Dez fatores podem determinar a eleição presidencial nos EUA

Chuck Raasch
Em Washington

Cinco meses antes da eleição presidencial, dez fatores chaves para seu resultado continuam sem resposta. Algumas chaves estão ligadas a datas específicas; algumas são tendências políticas. Geralmente, essas chaves contêm perguntas que são mais conseqüentes do que as que cercaram a maioria das eleições presidenciais desde a Segunda Guerra Mundial.

Elas são:

1. 30 de junho

Dia em que os Estados Unidos prometeram transferir a autoridade no Iraque, mas o presidente Bush também advertiu que novos ataques de rebeldes e terroristas poderão acompanhar a transferência. "Há dias difíceis pela frente, e o caminho às vezes pode parecer caótico", Bush disse em um discurso em 24 de maio no Colégio de Guerra do exército americano em Carlisle, Pensilvânia. Suas chances de um segundo mandato estão fortemente ligadas ao sucesso da transferência.

2. O companheiro de chapa de John Kerry

Os acadêmicos sempre discutem o impacto que os indicados para a vice-presidência realmente têm sobre as eleições, mas a escolha de Kerry poderá ser mais importante que a maioria. Alguns republicanos esperam que ele escolha um parceiro como o deputado democrata Dick Gephardt (Missouri) ou o senador John Edwards (Carolina do Norte). Ambos têm fortes mensagens econômicas populistas e poderiam atrair os eleitores desencantados no Cinturão do Aço, que sofreu muito com perdas de empregos industriais. Vários Estados indecisos estão reunidos ao redor dos Grandes Lagos, onde já reinou a indústria.

3. O preço da gasolina

Se ficar acima de US$ 2 por galão [3,8 litros], poderá ser uma questão difícil para Bush enfrentar no outono. O debate sobre o preço do combustível também reabre perguntas sobre as ligações de Bush com a indústria do petróleo.

4. Pista certa, pista errada

O pesquisador Andy Kohut diz que os americanos estão mais pessimistas do que estiveram nos últimos oito anos sobre a direção do país. Se isso não mudar entre hoje e novembro, poderá ser ruim para Bush, que sabe que nenhum presidente foi reeleito em circunstâncias tão difíceis. Mas as pesquisas também mostram que Kerry ainda não é considerado uma alternativa claramente positiva.

5. 11 de Setembro

O terceiro aniversário dos atentados terroristas será uma época de séria reavaliação. Vários grandes eventos - as Olimpíadas e duas convenções políticas nacionais entre eles - terão ocorrido nas seis semanas antes do aniversário, e eventuais novos ataques (ou a falta deles) teriam uma forte influência sobre as atitudes dos americanos em relação à eleição.

6. Osama bin Laden

Desde que prometeu capturá-lo vivo ou morto, logo depois de 11 de setembro de 2001, Bush e seu governo diminuíram as expectativas. As autoridades americanas dizem que capturar ou matar Bin Laden não poria fim à ameaça do terror, mas seria um grande avanço simbólico para os Estados Unidos e, por extensão, para seu presidente.

7. Debates

Eles tiveram um papel enorme nas eleições anteriores em que o presidente foi derrotado, ou quando a Casa Branca mudou de partido depois da saída de presidentes com mandato limitado. O desempenho de Al Gore em 2000 dominou a cobertura da campanha durante dias. Em 1980, um sólido desempenho de Ronald Reagan no debate pouco antes da eleição respondeu dúvidas sobre suas capacidades, decidindo a saída de Jimmy Carter. Mesmo se Bush estiver em dificuldades, Kerry terá de mostrar que está pronto para o cargo quando milhões de eleitores estiverem assistindo aos debates.

8. Relatórios econômicos em outubro

Em épocas de paz, Bush poderia ver o recente crescimento econômico como uma enorme ajuda para a reeleição. Ainda poderá ser, mas pairam questões: o aumento das taxas de juros e dos preços da gasolina vão prejudicar a recuperação e Bush? A recuperação do emprego e a expansão econômica pouco antes da eleição serão o fato decisivo de que Bush precisa?

9. As guerras no solo

Ambos os partidos políticos dizem que vão gastar quantias recordes em métodos antiquados de captação de votos, incluindo chamadas de porta em porta. Esses esforços poderão fazer a diferença em importantes Estados indecisos, como Ohio, Wisconsin, Michigan e Flórida.

10. A Grande Intangível - a presidência em tempo de guerra

Em tempos de guerra, mesmo em momentos de dúvida e tristeza, os americanos em eleições passadas mantiveram os presidentes que argumentaram que o rumo difícil ainda era o certo. Abraham Lincoln, em 1864, é o exemplo máximo disso. Alternativamente, os americanos também recusaram fortemente os presidentes durante guerras impopulares. Lyndon Johnson decidiu não tentar a reeleição em 1968 com o aumento das dúvidas sobre o Vietnã. Eleitores mostram crescente rejeição a Bush, mas ainda não vêem Kerry como a opção Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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