John Edwards trabalha duro para ser o vice na chapa de Kerry

Raju Chebium
Em Washington

O senador John Edwards parece estar se mobilizando intensamente para ser o companheiro de chapa de John Kerry, e está se transformando na principal escolha entre os democratas para a candidatura a vice-presidente.

O democrata da Carolina do Norte fez propaganda para Kerry em seis eventos políticos desde abril, em Estados onde os votos são disputados, como Flórida, Minnesota e Ohio. Até o final de junho ele planeja fazer mais cinco aparições em Louisiana, Iowa, Alabama e Texas, segundo demonstra o seu roteiro de viagem.

Edwards está viajando pelo país a pedido de Kerry, o que é um sinal de que este último o está levando a sério. Mas não se sabe ao certo se Edwards, que encerrou em março a sua própria campanha para a candidatura democrata à presidência, vai conseguir a vaga.

O comitê de Kerry não está divulgando nada a esse respeito, nem mesmo para membros antigos do círculo de poder democrata, como Don Fowler.

"Esse processo é o mais privado, e o mais bem guardado que já vi. É também aquele que é alvo do maior número de iniciativas para a obtenção de notícias. Eu não ouvi, literalmente, um só boato verossímil de qualquer membro da campanha de Kerry", disse Fowler, ex-diretor do Partido Democrata. "Eles estão de boca totalmente fechada".

Kerry disse que anunciará a sua escolha em julho. Os candidatos presidenciais freqüentemente pedem aos colegas para os substituírem quando não podem comparecer a eventos políticos, disse a porta-voz de Edwards, Kim Rubey.

Quando lhe perguntaram se o seu chefe está fazendo articulações para ser o vice-presidente, ela respondeu de forma indireta: "Ele acredita que, com tanta coisa em jogo, é importante que faça tudo o que estiver ao seu alcance para eleger John Kerry".

O porta-voz da campanha de Kerry, Chad Clanton, observou que não só Edwards, mas também vários outros democratas famosos estão trabalhando para eleger Kerry. "Ele está tentando ajudar. Mas não tentem enxergar nada além disso", disse Clanton.

Mas a estrela de Edwards, de 51 anos, continua a subir, sem dúvida devido aos seus grandes talentos para conduzir campanhas, à sua aparência jovem e ao seu potencial para ajudar Kerry a vencer em alguns Estados no sul do país, uma região tradicionalmente republicana.

Cinqüenta nomes proeminentes do Partido Democrata indicaram Edwards - um senador que está no seu primeiro mandato e que não teve nenhum cargo eletivo anteriormente - como a sua primeira escolha, preferindo-o a políticos com currículos mais extensos na vida pública, segundo uma pesquisa da revista "National Journal" divulgada em 5 de junho.

Em uma pesquisa conduzida pela "Associated Press" na semana passada, 36% dos 788 eleitores registrados disseram que Kerry deveria escolher Edwards. Nos últimos anos, a preferência popular não influiu muito na escolha do candidato a vice.

Especialistas dizem que os eleitores prestam pouca atenção aos candidatos à vice-presidência. Segundo o analista Stuart Rothenberg, a eleição será decidida com base na impressão dos eleitores com relação aos candidatos à presidência. Candidatos presidenciais anteriores não tiveram pressa em escolher os seus colegas de chapa. Em 1988, o nome de Dan Quayle não foi mencionado publicamente até cerca de três semanas antes de Bush pai escolhê-lo oficialmente.

A escolha de Kerry depende de alguns fatores principais, dizem os analistas: se os dois companheiros de chapa mantêm um bom relacionamento e se Kerry acha que a escolha é suficientemente valiosa para lhe render votos nas regiões em que os democratas precisam de mais ajuda.

Edwards é o candidato certo segundo todas as avaliações, diz o estrategista político Dave "Mudcat" Saunders, que trabalhou para o comitê de ação política de Edwards.

"Basta falar com ele por 30 segundos para se ter a impressão de conhecê-lo há 20 anos... Johnny Edwards sabe como poucos outros políticos se relacionar com os eleitores", diz ele. "Ao mesmo tempo, ele é capaz de interagir com os intelectuais e ajudá-los a montar uma estratégia que garanta a vitória da chapa".

Flórida, Virgínia, Louisiana e Arkansas, todos no sul dos EUA, são considerados Estados onde o resultado das eleições é imprevisível. Rothenberg diz que a mensagem econômica populista de Edwards - de que o governo deveria dar mais atenção aos norte-americanos vulneráveis - também poderia surtir efeito para eleitores de outros Estados, como Ohio, Indiana e Illinois.

Durante a sua campanha, Edwards se apresentou como um democrata que poderia vencer no sul, chamando a região de "o meu quintal". Surpreendentemente, ele terminou em segundo lugar nas primárias de janeiro em Iowa, e venceu em fevereiro na Carolina do Sul. Mas ele perdeu no Tennessee e na Virgínia e retirou a sua candidatura, levando alguns especialistas a afirmarem que, ao contrário do que afirmou, Edwards não seria capaz de desempenhar um papel eleitoral importante no sul do país.

Segundo a GNS Research, outros candidatos democratas que também vêm sendo mencionados como possíveis companheiros de chapa de John Kerry são:

  • Deputado Dick Gephardt, de Missouri;

  • General da reserva Wesley Clark;

  • Governador Mark Warner, da Virgínia;

  • Governador Bill Richardson, do Novo México;

  • Governador Tom Vilsack, de Iowa;

  • Senador Bob Graham, da Flórida;

  • Senador John Breaux, de Louisiana e

  • Senador Evan Bayh, de Indiana. Analistas o consideram a melhor opção para os democratas conquistarem votos no Sul Danilo Fonseca
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