Pesquisa diz que 54% dos americanos rejeitam guerra do Iraque

Susan Page
Em Washington

Na sua maioria, os americanos hoje consideram que a decisão de enviar tropas de seu país para o Iraque foi um erro. Esta opinião foi apurada por uma pesquisa promovida por "Usa Today", a CNN e o instituto Gallup. Além disso, pela primeira vez, a maioria da população também estima que a guerra naquele país tornou a nação mais exposta ao terrorismo.

A pesquisa, que foi efetuada nesta semana, de segunda a quarta-feira (21 a 23/06), indica que houve uma reviravolta na opinião em relação à guerra no espaço de menos de um mês. A situação de violência permanente no Iraque, além das dúvidas crescentes que têm surgido em torno dos motivos alegados pela administração Bush para justificar a guerra está aparentemente corroendo o apoio da população, até mesmo no momento em que os Estados Unidos se preparam para entregar, na próxima semana, a soberania a um governo iraquiano interino.

Esta é a primeira vez desde a guerra do Vietnã que uma maioria de americanos qualifica como erro uma operação em grande escala das forças armadas do país. Quando a guerra no Iraque começou, no ano passado, a população, por uma diferença de três contra um, estimava que o envio de tropas não constituía um erro. Além disso, há três semanas apenas, 58% das pessoas consultadas ainda mantinham esta opinião.

Hoje, 54% dentre elas consideram que foi um equívoco.

A crescente animosidade das atitudes em relação à guerra poderia representar, daqui para frente, um número maior de desafios para o George W. Bush, que planeja manter milhares de soldados americanos no Iraque, mesmo depois da entrega da soberania. Enquanto o presidente sempre vinculou a guerra à luta contra o terror, 55% das pessoas entrevistadas estimam agora que a guerra aumentou a vulnerabilidade dos Estados Unidos ao terrorismo.

Em dezembro de 2003, 56% haviam dito que a guerra tornava os Estados Unidos mais seguros.

Mesmo assim, Bush conseguiu obter um melhor resultado contra o candidato Democrata, John Kerry, possivelmente por causa do advento de um maior otimismo da população em relação à economia. No campo das intenções de voto, Bush está um ponto percentual na frente de Kerry (48% a 47%), enquanto o candidato independente Ralph Nader soma 3%. Três semanas atrás, Kerry liderava com 49%, contra 43% para o seu oponente.

A pesquisa, para a qual foram entrevistados 1.005 americanos, tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A margem de erro da consulta sobre as intenções de voto é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.

"Os americanos estão perdendo a sua confiança" na guerra, comentou a antiga secretária de Estado, Madeleine Albright, durante uma teleconferência organizada pela equipe de campanha de John Kerry. Ela acrescentou que Bush enfrenta um "problema de credibilidade" em relação ao fracasso em encontrar armas de destruição em massa no Iraque, ou ainda na ausência de vínculos comprovados entre os autores dos atentados de 11 de setembro de 2001 e Saddam Hussein.

Na semana passada, a comissão independente que investiga estes atentados divulgou que "nenhuma evidência crível" deste vínculo havia sido encontrada. Mesmo assim, 44% das pessoas interrogadas dizem acreditar que Saddam esteve envolvido pessoalmente nos atentados de 11 de setembro.

Matthew Dowd, o estrategista em chefe da campanha de Bush, declarou que as mudanças das atitudes em relação à guerra refletem, segundo ele, a intensa cobertura dos meios de comunicação, mostrando "terroristas perpetrando atos terríveis contra as pessoas, tais como cortar a sua cabeça".

Contudo, ele acrescentou: "O fato de as pessoas sentirem esse mal-estar não as leva a se sentirem melhor em relação a Kerry, nem pior em relação a Bush".

Na verdade, parece haver muito pouco espaço para a persuasão, seja de um lado ou do outro, em meio a um eleitorado cuja polarização se intensificou de maneira espantosa. Com efeito, cerca de 9 entre 10 eleitores afirmaram que "não existe chance alguma, aconteça o que acontecer", para que eles mudem de opinião e resolvam trocar de candidato. Levantamento revela, entretranto, recuperação da intenção de voto do presidente Bush Jean-Yves de Neufville

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