Jovens optam cada vez mais por trabalhar em casa

Maureen Milford

O escritório de Evan Marquisee, organizado, contém o que se espera de uma microempresa -computador, telefone, arquivos, um calendário de mesa, uma luminária.

O que não é comum no 5MinuteMatch.com, um serviço de namoro rápido, é a cama estilo colonial a poucos centímetros da cadeira de escritório confortável de Marquisee.

A base de operações deste aspirante a empresário de 29 anos é um quarto na casa de seus pais, que concordaram em sustentá-lo por dois anos, enquanto montava sua empresa. Há uma geração, Marquisee talvez fosse considerado um caso de adolescência tardia, mas hoje não. Com o cenário econômico, social e cultural em mudança, mais jovens adultos estão aproveitando o período entre 18 e 29 anos para explorar empregos, relacionamentos e definir suas identidades.

"Desta vez, para mim, é sobre assumir riscos", disse Marquisee. "Deixei um bom emprego seguro... porque, no fundo, não estava feliz. O que meus pais fizeram foi me dar a oportunidade de não me acomodar, de buscar o melhor, e estou aproveitando isso."

A maior parte dos americanos hoje vê 26 anos como a idade média de entrada na vida adulta, de acordo com o Centro de Pesquisa de Opinião Nacional da Universidade de Chicago. De fato, muitas pessoas aos 30 atualmente ainda não completaram as cinco transições que os especialistas identificam como importantes marcos da idade adulta: acabar os estudos, sair de casa, tornar-se financeiramente independente, casar e ter um filho. De acordo com um estudo, somente 46% das mulheres e 31% dos homens aos 30 preencheram esses critérios em 2000.

Tom W. Smith, da Universidade de Chicago, disse que, antigamente, as transições vinham mais cedo e concentradas. Em 1960, as mulheres se casavam com 20 anos, em média, e os homens, aos 22. Em 2002, por outro lado, a idade média para o casamento foi de 25,3 para as mulheres e 26,9 para os homens.

Hoje, as pessoas consideram a transição mais longa à idade adulta como a trajetória comum na sociedade moderna. Os jovens adultos, muitas vezes, vivem de forma independente por um tempo, depois voltam a morar com os pais para atingir metas específicas. Com a busca da identidade, frequentemente, a pessoa passa por uma série de empregos, escolas, estágios e serviços voluntários.

"Chamo isso de estágio de concentração em si mesmo. É a única hora na vida em que você realmente pode escolher o que faz -o foco está em seu próprio desenvolvimento pessoal", disse Jeffrey J. Arnett, professor de desenvolvimento humano da Universidade de Maryland e autor de "Emerging Adulthood" (maturidade emergente), que será lançado no verão.

Jil Henebry, 30, de Newark, que voltou para casa dos pais para poder terminar sua faculdade na Universidade de Delaware, disse que só encontrou sua carreira aos 28.

Seu insight veio depois de 11 de setembro de 2001. Na época, tinha um diploma universitário de um curso de dois anos e estava trabalhando no setor de recursos humanos da Merrill Lynch, no World Trade Center, em Nova York. Seu trem atrasou 10 minutos no dia dos ataques terroristas.

"Aquilo foi meu sinal de alarme", disse Henebry, que acaba de se formar em psicologia. "Antes, eu estava deixando a vida me levar."

Kendra Patterson, 27, de Wilminton, Delaware, terminou em janeiro um mestrado em estudos da Ásia Oriental, na Universidade Nacional Australiana. Ela disse que está começando a sentir-se como adulto, apesar de ter voltado a morar com os pais.

"Em geral, a sensação entre meus colegas é de ainda não querer levar a vida tão a sério", disse Patterson. "Quando olho para as pessoas da idade dos meus pais, elas têm casa, contas e família, e não parece divertido."

As gerações anteriores conseguiam, ao terminar o segundo grau, empregos em fábricas que davam para sustentar a família e um estilo de vida de classe média.

O declínio nos empregos de manufatura, entretanto, levou mais pessoas a continuarem estudando. Mas uma formação custa tempo e dinheiro, e isso atrasa a entrada no mundo adulto, disse Smith.

A dívida média dos estudantes universitários aumentou 74%, em apenas cinco anos. Ela passou de US$ 9.500 (em torno de R$ 28.500), em 1997, para US$ 16.500 (cerca de R$ 49.500) em 2002, de acordo com uma pesquisa da Nellie Mae Corp., organização que patrocina estudantes.

Para alguns, essa dívida terá que ser paga com salários modestos. Os cinco empregos mais comumente oferecidos aos recém formados têm salários anuais entre US$ 29.551 (em torno de R$ 88.653), para professores, e US$ 42.392 (cerca de R$ 127.176), para contadores, de acordo com a Associação Nacional de Faculdades e Empregadores. A principal categoria de empregos aos recém formados, de estagiário em gerência, paga, em média, US$ 35.852 (aproximadamente R$ 107.556).

Mesmo sem contar os empréstimos para pagar a faculdade, recém formados enfrentam custos de moradia cada vez mais altos. O custo médio de uma casa para uma família aumentou quase cinco vezes entre 1973 e 2003, para US$ 170.000 (em torno de R$ 510.000), de acordo com a Associação Nacional de Agentes Imobiliários. A renda média familiar de 1973 a 2001 aumentou três vezes, para US$ 42.228 (cerca de R$ 126.684) por ano.

Arnett disse que os jovens de hoje têm expectativas altas para o trabalho e a vida. A idéia de ter um emprego durante 40 anos "para eles é aterrorizante. Não querem apenas ter um emprego, querem encontrar sua vocação." Comodidade aumenta produtividade seja de pequenos empresários ou de executivos Deborah Weinberg

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