Kerry está prestes a escolher vice e sair da sombra de Clinton

Chuck Raasch
Em Washington

O candidato democrata John Kerry está prestes a anunciar a decisão mais importante de sua vida política - o nome do seu indicado para a vice-presidência. Mas essa escolha ainda acontecerá à sombra do popular ex-presidente Bill Clinton.

Alguns acreditam que toda a agitação em torno das 957 páginas da autobiografia de Clinton, "My Life" (Minha Vida), serve de ajuda ao candidato democrata à presidência, pois faz os americanos se lembrarem dos bons tempos da economia dos anos 90.

Mas boa parte da repercussão do livro tem sido sobre a defesa e as justificativas de Clinton a respeito dos escândalos sexuais que afetaram sua o final de seu segundo mandato. O prolixo auto-retrato de Clinton tem o potencial de fazer o que o seu desastroso discurso fez na convenção democrata de 1988: prolongar em excesso as suas boas-vindas.

O livro de Clinton mostra uma diferença básica entre Republicanos e Democratas. O sistema republicano detecta seus indicados favoritos e faz com que o partido se converta à sua escolha, o mais rapidamente possível. Os defensores de George W. Bush começaram a criar uma aura de inevitabilidade em torno dele em 1999, um ano antes da eleição. Assim que terminou o episódio desagradável das primárias com o "indomável" John McCain, os refletores do partido rapidamente se concentraram na figura de Bush.

Do outro lado, como por contraste, os democratas esse ano estão "bagunçando o coreto" e criando muitos embaraços para Kerry. Al Gore tem feito discursos explosivos que acentuam as diferenças entre ele e Kerry quanto à guerra no Iraque. Agora a "Vida" de Clinton traz de volta Monica Lewinsky, Ken Starr e o tema das conspirações de direita.

Kerry poderia sair da sombra de Clinton se indicar seu companheiro logo depois do feriado de 4 de julho, data da independência americana. Baseada em conversas com pessoas que ultimamente têm discutido indicações em potencial com assessores de Kerry, aqui está uma lista, com as chances dos nomes que estão no páreo:

  • Senador John Edwards, do Estado da Carolina do Norte:

    Esse jovem senador seria como um show de fogos de artifício na parada de 4 de julho. A escolha desse hábil e telegênico homem de campanha criaria uma explosão de entusiasmo em julho.

    Mas em outubro, Edwards poderia fracassar se a atenção se voltar sobre sua falta de experiência. Ele está no Senado há menos de seis anos. Kerry tem dito que a prioridade dele será escolher alguém capaz de assumir a presidência. A falta de experiência, especialmente no que diz respeito à política externa, poderia ter efeito bem negativo sobre eleitores em busca de líderes fortes numa era de terrorismo. Mas Edwards se saiu bem nas primárias e tem muito apoio entre democratas militantes. Chances: as maiores do páreo, pagando 3-1, com possibilidades estáveis.

  • Deputado Dick Gephardt, do Estado de Missouri (centro-sul do país):

    É um favorito sentimental do candidato. Alguns acham que Kerry faria bem em escolher esse preferido dos setores trabalhistas, e em deixá-lo a vontade nos Estados do meio-oeste que não foram atingidos pela recuperação econômica e onde a disputa será mais equilibrada. Gephardt fala a linguagem dos empregos, do comércio e de outros assuntos que são discutidos no dia-a-dia dos lares americanos.

    Mas com a melhora da economia e os consumidores mais confiantes, a mensagem econômica dos democratas poderia não ser tão poderosa quanto o partido imaginava anteriormente. Outro problema: Gephardt teve péssimo desempenho nas primárias iniciais, no Estado de Iowa. Chances: 5-1, mas em queda.

  • Senador Bob Graham, democrata da Flórida:

    É fato conhecido que Graham entregou aos assessores de Kerry caudalosas anotações que fez ao longo dos anos, o que confirma sua condição de concorrente. Como ex-governador que se transformou num especialista em assuntos de inteligência e de política externa no Senado, Graham talvez tenha o melhor currículo para ser o vice-presidente. Kerry gosta de Graham, se sente à vontade ao lado dele. Graham poderia ajudar Kerry a vencer na (polêmica) Florida, que decidiu a eleição de 2000.

    Problemas: idade (67 anos), saúde (operou o coração no ano passado) e uma imagem ligeiramente extravagante (as já mencionadas anotações teriam mais abobrinhas mundanas do que propriamente grandes idéias, o que daria muito material a jornalistas e farejadores republicanos). Chances: 6-1, com viés de alta.

  • Governador Tom Vilsack, do Estado de Iowa (centro do país):

    Esse governador tem uma história emocionante - órfão, durante a vida adulta morou numa daquelas típicas cidadezinhas da região central, no Estado de Iowa, onde a disputa deverá ser equilibrada, com ligeira vantagem para os democratas.

    Mas Vilsack pode ter violado uma regra que não é escrita, mas que sempre vale para os candidatos a vice: ele está em campanha excessivamente explícita, com entrevistas recentes à mídia em geral. Chances: 6-1, estáveis.

  • Concorrente- surpresa, "X":

    A lista de candidatos em potencial elaborada pela mídia é tão extensa que poderá não haver surpresa alguma no dia 4 de julho, o que furaria a estratégia de Kerry. Poderia ser Hillary Rodham Clinton? A governadora de Kansas, Kathleen Sebelius? A história recente mostra que qualquer possibilidade aqui citada deve ser considerada.

    Afinal de contas, foi assim com Dick Cheney, que saiu dos bastidores da campanha de Bush direto para o topo da lista de indicados a vice em 2000. Cai o número de possíveis companheiros de chapa; senador John Edwards é o favorito Marcelo Godoy
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