Seqüências dominam cinema dos EUA em 2004

Scott Bowles
USA Today

Por mais que o verão tivesse terminado com uma choradeira em vez de uma grande animação, Hollywood, mesmo assim, conseguiu mais uma vez registrar um recorde de bilheteria para este verão.

Apesar de um feriadão do Dia do Trabalho que se revelou bastante morno em termos de bilheterias, as vendas de ingressos somaram US$ 3,9 bilhões (R$ 11,36 bilhões), segundo a firma Nielsen EDI, especializada nestes tipos de levantamentos. Esse resultado supera por muito pouco o recorde do verão passado, que havia sido de US$ 3,8 bilhões (R$ 11,07 bilhões), para a temporada do ano que é considerada a mais importante para Hollywood.

Mesmo assim, este faturamento recorde contou com o auxílio da inflação. De fato, a afluência do público teve uma ligeira diminuição em relação ao ano passado.

Os americanos compraram cerca de 624 milhões de ingressos para assistir a filmes neste verão, o que representa uma queda se comparado com os 630 milhões de ingressos do ano passado. Os preços dos ingressos aumentaram, passando de um valor médio de US$ 6,03 (R$ 17,57) em 2003 para cerca de US$ 6,25 (R$ 18,21) neste ano.

Mais uma vez, as continuações provaram ser a chave do sucesso dos estúdios, uma vez que a implantação das "franquias" dos filmes "Shrek," "Homem-Aranha" e "Harry Potter" lideraram todos os filmes do verão. "O Dia Depois de Amanhã" foi o único filme que não seja uma continuação a estar entre os cincos primeiros no ranking dos filmes de maior bilheteria.

"Se formos fazer um balanço, creio que o que este verão nos ensinou foi que as pessoas se mostraram razoavelmente satisfeitas", diz Marc Shmuger, o vice-presidente da produtora Universal Pictures, que registrou a quinta maior bilheteria da temporada com "The Bourne Supremacy" (A Supremacia Bourne), continuaçãop de "A Identidade Bourne", com Matt Damon.

"Eu não acho que esta satisfação tivesse sido tão extraordinária assim, mas, quer saber de uma coisa? No final das contas, uma satisfação razoável vale mais do que uma avaliação extremamente negativa".

A grande surpresa deste verão veio do fato de o público adulto ter escolhido alguns poucos filmes por conta própria. O incendiário "Fahrenheit 11 de Setembro", de Michael Moore, tornou-se o primeiro documentário a transpor a barreira dos US$ 100 milhões (R$ 291,34 milhões) em termos de faturamento nas bilheterias, sendo o nono filme mais visto nos Estados Unidos neste verão, com um faturamento total de US$ 117,6 milhões (R$ 342,62 milhões).

"Nós dissemos desde o início que 'Fahrenheit' não era apenas informativo, mas que ele era também mais do que divertido", explica Tom Ortenberg, o presidente da Lions Gate Films, uma das firmas que distribuem o filme. "Nós sempre achamos que foi a combinação destas duas coisas que fez com que ele atraiu um público considerável em todo o país".

O mesmo não pode ser dito de vários filmes que estrearam durante este fim de semana. "Hero", o filme de artes marciais do cineasta Jet Li, lidera o ranking da melhor bilheteria pelo segundo fim de semana consecutivo, registrando um faturamento de US$ 11,5 milhões (R$ 33,50 milhões).

"Hero" foi o único filme a faturar mais de US$ 10 milhões (R$ 29,13 milhões) neste fim de semana prolongado.

A maior estréia do fim de semana foi a fita de vingança "Paparazzi", que faturou US$ 7,9 milhões (R$ 23,02 milhões), o que lhe permitiu se alçar ao quarto lugar.

"Wicker Park", o thriller de suspense estrelado por Josh Hartnett, estreou no sexto lugar, com US$ 6,8 milhões (R$ 19,81 milhões), ou seja, cerca de US$ 2 milhões abaixo das expectativas.

Este não foi um fim de semana dos melhores, nem para filmes ambientados em meio urbano nem na era victoriana. "Vanity Fair", com Reese Witherspoon e a comédia produzida por Queen Latifah intitulada "The Cookout" arrecadaram apenas US$ 6,1 milhões (R$ 17,77 milhões) cada um.

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