Vin Diesel prova ser um brutamontes cool e cheio de estilo

Susan Wloszczyna

Vin Diesel é interessante pelo telefone. Primeiro se ouve uma espécie de grunhido selvagem, como um rosnado gutural, num tom baixo-profundo. Outra coisa: para um cara que parece que poderia arrebentar com qualquer parte do seu corpo como quem estraçalha um melão, o ator tem um senso de humor peculiar, apatetado.

Primeiro Diesel empaca numa resposta quando questionado sobre os motivos de interpretar novamente o anti-herói de "Eclipse Mortal" (Pitch Black, 2000), aquele presidiário fugitivo que tem uma saudável rebeldia contra todas as autoridades inter-galácticas. O anti-herói está de volta em "The Chronicles of Riddick", que estreou nesta sexta-feira (11/06) nos Estados Unidos.

"Esse personagem se compraz com seu jeito indiferente. Ele está passando por todo um processo, uma fase em sua vida. Para entender o heroísmo, a necessidade de ter heróis é interessante ... "

Blah, blah, blah.

Aí ele finalmente avança. "Riddick costuma ser deturpado. No começo da história ele é sempre apresentado por alguém como se fosse um criminoso. Em "Eclipse Mortal", nunca soubemos o que ele pensava. Ele nunca se defendia." Aí o ator surpreende. "Como Joan Allen em 'A Conspiração' (The Contender)."

Risadas nos dois lados da entrevista, e ele se diverte com a comparação que faz entre seu matador duro na queda e o personagem de Allen, aquela candidata à vice-presidência que se recusa a negar as acusações de promiscuidade. "Disse a um outro repórter que meu personagem era como Bogart em "Casablanca," comenta, tentando corrigir o raciocínio. Não importa. Mas é uma gracinha saber que ele assiste a caça-níqueis de natureza política e feminista.

Diesel, um garotão de 36 anos tão ligado em video games que possui sua própria fábrica de joguinhos, provavelmente não se daria ao trabalho de negar que esteja de saco cheio de si mesmo. Nem mesmo quando faz declarações como "sou a pessoa mais ambiciosa que você já conheceu."

Mas seu ego superproporcionado é compensado por grandes doses de charme e calor humano. Esse lado ficou exposto desde pequenos papéis, como em "Meu Primeiro Milhão" ("Boiler Room ", 2000, sobre trambiqueiros de Wall Street ) e "Velozes e Furiosos" ("The Fast and the Furious", 2001, sobre rachas).

Mas o lado mais humano ficou encoberto em "Triplo X" (XXX), de 2002, uma atualização equivocada dos filmes de espionagem que supostamente daria um impulso de alta octanagem à carreira de Diesel. Em vez disso, o transformou numa espécie de ídolo para os moderninhos mais acelerados.

Então a salvação poderá estar no brutalhão Riddick, com o ator tentando evoluir de um sucesso cult para um arrasa-quarteirão cheio de possibilidades comerciais, na esperança de conseguir deslanchar de vez sua carreira. Tudo depende vai depender do desempenho nas bilheterias, neste primeiro final de semana, do thriller de ficção científica produzido com aproximadamente US$ 125 milhões.

Diesel, que também é produtor do novo "Riddick," parece não estar muito aí para essas questões. Pelo menos ele diz que não se importa muito. Para o ator, tudo é uma questão de agradar ao público e de tocar as cordas certas para encantar a platéia. "Fiquei muito ansioso na pré-estréia por estar bem perto de casa", comentou sobre a sessão de "Riddick" semana passada em Los Angeles.

"Foram cinco anos sonhando. Porque eu só queria que as pessoas entendessem o filme, que gostassem, que amassem, que curtissem o espetáculo. É simplesmente isso, essa seria a recompensa. Eu não fico me iludindo com esses números todos. Isso é outro papo, corporativo demais para o meu gosto."

Mas, cuidado, não se deixe enganar por essa indiferença de Diesel. David Twohy, roteirista e diretor de "Riddick", diz que seu astro sabe direitinho o que está em jogo. "Ele está bem ligado e consciente de seu papel na indústria e do que as pessoas pensam. O dedo dele está molhado, no vento."

Para tentar restaurar o seu estilo mais cool, segue o diretor, "Diesel sabiamente escolheu fazer um anti-herói como Riddick, descartando outras possibilidades. Por um lado, é tudo calculado. Mas o coração também está envolvido." Diesel faz questão de manter a integridade de seu trabalho. Talvez até demais. "Ele não mudou muito", diz Twohy, que também dirigiu Diesel em "Eclipse Mortal".

"Ele dava palpite em tudo, e continua sendo assim. Tem um monte de idéias, e isso pode frustrar um diretor. Mas entre as idéias havia umas boas. Eu me adaptei a ele, e Diesel de vez quando se adapta ao meu jeito".

Enquanto isso, o ator e Twohy já bolaram os dois próximos episódios de "Riddick", na expectativa de que o sonho de uma trilogia ganhe o sinal verde. O ator também poderá voltar ao personagem Dominic Toretto, o piloto de "Velozes e Furiosos". Não numa sequência, mas numa espécie de derivação (spinoff), mas somente o roteiro conseguir captar o desejo que Toretto tem de "ser competitivo e vitorioso", Diesel completa.

Buscando a diversidade em seus projetos, Diesel está em negociações com Spike Lee para estrelar uma cinebiografia do campeão de boxe Joe Louis, que abordará as lutas dele com o alemão Max Schmeling nos anos 30 e os efeitos destas lutas na Segunda Guerra Mundial. E Diesel também está filmando em Toronto uma comédia de ação chamada "The Pacifier." O argumento: oficial da Marinha caído em desgraça se envolve na proteção de cinco jovens cujo pai era um cientista do governo antes de ser assassinado.

Esse novo filme estaria para Diesel como "Um tira no jardim de infância" esteve para Schwarzenegger. "Os garotos são realmente brilhantes," ele diz. "No terceiro ato do filme, meu personagem os dirige numa versão de "A Noviça Rebelde". Sim, os musicais estão entre as coisas favoritas para Diesel.

Apesar de Nicole Kidman não ter topado viver a namorada missionária, ele gostaria de pegar os sapatos elegantes de Marlon Brando e reviver o jogador compulsuivo Sky Masterson numa refilmagem de "Guys and Dolls", de 1955.

Quer dizer então que ele também canta?

Após uma breve pausa, ele deslancha uma versão agradavelmente rouca do clássico de Jacques Brel "Ne Me Quitte Pas". E em francês mesmo, sim senhor.

Oui, Monsieur Diesel pode ser um durão, mas também sabe ser suave. Ele estrela "The Chronicles os Riddick", que estréia nos EUA, e negocia com Spike Lee Marcelo Godoy

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