Soul ou pop - quem vai ser o próximo 'American Idol'?

Bill Keveney

Em um lado do ringue: Fantasia Barrino, mãe solteira, com uma voz cheia e rouca, treinada no gospel. No outro: Diana DeGarmo, a alegre estudante de voz poderosa como uma grande cantora. As duas são adolescentes do Sul, desconhecidas do público americano há apenas quatro meses, prontas para enfrentar a rede de televisão nacional e uma audiência que pode chegar a 30 milhões de pessoas. Uma das duas será a próxima "American Idol" (ídolo americano).

"American Idol" vai ao ar na TV dos EUA às terças e quartas-feiras. Ambas as edições estão entre o cinco programas mais vistos do país. No Brasil, "American Idol" passa às 20h dos domingos, no canal pago Sony.

Barrino, 19, e DeGarmo, 16, vão subir ao palco do Kodak Theatre, em Hollywood, na terça-feira (25/05) à noite para a final da terceira temporada de "Idol". Os telespectadores vão votar em um ídolo, que será coroado no programa final de duas horas, na quarta-feira (26).

Esta semana, provavelmente, o programa terá um salto de 20% na audiência. Apesar de o índice ter subido significativamente em relação à última temporada, a final deve ficar bem aquém dos 38 milhões que assistiram à última disputa incendiada entre Clay e Ruben, diz Stacey Lynn Koerner, da firma Initiative.

Para as cantoras, entretanto, esta é a sua temporada, e estão encantadas de ter seu momento Kodak. "Para mim, vai ser bombástico", disse Barrino momentos depois do programa de quarta-feira, secando lágrimas de alegria. "Provavelmente, não vou parar de rir. Mesmo se não vencer, não importa. Cheguei à final da competição entre 70.000 pessoas. Estou aqui."

Ao se concentrarem na final, o furacão em suas vidas que foi o programa -desde as primeiras seleções do ano passado- tornou-se uma vaga lembrança. "Na próxima semana, meu objetivo é aprender as canções e descansar minha voz, porque tenho trabalhado muito minha pobre voz nas últimas... meu Deus! Espera... foram quantas semanas? Dez semanas. Nossa. Dez semanas", disse DeGarmo, em seu vestiário apertado.

Por chegarem à final, as duas acham que conseguirão um contrato com uma gravadora. A história está a seu favor. O segundo lugar do ano passado, Clay Aiken faz sucesso e está sendo gravado. E a cantora que ficou em quarto lugar do primeiro "Idol", Tamyra Gray, lancará seu primeiro CD hoje (25).

Mas antes, é preciso escolher um ídolo. Nem os especialistas não estão seguros sobre esta disputa. Apesar de Barrino ser considerada melhor pelos juizes de "Idol" e críticos de música, DeGarmo tem muitos torcedores, especialmente entre os jovens telespectadores, mais propensos a votar várias vezes.

Além disso, as eliminações foram totalmente imprevisíveis neste ano, parecendo mais um concurso de popularidade do que uma competição de talentos. A exclusão logo cedo de favoritos alimentou controvérsias e reclamações sobre o processo de votação.

"Talvez seja uma disputa próxima demais para se dar um palpite. Apesar de a maior parte dos críticos acharem que Fantasia é melhor cantora e intérprete, preocupa o fato dela ter ficado entre os três últimos várias vezes", nas eliminações semanais, disse Carla Hay, da revista Billboard.

Profissionais da música, entretanto, dizem que não deveria haver disputa. "Achei que Fantasia era claramente a vencedora desde o início. Ela pega a emoção da música. Ela tem excelentes frases de R&B. E tem mais carisma. Definitivamente, ela tem algo mais. Diana tem uma voz muito forte, mas Fantasia claramente está vários passos na sua frente", diz o cantor e compositor Neil Sedaka, juiz convidado da última temporada.

Os telespectadores verão um contraste entre as duas cantoras, ambas votadas para a final na primeira rodada de semifinais em março.

DeGarmo, que se apresenta desde os cinco anos, se encaixa bem no molde pop, com anos de experiência em apresentações em público e shows de talentos. Alguns comparam-na à Celine Dion e Christina Aguilera.

Barrino tem um estilo mais idiossincrático, incubado na tradição gospel da igreja negra do Sul, apimentado com elementos que lembram Macy Gray ou até Aretha Franklin.

Jason Rich, que conviveu com os participantes durante esta temporada, trabalhando em um livro, "American Idol Season 3 -All Access" (American Idol, terceira temporada -acesso total), diz que as finalistas são o que deixam transparecer no palco. Ele traça paralelos de DeGarmo com Britney Spears, sem o elemento sexualizado. Barrino lembra-lhe um pouco da jovem Tina Turner.

Musicalmente, "elas nunca vão ter que competir pelo mesmo tipo de álbum", diz Rich, cujo livro será lançado no início de junho.

O som único e estilo confiante ao extremo de Barrino lhes dão o potencial para uma brilhante carreira musical, dizem os especialistas, mas podem lhe custar votos. "Ser confiante e ousada durante uma apresentação pode ser estimulante, mas não cai bem nas entrevistas ou quando responde aos juizes", diz John Brown, 30, de Atlanta, que votará em Barrino, mas acha que DeGarmo vencerá.

Barrino ganha a simpatia dos que gostam de cantores "genuínos", como ela diz, mas desagrada algumas pessoas. Alguns dizem que uma mãe solteira adolescente não é um exemplo apropriado. "Não posso acreditar que um ídolo americano seja uma mãe solteira de 19 anos", diz Lisa Wadin, 33, de Briston, Wisconsin, que torceu por John Stevens.

Barrino diz que dá um bom exemplo e que "Idol" vai criar oportunidades para ajudar sua filha de dois anos, Zion. "Sou um exemplo para todas essas mães jovens e mulheres mais velhas que criaram os filhos sozinhas. Elas pensam assim: 'Olha, ela está lá fazendo as coisas acontecerem.'"

DeGarmo ganha pontos por sua imagem de boa menina, sua postura sobrenatural e seu sorriso luminoso. Outros têm uma visão mais cínica, vendo-a como pasteurizada e até robótica- fruto do showbiz. DeGarmo diz que seu estilo para cima não é teatro. "Sou realmente uma pessoa festiva e as pessoas tendem a pensar que estou exagerando. Mas é assim que sou."

Audiência

Enquanto as cantoras competem pelo título, a Fox já ganhou seu prêmio. Em sua terceira temporada, o programa de "Idol" de terça-feira tem em média 25,8 milhões de telespectadores, 4,6 milhões a mais do que no ano passado. Já os programas de quarta-feira atraem 23,6 milhões de telespectadores, 3,6 milhões a mais do que na temporada anterior.

Entretanto, até agora "Idol" não mostrou o clímax final do ano passado, quando Ruben Studdard, Clay Aiken e Kimberley Locke foram os três finalistas. Os dois últimos programas de quarta-feira ficaram atrás dos programas de 2003 pela primeira vez nessa temporada.

Koerner não acredita que audiência apresentará o mesmo salto da hora final da última temporada, de mais de 40%. "Ainda assim é um fenômeno. É entretenimento classe A", diz ela. "Mas eu diria que os índices não vão ser ainda mais fenomenais."

Neste ano, a novidade é menor. Além disso, fãs e observadores percebem maior diferença de talento entre as duas finalistas. Por fim, os fãs não estão tão apaixonados quando estiveram por Studdard e Aiken, que também eram do Sul.

"Não dá nem para comparar o entusiasmo dos fãs -ou mesmo do público em geral", diz Michelle Friel, 19, de Illinois. Ela é fã de Aiken e planeja votar em DeGarmo. "Clay e Ruben literalmente dividiram o país no ano passado, e não se pode dizer o mesmo com Diana e Fantasia."

Elisa Crossman, 23, de San Diego, uma das fãs de Clay do ano passado, diz que um número maior de participantes jovens -quatro tinham menos de 18- significou maior "imaturidade profissional, o que os impediu de mostrar desenvoltura e carisma."

Alguns dos melhores cantores deste ano, como La Toya London e Jennifer Hudson, foram eliminados antes do esperado, enquanto adolescentes menos estelares como Stevens e Jasmine Trias, duraram muito mais.

A partida prematura de London "deixou muitas pessoas desapontadas com o resultado", diz Lon Thompson da elitestv.com, site da Web para fãs de programas de realidade.

Outros telespectadores ficaram frustrados com as linhas de telefone ocupadas, quando tentaram votar. Para evitar a congestão nesta semana, a produção de "Idol" vai dobrar o tempo de votação para quatro horas e acrescentar linhas para cada cantora.

A cena na porta do estúdio antes do programa de quarta-feira estava mais tranqüila que no ano passado. Cerca de 50 fãs esperavam, quase todos torcedores de Barrino. A campanha ruidosa do ano passado por Studdard e Aiken foi substituída pela esperança de que Barrino sobrevivesse a um processo de votação aparentemente caprichoso.

"A segunda temporada foi a melhor. No geral, os cantores finais eram muito melhores", disse Sherri Gordon, 36, fã de Barrino de Los Angeles.

Sua amiga que também torce por Barrino, Syreeta Greene, 26, de Los Angeles discorda, dizendo que os finalistas deste ano são melhores e que os resultados imprevisíveis garantiram a atenção dos telespectadores. "No ano passado, dava para adivinhar quem ia ser eliminado. Você dizia: 'É, ele realmente não se saiu muito bem'. Neste ano, é: 'O que?'" Sai nesta quarta-feira o vencedor da gincana musical que mobiliza o público americano Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos