Sede de vitória move futebol feminino dos EUA

Scott Pitoniak
Em Rochester, Nova York

A cena antológica da jogadora Brandi Chastain tirando a camisa depois de vencer a finalíssima da Copa do Mundo feminina de Futebol aconteceu há apenas cinco anos. Mas parece tão antiga quanto os tempos da Acrópole, para muitas jogadoras da atual seleção americana de futebol.

Aquele pênalti bem batido rendeu euforia e capas nas revistas "Time", "Newsweek", "Sports Illustrated" e "People". Desde então, os Estados Unidos vêm lutando para manter a liderança mundial na modalidade. Mas as derrotas nas Olimpíadas de 2000 e na Copa do Mundo feminina, disputada ano passado em solo americano, indicam que os outros países estão evoluindo no futebol feminino. E a jogadora Mia Hamm acredita que a responsabilidade por essa perda da hegemonia é delas mesmas, das jogadoras americanas.

"Isso é sinal de que a popularidade e a qualidade no nosso esporte estão em alta entre as mulheres, e eu gostaria de acreditar que os nossos sucessos tiveram a ver com isso", diz Hamm, que vai encerrar sua bem sucedida carreira no futebol agora, nos Jogos de Atenas.

"Mas também tem sido difícil aceitarmos as últimas derrotas, porque somos atletas competitivas e estabelecemos um padrão tão alto, gerando altas expectativas para nós mesmos. Tem sido frustrante porque não estamos alcançando o que almejamos".

Essas frustrações ajudaram a motivar o time americano durante os cinco meses de rigoroso treinamento pré-olímpico, comandado pela treinadora April Heinrichs.

"Decididamente estamos com sede de vitória", garante Hamm. "Mas só a vontade não vai nos levar de novo ao topo. Precisamos repensar nossa abordagem e nossa estratégia. Devemos ser versáteis e sofisticadas o bastante para jogar com uma variedade de sistemas e atacar com estratégias diferentes para cada adversário. Descobrimos na última Copa do Mundo que equipes como as da Suécia e da Alemanha elevaram o jogo a um novo patamar. Elas aumentaram as apostas e o cacife do jogo. Cabe a nós responder e virar esse jogo".

A fila estará andando nesses Jogos Olímpicos. Para as novatas, a expectativa é de que essa seja a despedida da base veterana da seleção -formada por Hamm, Chastain, Kristine Lilly, Julie Foudy e Joy Fawcett.

"Foram elas que estabeleceram os padrões para nossa geração", admite Abby Wambach, 23, uma das estrelas em ascensão. "Eram elas as mulheres que estavam nos posters em nossos dormitórios. Abriram o caminho para a gente, então a última coisa que gostaríamos é de decepcioná-las. Queremos que elas se despeçam como vencedoras".

Também está em jogo o futuro do futebol feminino profissional nos Estados Unidos. A associação WUSA (Women's United Soccer Association) interrompeu suas atividades no ano passado, após dois anos de funcionamento. Tinha sido fundada após a vitória dramática na final da Copa feminina de 1999.

"Acreditamos que a entidade poderá voltar a existir, ganhando o impulso necessário nos próximos Jogos", diz Wambach, artilheira americana da Copa de 2003, com três gols.

"Sei que a esperança de Mia e de outras veteranas era de que essa liga daria às jogadoras do futebol feminino as mesmas oportunidades profissionais no esporte que os homens já conquistaram. Várias de nós novatas queremos entrar para a história, como as outras conseguiram. E temos diante de nós uma boa oportunidade para isso."

Hamm e as outras veteranas estão bem preparadas para passar a tocha adiante. "É assim que o esporte se mantém", diz a goleira veterana Briana Scurry. "Tivemos um núcleo de jogadoras que surgiram juntas, amadureceram e venceram juntas, e acredito que, pela experiência adquirida, é nossa obrigação passar adiante esse conhecimento e a tradição para as mais jovens. Você não pode jogar para sempre, mas a sua tradição pode, ela segue em frente".

Embora a extinção da WUSA tenha sido um tiro na água, resultou em algo de positivo, que poderá impulsionar os Estados Unidos de volta ao pódio, em Atenas.

"Foi o que nos possibilitou passar vários meses treinando, jogando e criando laços juntas, como uma verdadeira seleção", diz Scurry. "Se a Liga WUSA estivesse funcionando agora no período de primavera-verão, isso não seria possível, porque a maioria de nós teria compromissos com nossos times.

Provavelmente haveria apenas poucas semanas para tentar o máximo de entrosamento, o que seria extremamente difícil." Velha geração quer se despedir com medalha de ouro em Atenas Marcelo Godoy

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