Kim Cattrall troca o sexo na cidade por um rinque de patinação

Susan Wloszczyna

Samantha, quem diria, está na Disney. E, ainda por cima, sobre o gelo. "Estou passando o verão num rinque de patinação, toda enfeitada, dos pés à cabeça", diz a atriz Kim Cattrall, falando, de um set de filmagem em Toronto, sobre "Ice Princess", o primeiro trabalho de interpretação dela desde o final de "Sex and the City", na HBO, seriado encerrado após seis temporadas.

Agora a revelação mais chocante: "Não há nenhum homem a vista". Antes de "Sex", a atriz, que demorou a florescer, parecia empacada no universo das produções-B. Ela participou daqueles dois "épicos" do cinema besteirol americano dos anos 80, "Porky's" e "Loucademia de Polícia". Depois, ela esteve num filme de Tom Hanks. Pena que o filme era a mal sucedida adaptação de "Fogueira das Vaidades", o ótimo romance de Tom Wolfe.

Mas a oportunidade da vida de Kim chegou em grande estilo, quando ela entrava na faixa dos 40 anos. O apogeu na carreira veio com o personagem Samantha, uma das mulheres mais sensuais e maliciosas que já apareceram na TV a cabo, nua em várias cenas e com a boca suja e afiada.

Sua interpretação calorosa da extremamente libertina Samantha Jones na série "Sex and the City" acaba de lhe valer a quinta indicação para o Emmy. E muita tinta de jornal tablóide foi gasta durante anos, devido a suas proezas em cena (a personagem ostentava em média uma conquista por semana, muitos homens e também a Sonia Braga!) e fora de cena, nos bastidores (com os boatos de desentendimentos entre ela e a estrela do seriado, Sarah Jessica Parker).

Agora Cattrall, que fará 48 anos em agosto, está cheia de novidades na vida pessoal e no trabalho. "Houve muitas mudanças esse ano. Teve o final da série, e meu divórcio (do terceiro marido Mark Levinson) que finalmente se completou. Também estou começando a produzir. Vendi meu apartamento em Nova York, e o novo está tendo que esperar."

Sem falar que ela está fazendo um filme-para-família, só pra variar. "Meus sobrinhos são jovens e não puderam assistir ao meu trabalho nos últimos seis anos", diz. "Esse filme vai ser um presentão para eles".

No filme da Disney com estréia americana prevista para dezembro, Kim Cattrall vive uma "treinadora bem durona" e mãe solteira, que projeta suas ambições artísticas na patinação sobre uma garota-prodígio em potencial (Michelle Trachtenberg, a irmãzinha do garoto da série "Buffy, a Caça-Vampiros").

Parece aquela rotina de filmes de esporte, mas Cattrall garante que ela está injetando todo o humor possível, ainda mais porque contracena e quebra o gelo com uma primeira dama da comédia, Joan Cusack, que vive a mãe da tal princesa do gelo que consta no título do filme .

Viver um papel tão diferente pareceu bem estimulante, a ponto de a atriz ter tomado a decisão controvertida de não fazer a versão longa-metragem de "Sex and the City", tendo priorizado "Ice Princess".

"Pela primeira vez em seis anos, eu entrei numa outra pele", confessa Cattrall. "Agora não há mais aquela sensação de conforto ao redor. Foi incrivelmente libertador ter vivido a Samantha. Eu a conhecia por dentro e por fora. Já essa mulher é tão diferente, bloqueada e frustrada, e vive de uma maneira bem cautelosa."

Vale a pena ver Kim Cattrall até quando ela está domada, garante o diretor de "Ice Princess", Tim Fywell. "Para mim foi estimulante escalar uma pessoa que não era a escolha mais óbvia para a personagem. Foi um passo corajoso para ela, ainda mais porque a personagem é potencialmente antipática. Mas há esse elemento de bravura pessoal em Kim. Ela explora seus limites, com um leve sentimento de perigo".

Mas calma, que Cattrall não abandonou completamente o sexo. Agora estará explorando o sexo de um jeito mais acadêmico. Através de sua própria empresa produtora, Fertile Ground (Terra Fértil), ela vai passar os próximos oito meses viajando para locais como Pompéia, na Itália, no Chipre e em Dorset, na Inglaterra, para filmar "Sexual Intelligence"(Inteligência Sexual), um documentário que a HBO americana irá exibir no ano que vem.

"É sobre a história da sexualidade e do desejo, com um olhar retrospectivo irreverente e um curioso olhar em direção ao futuro".

Ela será a narradora e aparecerá diante da câmera, conduzindo os espectadores nessa viagem aos anais da carnalidade e instigando com questões provocantes um coro grego formado por gente normal de todas as orientações sexuais.

A atriz, que já está sendo considerada a Mae West do século XXI, está bem consciente de que, se não fosse seu picante alter ego da TV, jamais teria a oportunidade de ser uma embaixadora de nossos desejos libidinosos ou de escrever um livro best-seller, co-escrito com o ex-marido Levinson, "Satisfaction: The Art of the Female Orgasm" (Satisfação: A Arte do Orgasmo Feminino).

"Sem a Samantha, eu não teria essa incrível visibilidade e autoridade para falar sobre tantas coisas. "Sex and the City " nos fez menos envergonhados e menos culpados, e mais abertos em relação à sexualidade. É uma mensagem muito poderosa."

Os fãs da série sabem que, no final, Samantha termina lutando contra o câncer de mama enquanto se esquenta nos braços de um modelo garotão-de-aluguel surpreendentemente esperto.

"Ela nunca se casará e nunca sairá de Nova York", acredita Cattrall, numa espécie de predição sobre como seria o futuro da sra. Jones. "Ela veio a todo vapor e se foi a todo vapor, muito mais em contato com o seu coração e não apenas com o calor da pele".

E em relação à mulher que vive a garota fogosa: "Agora estou apaixonada pelo meu trabalho. Essa é a minha atual vida amorosa. Chega a ser reconfortante dormir sozinha na cama. Esse é um período de transição. Eu me vejo com mais desafios adiante, avançando um passo, dando um passo para trás. Estou dançando pela vida, com conseqüência e determinação."

Sobre o roteiro do tal filme, e toda a conversa sobre dinheiro Kim Cattrall é uma egoísta, uma verdadeira diva estraga-prazeres. As ex-colegas do seriado "Sex and the City" adorariam poder matar a personagem Samantha e seguir com os planos para a versão em longa-metragem do memorável seriado da TV a cabo.

Elas ficaram na vontade.

Quando Cattrall decidiu que não era uma boa idéia rejeitar outros projetos enquanto o filme de "Sex" estivesse em produção, a HBO resolveu cancelar a película, levantando uma poeira de fofocas e comentários amargos. Os assessores dela declararam que Kim deveria seguir em frente, com outros projetos.

Mas o que eles não declararam foi que Cattrall estava exigindo direitos de aprovação do roteiro e queria receber a mesma quantia de Sarah Jessica Parker, cuja personagem Carrie era a protagonista.

"Esquece esse negócio de aprovação do roteiro", diz Catrall. "Eu queria um roteiro. O motivo de fazer o filme seria o de chegar a propostas que ainda não haviam sido realizadas, o que seria bem difícil, já que fizemos tanto no seriado".

Quanto ao dinheiro, "Eu queria que todos nós tivéssemos uma fatia realmente significativa. Todas nós trabalhamos durante seis anos, 18 horas por dia. Achei que seria uma vergonha ter que voltar transigindo no aspecto financeiro, sem recompensar as atrizes que tiveram tanto a ver com o formato e o sucesso do programa".

Além disso, "Tive um tremendo apoio de pessoas cuja opinião era de que estava ainda muito cedo para se fazer o filme. Isso não impede o projeto de ser realizado no futuro". Samantha de "Sex in the City" estrela filme familiar da Disney e quer superar a série

UOL Cursos Online

Todos os cursos