Ícone da música americana, Ray Charles morre aos 73 anos

Chris Jordan

Ray Charles, mais conhecido por sucessos como "Hit the Road Jack", "I Can't Stop Loving You" e uma versão cheia de soul de "America the Beautiful", morreu nesta quinta-feira (10/06) de uma doença no fígado em sua casa em Beverly Hills, Califórnia, disse um porta-voz. Ele tinha 73 anos.

Antes de sua morte, segundo a PR Newswire, Ray finalizou seu álbum de duetos, "Genius Loves Company", para a gravadora Concord, seu primeiro álbum inédito desde 2001. Ele também aprovou os planos para a construção do Ray Charles Performing Arts Center no Morehouse College, em Atlanta.

Norah Jones, BB King, Willie Nelson, Michael McDonald, Bonnie Raitt, Gladys Knight, Johnny Mathis e James Taylor são alguns dos artistas notáveis que participaram do álbum de duetos, cujo lançamento está previsto para 31 de agosto.

Ao longo de meio século de atuação, Ray Charles quebrou todas as barreiras musicais -trazendo o sentimento do gospel para o blues, tocando jazz como um mestre, cantando sucessos country campeões de venda, e liderando bandas poderosas, grandes e pequenas.

"Ele era extremamente dotado, com muita habilidade natural", disse David "Fathead" Newman, o saxofonista original de Ray e um amigo de longa data. Newman foi informado sobre a morte de Ray Charles durante a checagem de som no Rochester International Jazz Festival, em Rochester, Nova York, e imediatamente pediu licença para voltar ao palco e tocar sozinho por cinco minutos. Então ele disse: "Eu devo minha carreira ao Ray. Ele deixará saudade".

"Era música para todas as idades", disse Mable John, ex-líder das Raelettes, o grupo de cantoras de apoio de Ray Charles. "Ele nunca se prendeu a um único tipo de música. Tudo o que chamava sua atenção ele tocava, e o fazia à sua maneira."

Um múltiplo vencedor do Grammy, entre os sucessos de Ray Charles também estão "What'd I Say", "Georgia on My Mind", "Unchain My Heart", "Busted" e "Born to Lose". Imortalizado no Rock and Roll of Fame em 1986, Charles recebeu muitas homenagens ao longo dos anos.

"Ele não era uma única coisa -ele realmente fez de tudo", disse o historiador da música Bill Carpenter. "Ele tocou blues, pop, country -uma grande diversidade."

Apesar de Ray Charles ter produzido poucos sucessos depois de meados dos anos 60, ele ainda permaneceu altamente popular por meio de turnês e anúncios de produtos como a Pepsi. "Ray tinha muito country dentro de si", disse a cantora Candi Staton. "Há muitas mudanças de acordes de blues que são um tanto country e ele tinha aquela sofisticação natural com a qual todos podem se identificar."

Biografia

Ray Charles nasceu Ray Charles Robinson em 23 de setembro de 1930, em Albany, Geórgia, e lentamente começou a perder sua visão na infância. Mas antes de perder sua visão ele disse ter testemunhado seu irmão mais novo, George, se afogar em uma tina de lavar roupa no quintal de sua família. Posteriormente, Ray estudou música em uma escola para surdos e cegos na Flórida.

O primeiro passo significativo na carreira de Ray ocorreu quando ele se mudou para Seattle na condição de adolescente órfão. Lá, Ray venceu um concurso de talentos e recebeu a oferta de se apresentar na hospedaria Elks local.

O primeiro sucesso Top 10 de R&B (Rhythm & Blues) foi "Baby, Let Me Hold Your Hand" em 1951. Depois disso, o som de Ray começou a se desenvolver quando ele seu mudou para a Atlantic Records em meados dos anos 50. Seu segundo sucesso de R&B, "I Got a Woman", sinalizou a chegada de um novo fervor mais bruto, alimentado pelo gospel. Era um som que marcaria suas gravações posteriores.

"Charles começou a tocar o soul e o gospel do Sul e o fez de tal forma que tinha algo de pop neles", disse Carpenter.

A influência do gospel talvez esteja mais evidente em seu grande sucesso "What'd I Say", lançado em 1959. No início dos anos 60, Ray continuou a produzir sucessos como "Unchain My Heart" e "Hit the Road Jack". Foi "Hit the Road Jack" que apresentou de forma mais proeminente as Raelettes, o grupo rotativo de cantoras de apoio de Ray Charles.

"Não era como os vocais de Anita Kerr", disse Carpenter, se referindo à famosa cantora dos anos 50. "As garotas de Ray não se pareciam nada com aquilo."

"Naquela época, o trio de apoio ficava bem ao fundo", disse Carpenter. "Ray as colocou no primeiro plano. Elas não ficavam cantarolando discretamente, elas realmente gritavam."

Ray passou para o reino do country em meados dos anos 60 com sucessos como "I Can't Stop Loving You" e os álbuns "Modern Sounds in Country and Western Music, Volume 1" e "Volume 2".

Ao longo de sua carreira, Ray desenvolveu a reputação de mulherengo e a usar drogas recreativas. Ele foi preso em 1965 em Boston por posse de heroína, e posteriormente compôs a canção "Let's Go Get Stoned".

Mas suas indiscrições e falta de sucessos nos últimos estágios de sua carreira não diminuíram sua posição como músico. A estatura de Ray Charles cresceu à medida que ele passou a representar o melhor da criatividade e do individualismo americanos. Seu "America the Beautiful" se tornou um standard e sua versão de "Georgia on My Mind" é atualmente o hino oficial do Estado da Geórgia.

"O que ele fez foi bom", disse a lenda do blues Koko Taylor. "Eu sei que é bom, soa bom e muita gente sente o mesmo."

Quanto ao legado de Ray Charles, Christopher J. Farley, editor sênior da revista Time, provavelmente foi quem colocou melhor. "Eu acho que ele será lembrado (...) como um gênio do soul, como o sujeito que ajudou a criar este gênero", disse Farley para a CNN, na quinta-feira, acrescentando que muitos dos cantores modernos "têm uma enorme dívida para com este sujeito pelo que ele ajudou a criar".

Ray Charles deixa 11 filhos, 20 netos e cinco bisnetos, segundo a PR Newswire. Haverá uma missa memorial em sua homenagem na igreja Fame no centro de Los Angeles, e ele será enterrado no Inglewood Cemetery, em Inglewood, Califórnia. Cantor e compositor contribuiu decisivamente para o sucesso e a evolução do blues George El Khouri Andolfato

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