Público presta última homenagem na biblioteca Ronald Reagan

Martin Kasindorf
Simi Valley

O cortejo fúnebre que levava o corpo de Ronald Reagan chegou nesta segunda-feira (07/06) no Museu e Biblioteca Presidencial Ronald Reagan onde foi recebido por uma guarda colorida trajando uniformes representando todos os serviços oficiais, públicos e militares, enquanto uma banda da Marinha tocava "Hail to the Chief" (Saudação ao Chefe).

Muitas pessoas comuns haviam acampado durante horas na frente do edifício, em certos casos durante a noite inteira, para estar entre as primeiras a ver o caixão fechado, coberto por uma bandeira, e prestar uma última homenagem ao antigo presidente.

A família de Reagan, que era representada pela sua mulher, Nancy, além de três filhos sobreviventes e dois netos, permaneceu por pouco menos de meia hora no saguão principal da biblioteca, onde Reagan repousava, assistindo a um curto serviço de preces.

As pessoas presentes ouviram o 23º Salmo, a Prece do Senhor e palavras de agradecimentos pela vida "deste ser humano muito especial", pronunciadas pelo reverendo Michael Wenning, o pastor da Igreja Presbiteriana de Bel Air, a igreja freqüentada por Reagan. "Nós agradecemos por este mundo ter-se tornado um lugar melhor, pelo que ele fez quando estava entre nós", disse Wenning.

Esperava-se que cerca de 2 mil convidados por hora fossem comparecer ao longo das 18 horas do velório, enquanto guardas militares permaneciam em vigília. Entre os primeiros convidados a chegarem estava o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger e sua mulher, Maria Shriver. Uma parte do público foi trazida de ônibus, de uma faculdade distante de 8 quilômetros.

Os 22 veículos que formavam o cortejo fúnebre haviam se deslocado lentamente desde o local onde fora realizado um primeiro velório, em Santa Monica, até a biblioteca, um complexo situado no cume de um morro, feito de estuque marrom e de tijolos espanhóis vermelhos, e que foi construído à semelhança do Rancho Cielo, a "Fazenda do Céu" que Reagan amava. Aquele havia sido o primeiro ponto de parada de uma viagem de cinco dias que o levaria até o local do seu repouso final, no gramado da ala oeste da biblioteca, com vista para o oceano Pacífico.

Ao longo do caminho, conforme uma tradição que data de Abraham Lincoln, em 1865, Reagan será o 10º presidente a descansar em câmara ardente abaixo da Rotunda do Capitólio americano.

Na quarta-feira, a família tomará um avião transportando o caixão para viajar de um centro aéreo naval perto de Simi Valley até a base da Força Aérea de Andrews, nas proximidades da capital, Washington, D.C. Na Ellipse, um extenso parque situado perto da Casa Branca, o cortejo fará uma parada.

O caixão será colocado sobre uma carreta puxada por cavalos e coberto pela bandeira dos Estados Unidos. Ao som de um tambor, a carreta se deslocará rumo ao leste, na Constitution Avenue, até o Capitólio. Haverá uma cerimônia na Rotunda, e o público poderá comparecer para prestar sua homenagem. Este ritual deverá prosseguir por 27 horas, terminando à meia-noite de quinta-feira.

Na sexta-feira, que foi proclamada dia de luto nacional pelo presidente Bush, o grupo oficial dos parentes de Reagan se deslocará num cortejo de automóveis do Capitólio até a catedral onde será celebrado um ofício fúnebre de 1 hora e 45 minutos.

Um outro cortejo de automóveis levará de volta os restos mortais de Reagan até a base da Força Aérea de Andrews, para retornar de avião até a biblioteca presidencial. Na sexta-feira, na hora do pôr-do-sol, a semana de luto será concluída com uma cerimônia de enterro reservada para convidados.

O cemitério onde Reagan será enterrado, repleto de carvalhos, é "um local espetacular situado no topo de um morro, com vista para o oceano e para o relevo acidentado da Califórnia", disse Fred Ryan, o primeiro chefe da casa civil pós-presidência de Reagan. Sob um monumento, foram construídas sepulturas para o 40º presidente dos Estados Unidos e para Nancy Reagan. A inscrição que foi gravada no monumento, escolhida pelo próprio Reagan, será revelada na sexta-feira.

Os nomes das cinco pessoas escolhidas para carregar o caixão funerário de Reagan já haviam sido escolhidos tempos atrás. Estes são o próprio Fred Ryan; o antigo conselheiro para assuntos de relações públicas da Casa Branca, Michael Deaver; o produtor de televisão Merv Griffin; Charles Wick, que fora o diretor da Agência de Informações durante o mandato do ex-presidente; e o médico particular de Reagan na Casa Branca, John Hutton.

O reverendo pastor Billy Graham concordou em presidir a cerimônia fúnebre de sexta-feira, na Catedral Nacional de Washington, mas ele se encontra atualmente hospitalizado. O ex-senador do Missouri, John Danforth, que é um ministro episcopal ordenado, irá substituí-lo. Cerimônias fúnebres do ex-presidente se deslocam de Washington para a Califórnia Jean-Yves de Neufville

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