Bush ganha ao explorar os atentados de 11/09

Por Chuck Raasch
Em Washington

Como um pouco de leitura leve destinada às férias de agosto pode conquistar votos para Bush, instigando o medo.

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Missouri chegou à conclusão de que quanto mais se lembrava às pessoas de sua própria mortalidade, e quanto mais elas assistiam a imagens dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mais elas se mostravam inclinadas a apoiar o presidente Bush em detrimento de John Kerry.

O professor de psicologia Jamie Arndt dirigiu uma pesquisa realizada junto a 374 estudantes da universidade de Missouri-Columbia, da Universidade Rutgers e da Faculdade Brooklyn. Os estudantes que responderam a perguntas sobre a morte e os atentados de 11 de setembro mostraram ser mais favoráveis a Bush do que os que responderam a perguntas sobre o ato de assistir à televisão ou a dificuldade de se passar exames.

"O 11 de setembro está murcho no espírito das pessoas, e (Bush) se beneficia com o fato de mantê-lo vivo na mente das pessoas", afirma Arndt. "Existe um vínculo claro entre as duas coisas neste contexto".

Uma das primeiras mensagens de propaganda política de Bush na televisão incluía cenas rápidas do 11 de setembro, o que despertou uma onda de críticas. Em 30 de agosto, os republicanos darão início à sua convenção nacional, no Madison Square Garden, a menos de 5 quilômetros de ground zero, o local dos atentados.

Se eles não forem transmitidos pela televisão, será que os eventos acontecem efetivamente?

Curtis Gans, o guru das taxas de participação dos eleitores, desenvolveu uma pesquisa em dez Estados onde foram realizadas eleições para governador, para o Senado e a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em 2002, o que lhe permitiu descobrir que a televisão havia ignorado mais da metade dos debates que haviam sido organizados nestes Estados naquele ano.

Das 174 confrontações que estavam previstas para acontecer na Califórnia, Florida, Indiana, Massachusetts, Minnesota, Montana, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island e Washington, 100 eventos (57%) não foram transmitidos pela televisão.

"A imagem que se destaca destas descobertas é a de um grande número de estações de rádio movidas pelo espírito cívico, que se esforçam para cumprir as suas obrigações como serviço público, por menor que seja a cobertura que elas fazem do evento, enquanto a imensa maioria das emissoras de alcance nacional persegue os maiores lucros possíveis em detrimento de uma cidadania informada", explicou Curtis Gans.

Votando religiosamente

Os pesquisadores Ariela Keysar e Barry A. Kosmin estão escrevendo um livro no qual eles exploram em detalhes a relação estreita que existe entre a religião de uma pessoa --ou a sua ausência-- nos seus hábitos eleitorais. A sua principal descoberta foi a de que os elementos mais religiosos da população estão mais inclinados a votar --e, entre estes, mais inclinados a votar em favor do Partido Republicano--, enquanto os mais laicos entre nós tendem a se ver como independentes.

O livro, intitulado "Religion in a Free Market" (Religião num Mercado Livre) tem o seu lançamento previsto para o ano que vem, mas os seus autores divulgaram um sumário das suas descobertas sobre religião e política.

Eles apuraram que os protestantes tendem a ser republicanos, enquanto os não-cristãos tendem a ser democratas. Os autores também chegaram à conclusão de que a religião faz pouca diferença entre os eleitores negros. Na sua imensa maioria, eles se identificam primordialmente com o Partido Democrata, pouco importando se eles são católicos, batistas ou agnósticos.

Ariela Keysar, uma especialista em demografia e chefe-pesquisadora no departamento de estudos da Faculdade Brooklyn, em Nova York, e Barry Kosmin, um sociólogo, realizaram a sua pesquisa sob a orientação do Centro de Diplomados da Universidade da Cidade de Nova York.

Entre liberais e conservadores, será que nós não podemos simplesmente chegar a um entendimento?

Pesquisadores da Faculdade William & Mary, na Virgínia, e da Universidade de Missouri-Columbia tentaram determinar se os que se definem como liberais são mais compassivos que os que se proclamam conservadores (quem não se lembra do dia em que Bush declarou ser um "conservador compassivo"?).

Conclusão da pesquisa: não existe nenhuma diferença de empatia.

As pesquisadoras da Faculdade William & Mary, Lisa Anderson e Jennifer Mello, junto com Jeff Milyo, da Universidade do Missouri, criaram dois grupos padrões distintos de conservadores e liberais, tendo por base uma pesquisa de opinião sobre as suas atividades e convicções políticas.

Pediu-se então a vários indivíduos de cada grupo para que eles dessem uma contribuição destinada a ajudar diversas pessoas necessitadas, mas de uma maneira que fosse contrária ao interesse pessoal de cada um deles. Cada um dos grupos forneceu quantias semelhantes entre os que aceitaram dar a sua contribuição.

Apesar do estereótipo segundo o qual os liberais seriam mais compreensivos do que os conservadores, Jeff Milyo indicou que os pesquisadores "apuraram que os democratas e os liberais se comportaram de maneira similar aos republicanos e aos conservadores durante as experiências". Pesquisa mostra características dos eleitores norte-americanos Jean-Yves de Neufville

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