Kerry ultrapassa Bush com vitórias nos debates

Susan Page
Em Washinton

Os três debates presidenciais melhoraram a imagem do senador John Kerry junto aos eleitores, e prejudicaram a opinião destes a respeito do presidente Bush, segundo revela pesquisa USA Today/CNN/Gallup. Kerry leva uma vantagem nítida nas questões domésticas, foco do último debate, realizado nesta quarta-feira (13/10).

A disputa continua empatada. A pesquisa, realizada no último final de semana (9 e 10 de outubro), mostra que, entre os prováveis eleitores, Kerry conta com 49% das intenções de voto, contra 48% para Bush. O candidato independente Ralph Nader está com 1% das intenções de votos.

Esse resultado é praticamente o mesmo de uma pesquisa Gallup feita uma semana antes. Mas última vez em que o democrata apareceu na frente foi no levantamento divulgado em 14 de julho (50% a 45%). Nos 17 Estados nos quais as campanhas são mais competitivas, Kerry apresentou 48% das intenções de votos e Bush 45%.

O cenário se tornou pedregoso para o presidente. Os eleitores estão mais pessimistas quanto ao Iraque, à guerra contra o terrorismo e à economia. O índice de aprovação de Bush --o indicador mais confiável das chances de reeleição de um presidente-- caiu para 47%, o mais baixo desde julho.

Esses números ressaltam a importância do terceiro debate. Ele representou a última chance para que os eleitores vissem os candidatos lado a lado --e a principal oportunidade para que as campanhas alterassem a dinâmica de uma disputa que permanece indefinida.

Os eleitores consideraram Kerry o vencedor dos dois primeiros debates. Dos entrevistados, 57% disseram que o senador por Massachusetts teve um melhor desempenho no primeiro debate, cujos tópicos de discussão foram segurança nacional e política externa. Apenas 25% tiveram a mesma opinião com relação a Bush.

Com relação ao segundo debate, 45% dos entrevistados disseram que Kerry se saiu melhor. Só 30% disseram que Bush venceu. Esses números fizeram com que crescessem as expectativas de que Kerry venceria novamente Bush no debate no Arizona. Segundo pesquisa realizada logo após o confronto, 52% de 515 entrevistados disseram que o democrata se saiu melhor, enquanto 39% apontaram como superior a performance do presidente.

Outras revelações da pesquisa:

  • Com relação à economia, 64% dos entrevistados disseram que a situação é precária ou regular, e 35% afirmaram que tal situação é boa ou excelente. Além disso, 48% disseram que a saúde da economia está piorando, contra 43% que não concordam com tal afirmação. Em setembro passado, a maioria dos entrevistados acreditava que a economia estava melhorando.

  • Quanto à questão do Iraque, 54% disseram que a guerra não valeu a pena. Esse número corresponde àquele da fase de opinião mais negativa com relação à guerra, em maio, quando a imagem de um norte-americano sendo degolado e fotos de prisioneiros iraquianos sofrendo abusos foram revelados ao público.

  • A respeito do terrorismo, a confiança em que os Estados Unidos e seus aliados estejam vencendo a luta diminuiu um pouco. Segundo a pesquisa, 53% se dizem satisfeitos com a forma como é travada a guerra contra o terrorismo, contra 47% que têm opinião contrária. Em setembro, esses índices eram, respectivamente, de 59% e 40%.

  • Com relação aos candidatos e questões específicas, Kerry goza de vantagem percentual de dois dígitos quando o assunto é meio-ambiente, saúde, Medicare e déficit do orçamento federal. Ele tem uma pequena vantagem nas questões do Social Security (previdência social norte-americana), da educação e da economia.

    A grande vantagem de Bush está na questão do terrorismo, em que ele lidera por 17% percentuais. Por margens menores, ele também está na dianteira nas questões do Iraque e dos impostos. Um em cada quatro eleitores prevê que Bush aumentará os impostos de renda federais caso vença a eleição.

    O dobro dos eleitores faz a mesma previsão com relação a Kerry. Nader mal aparece na pesquisa de âmbito nacional. Mas ele estará presente nas urnas de vários Estados disputados --incluindo Flórida, Wisconsin e Novo México-- locais onde um punhado de votos pode decidir o resultado da eleição. Pela 1ª vez em três meses, pesquisa mostra o democrata na frente Danilo Fonseca
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