Ídolo do vôlei de praia dos EUA apenas comentará Jogos de 2004

David Leon Moore

E assim, após um processo de qualificação de 18 meses cheio de reviravoltas; depois de quatro anos pensando em possíveis parcerias; depois do velho leão do esporte ter encontrado uma fonte de juventude, chegamos a isso: o jogador que talvez tivesse a maior chance de dar continuidade, em Atenas, à série de medalhas de ouro olímpicas no vôlei de praia dos EUA estará narrando os jogos da sala de imprensa, em vez de enterrando seus dedos nas quadras de areia.

Karch Kiraly, que com Kent Steffes triunfou na estréia do vôlei de praia nas Olimpíadas de 1996 em Atlanta, voltou ao topo do esporte com 43 anos e foi o número 1 da AVP (associação dos jogadores profissionais dos EUA). Ele venceu, com o parceiro Mike Lambert, as duas últimas etapas da turnê, em Manhattan Beach e San Diego.

Se os EUA tivessem permissão da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para fazer seu próprio torneio de seleção, como aconteceu em Baltimore em 1996. Kiraly, o único a ter três medalhas de ouro olímpicas no vôlei, provavelmente conseguiria uma vaga com Lambert.

Em vez disso, os EUA, que terão duas equipes masculinas em Atenas, serão representados por duplas que até agora não foram muito dinâmicas. Uma delas, Dain Blanton e Jeff Nygaard, já se qualificou pelo sistema da FIVB, que contabiliza os pontos obtidos nos últimos 18 meses no Circuito Mundial.

Blanton já foi campeão olímpico. Ele e seu parceiro Eric Fonoimoana, na época, pareciam ter saído do nada, chegaram ao topo na hora certa e conquistaram uma medalha de ouro em Sydney, em 2000. Eles nunca tinham vencido um torneio internacional antes disso e nunca venceram outro desde então. Eventualmente, separaram-se.

Blanton, que em 1997 tornou-se o primeiro afro-americano a vencer um evento de praia, juntou-se a Nygaard, ex-estrela do vôlei de quadra coberta, de 2,04m. Eles chocaram a todos vencendo seu primeiro torneio internacional juntos, na Grécia, em junho de 2003.

Eles jogaram bem juntos a maior parte do ano passado, particularmente na turnê da AVP, em que venceram três torneios e Nygaard foi nomeado MVP (mais valioso jogador). Mas eles nunca mais venceram um torneio da FIVB.

De fato, 2004 foi quase desastroso para os dois, diante da competição internacional, que se tornou muito melhor nos últimos quatro anos, liderada pelos brasileiros, alemães e, acredite se puder, os suíços.

Blanton e Nygaard, no circuito da FIVB, jogaram seis torneios e o melhor que conseguiram foi um sétimo lugar. Seu melhor jogo foi uma derrota por 10 pontos a 12. "Tivemos alguns obstáculos", diz Blanton.

As duas equipes competindo pela segunda vaga americana também não impressionaram. Dax Holdren e Stein Metzger, que conquistaram um impressionante segundo lugar no campeonato mundial da FIVB em outubro, jogaram sete eventos da FIVB neste ano e o melhor que obtiveram foi o quarto lugar. Nos dois últimos eventos, em meio à pressão de tentar assegurar uma vaga olímpica, eles terminaram em 25º.

Todd Rogers e Sean Scott, que têm uma chance de superar Holdren e Metzger até o prazo final para contagem de pontos, no dia 11 de julho, também perderam sete torneios da FIVB e sua melhor classificação foi um quarto lugar. Isso tudo faz os fãs de vôlei americanos gritarem: "Volte Karch!"

"Ouço muito isso", disse Kiraly, rindo. "As pessoas dizem: 'Você e Mike não podem entrar? Vocês estão jogando tão bem.' Mas não é assim que funciona o sistema." Em vez disso, Kiraly será analista da cobertura de vôlei de praia da NBC. E continua cheio de esperança -e orgulho nacionalista.

"Sou americano", diz ele. "Os americanos pegaram ouro em Atlanta e Sydney, e adoraria vê-los fazer isso de novo." Mas, admite, não será fácil.

"Não se espera que as duas equipes americanas cheguem à final, mas estou otimista", diz ele. "Não foi um início de temporada muito auspicioso -aliás, nem o meio da temporada. Só espero que melhore no final."

Blanton e Nygaard também. Blanton, 32, é um jogador talentoso que, às vezes, tem dificuldades com o saque. Nygaard, 31, nem sempre é a presença física na rede que gostaria de ser e foi prejudicado nesta temporada por dores nas costas. Eles estão na Noruega nesta semana, para outra tentativa no Circuito Mundial, antes de voltar para casa e jogar no torneio da AVP da semana que vem, em Belmar, Nova Jersey.

Eles acham que ainda podem esquentar na hora certa -em Atenas. "Se não achasse possível, não iria", diz Blanton. Sua história de Cinderela com Fonoimoana, nas Olimpíadas de 2000, ainda está fresca em sua memória. "Não podíamos ter imaginado coisa melhor", diz ele.

Em agosto, Nygaard espera ver o feito se repetir. Como bloqueador na equipe americana de quadra coberta, Nygaard terminou em 9º lugar nas Olimpíadas de 96 e em 11º em 2000, apesar de ter ficado no banco em Sydney, enfraquecido com mononucleose e dor de garganta.

"Minha pontuação foi de 2-8 nas Olimpíadas. Eu não fui às Olimpíadas para ficar em 2-8. Ser o ponto fraco na história do vôlei olímpico americano não é algo de que me orgulho. Todo mundo diz que devia me alegrar por simplesmente ter jogado nas Olimpíadas. Bem, isso não é o suficiente para mim." Kiraly, vencedor de três ouros olímpicos, fica fora da disputa e fragiliza a equipe do país Deborah Weinberg

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