Celebridades americanas fazem sua guerra a George W. Bush

William Keck

Naquela que está se delineando como uma das mais sujas eleições presidenciais em décadas, os ataques a Bush estão se transformando no esporte da moda entre as celebridades.

Mas em um ambiente cada vez mais polarizado, demonstrações não solicitadas de críticas anti-Bush parecem estar saindo de controle, alienando tanto republicanos quanto democratas. Aqui estão alguns exemplos recentes:

  • Em um evento para a arrecadação de verbas para a campanha de John Kerry, em 8 de julho, Whoopi Goldberg fez várias piadas pesadas com o nome de Bush. As reclamações que se seguiram fizeram com que Goldberg fosse afastada do papel de porta-voz nesses eventos. O episódio gerou críticas de ambos os partidos.

  • Em um concerto em 14 de julho, o roqueiro Ozzy Osbourne cantou "War Pigs" (Porcos de Guerra) enquanto era projetada em uma tela uma imagem de Bush com Adolf Hitler. Após reclamações, a imagem foi retirada dos concertos.

  • O sucesso do cantor de hip-hop Jadakiss, "Why" (Por quê?), culpa Bush pelo 11 de setembro. Ele canta: "Por que Bush derrubou as torres?". Algumas estações de rádio editaram esse trecho.

    Até mesmo o aparentemente inócuo pedido feito por Linda Ronstadt, no seu concerto de sábado em Las Vegas, para que a platéia visse o filme anti-Bush "Fahrenheit 9/11", incitou alguns ouvintes e fez com que ela fosse despedida pelo Hotel e Cassino Aladdin.

    Embora esses incidentes pareçam estranhos, as celebridades, e especialmente os músicos, há muito causam controvérsia durante períodos de guerra, diz o especialista em assuntos presidenciais Doug Brinkley, do Centro Eisenhower, e autor do livro "Tour of Duty: John Kerry and the Vietnam War" (algo como "Jornada do Dever: John Kerry e a Guerra do Vietnã").

    "Esse comportamento não é novo. Durante a Guerra do Vietnã, Hollywood denunciou veementemente Lyndon Johnson e Richard Nixon", diz Brinkley. "Tínhamos os Smothers Brothers na televisão e atores como Donald Sutherland e Jane Fonda".

    Brinkley acredita que o movimento anti-Bush está em ascensão devido à guerra no Iraque. "Os artistas gostam de se enxergar como contrários à guerra", afirma. "Ser pacifista faz parte desse território. 'Fahrenheit 9/11' mobilizou ainda mais as celebridades, várias das quais não são intelectuais profundos", explica Brinkley.

    Algumas celebridades estimulam a polêmica. "Em Hollywood você marca pontos ao ser diferente, de forma que há um aspecto publicitário nisso", diz Brinkley.

    Não é de se surpreender que ambos os partidos estejam alimentando a controvérsia.

    "O ódio e o sarcasmo que emanam da campanha de Kerry existem há meses", diz o porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt. Os democratas procuram evitar ofender as celebridades. O porta-voz de Kerry, Allison Dobson, diz: "Não temos nada a ver com muitas dessas coisas. Essas pessoas não falam por nós".

    Goldberg diz que acha insincera a indignação com o movimento anti-Bush, especialmente quando "os ataques aos candidatos se tornaram a norma na televisão, nos discursos e até nos programas matinais de domingo".

    "Para mim parece estranho que alguém se mostre surpreso quando esses ataques se tornaram normais", disse Goldberg em uma declaração à imprensa. "Vejam as propagandas. Eles atacam uns aos outros para exibirem uma melhor imagem".

    Mesmo assim, Dobson diz que Kerry espera que as celebridades que o apóiam mantenham um clima positivo. "Mas é claro que não temos controle sobre essas pessoas". Nunca os artistas atacaram tanto, e com tanta veemência, um candidato como em 2004 Danilo Fonseca
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