Gallup, divulgada nesta segunda-feira (10/05),
revelou que 46% dos norte-americanos aprovam o desempenho de Bush na presidência. Esse número é três pontos percentuais menor do que os 49% de aprovação obtidos pelo presidente em janeiro último, no início de março e na semana passada. A maioria dos entrevistados desaprovou a forma como Bush tem conduzido a questão do Iraque e a economia.

Para ter uma idéia da intensidade da queda deste índice, basta comparar o atual número com o de pesquisas posteriores aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Logo após o ataque às torres gêmeas de Nova York, o apoio popular ao presidente americano bateu nos 90%.

O declínio de Bush não se traduziu em novo apoio ao senador John Kerry, de Massachusetts, que deve ser o candidato à presidência pelo Partido Democrata. Em uma disputa hipotética entre os eleitores registrados, Kerry caiu dois pontos percentuais desde a semana passada - de 49% para 47% - e permaneceu praticamente empatado com Bush, que ficou firme no patamar de 48%.

Nos 16 Estados onde a disputa foi acirrada em 2000, a nova pesquisa demonstra que Bush tem uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Kerry, de 51% a 46%, entre os eleitores registrados. Em meados de abril, Bush e Kerry estavam empatados nesses Estados com 49% cada um. Os 16 Estados são Arkansas, Flórida, Iowa, Maine, Michigan, Minnesota, Missouri, Nevada, New Hampshire, Novo México, Ohio, Oregon, Pennsylvania, Tennessee, Washington e Wisconsin.

Kerry está investindo US$ 25 milhões em uma propaganda de campanha sobre a sua vida e as suas realizações. Até certo ponto, os eventos ocorridos no Iraque suplantaram as tentativas dos candidatos de moldar as percepções dos eleitores. Espera-se que haja pouca mudança nos números revelados pelas pesquisas até as convenções e os debates, que farão com que a atenção do eleitor se volte para a disputa à presidência.

Bill McInturff, um especialista em pesquisas republicano, diz que o resultado divulgado nesta semana e a sua própria pesquisa sugerem que Kerry está experimentando "um certo impacto cumulativo" devido às propagandas de Bush, que pintam o candidato democrata como um indivíduo instável, em quem não se pode confiar.

Já o especialista da campanha de Kerry, Mark Mellman, afirma que a pesquisa demonstra que Kerry está ganhando terreno entre os eleitores que ainda não se registraram, um grupo que é maior do que o dos eleitores já registrados. Kerry passou de 47% para 50% em uma semana; Bush caiu de 47% para 44%. Mellman diz que isso sugere que a propaganda eleitoral de Kerry e os eventos no Iraque estão causando um impacto negativo sobre Bush. Ele diz ainda que o único presidente que ficou "tão para trás" a essa altura de um ano eleitoral foi Gerald Ford, que perdeu a eleição.

McInturff retruca que Bush mantém um índice de aprovação de 46% após seis semanas muito difíceis no Iraque. "Isso significa que estamos em um patamar sustentável para conseguir a reeleição", afirma. Pesquisa revela que 46% dos americanos endossam governo; o apoio já foi de 90% Danilo Fonseca

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