George Michael espanta a tristeza com novo single "Amazing"

Elysa Gardner

No final dos anos 80, George Michael tinha 26 anos e já havia conquistado o sucesso nas paradas tanto como destaque no duo Wham! e também como artista em carreira solo. "Faith", seu disco de estréia como solista, ganhou o Grammy Award de melhor álbum de 1988.

Mas, na década seguinte, as realizações mais célebres de Michael passaram longe do terreno artístico. Em 1993, ele processou a Sony Music numa tentativa frustrada de encerrar seu contrato com a companhia. Cinco anos depois, ele foi preso por conduta obscena num banheiro público em Beverly Hills.

Segundo conta o próprio Michael, qualquer humilhação que ele tenha suportado na época foi pequena em comparação ao sofrimento causado por duas tragédias pessoais em sequência: a morte de seu namorado, o brasileiro Anselmo Feleppa, de uma doença decorrente da Aids, e a perda da mãe, devido a um câncer. "Por algum motivo, as lições que Deus tinha para me ensinar na época dos meus 30 anos foram muito intensas", Michael diz agora, aos 40. "Mas não há dúvidas de que me fizeram ficar mais forte."

O novo CD de Michael, com o apropriado título de "Patience" ("Paciência"), é o seu primeiro álbum de estúdio com músicas inéditas desde "Older", de 1996. "As pessoas podem ter pensado que eu estava sentado à beira-mar, em algum canto. Mas eu trabalhei muito durante uns três anos, com poucos resultados. Passar por duas privações, uma após a outra, me deixou totalmente arrasado. Na verdade, essa nuvem só se afastou nos últimos 18 meses."

Os novos resultados, incluindo o animado single "Amazing", apresentam um painel consideravelmente mais solar que o trabalho anterior de Michael, mais sombrio. "Eu não conseguiria ter feito "Amazing" durante o período em que estava trabalhando no álbum "Older." Dessa vez há várias canções pop bem desencanadas. Uma parte do que eu queria ver divulgado ainda tem as mesmas intenções do que fazia há 20 anos. Perdemos uma parte importante do nosso cenário musical, que era formado por uma ótima música pop escrita e interpretada por seus próprios autores. Esse panorama foi muito devastado pela indústria ."

Apesar de sua prolongada aflição em relação ao mercado musical, Michael finalmente resolveu suas diferenças com a Sony. Ano passado, ele assinou um novo acordo, logo após o afastamento do presidente da gravadora, Tommy Mottola. Será que a reconciliação tem alguma coisa a ver com a saída de Mottola, que também cuidava das carreiras da ex-mulher Mariah Carey e de Michael Jackson?

George Michael diz, sem rodeios: "Teve tudo a ver com a saída de Mottola. Nunca tive qualquer problema com a Sony no Reino Unido, mas a América comanda as cordas das finanças. Se você se desentende com o patrão, está encrencado."

Quanto ao incidente no banheiro, que Michael parodiou há alguns anos num video chamado "Outside", pouco exibido nos Estados Unidos, o cantor declara: "De um modo bizarro, acho que estava desesperadamente tentando evitar a tristeza quer tomou conta depois da morte de minha mãe. Estava enojado de todo o sofrimento causado em minha vida por coisas que eu não podia controlar. Creio que poderia ter evitado o problema se tivesse lutado mais por minha carreira, naquele momento."

Seis anos depois, Michael diz que suas prioridades são inteiramente diferentes. "Patience" será seu ultimo CD com lançamento comercial, ele diz, com exceção de um álbum formado por duetos que ele já prometeu à Sony. "Depois disso, minha música será basicamente distribuída de graça pela Internet. Irei escrever e tocar a medida em que as coisas forem acontecendo, em vez de lidar com essa enorme pressão de ter que lançar um álbum novo a cada três anos."

Turnês,acrescenta, "irão depender do meu relacionamento com a imprensa. Com certeza vou querer fazer shows para cantar as futuras canções, mas as turnês completas e demoradas não vão mais acontecer. Sei que é uma vergonha. Mas depois de 22 anos nessa atividade, cheguei a um ponto onde minha vida é mais importante que a minha carreira, e isso é decisivo para mim. Dou muito valor ao que Deus me deu em relação ao poder de comunicação com as pessoas, mas estou muito menos preocupado com o resultado comercial disso. Estou bem aliviado por ter retomado minha capacidade de escrever, e farei tudo o que for preciso para manter essa inspiração por perto." Cantor diz estar superando somente agora as mortes de seu namorado e de sua mãe Marcelo Godoy

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