Kerry e Bush repetem os ataques dos debates

Dos enviados especiais
Em Tempe, Arizona

O presidente Bush criticou o senador John Kerry, nesta quinta-feira (14/10), dizendo que é um liberal que tenta esconder seu histórico. Seu oponente Democrata disse que o presidente "luta, literalmente, pelos poucos privilegiados". Os ataques marcaram o início da última fase da disputa acirrada pela Casa Branca, a fase posterior aos debates.

"Acredito que precisamos de um presidente que lute pela classe média e pelos que estão se esforçando para entrar nela", acrescentou Kerry.

As variadas pesquisas apontam para um empate técnico, enquanto Bush e seu rival Democrata mergulham nos últimos 18 dias de campanha. O empate significa que a posição de Kerry melhorou com os três debates presidenciais --apesar de os Democratas terem confirmado que deram como perdidos os cinco votos eleitorais do Estado de Virgínia Ocidental.

Houve também sinais velados de preocupação dentro do alto comando do comitê de Bush, enquanto a campanha entra no que o presidente chamou de "corrida final". Marc Racicot, diretor da campanha, disse aos repórteres que o oponente Democrata tinha tirado vantagem dos encontros face a face. "Acho que foi temporário", disse Racicot.

Kerry e Bush fizeram campanha em Nevada durante o dia. Nevada tem cinco votos eleitorais e é um dos dez Estados que ainda estão indefinidos. O senador eleito quatro vezes por Massachusetts atacou a legislação do Medicare sancionada por Bush no ano passado, dizendo que é cheia de "promessas vazias e benefícios a interesses específicos".

Kerry também criticou o cartão de medicamentos que entrou em vigor neste ano, um passo para uma reforma total do programa do Medicare que, segundo o candidato, faz pouco para cortar os custos dos remédios.

"A verdade é que, depois de não fazer nada para baixar os preços dos remédios, o presidente agora está dizendo que resolveu o problema. Está certo. E essas armas de destruição em massa vão ser encontradas em qualquer dia", disse ele com sarcasmo.

A mensagem de Bush após o debate foi simples --Kerry é um liberal que vai aumentar impostos, aumentar os gastos do governo, manter o status quo da previdência social e dar voz a outros países no uso de tropas americanas no exterior.

"Meu oponente quer estatizar a saúde", acrescentou o presidente. "Acredito que decisões de saúde devam ser feitas por médicos e pacientes, e não por autoridades em Washington".

Tentando rotular Kerry como liberal, acrescentou: "Agora ele nega o rótulo. Talvez pensasse de forma diferente, quando disse ao jornal: 'Sou liberal e me orgulho disso.'"

Além da retórica de Bush, os dois lados prepararam suas campanhas para as estratégias finais.

De acordo com membros da Casa Branca, para Bush isso significa aumentar o esforço em retratar Kerry como vira-casaca, um liberal com poucas realizações no Senado. Além disso, as autoridades disseram que o presidente vai tentar dar ênfase a uma de suas forças na campanha --sua liderança em guerra. Ele pretende viajar para Nova Jersey na semana que vem e fazer um importante discurso sobre o terrorismo.

Nova Jersey não vota no Partido Republicano desde as eleições de 1988, mas fica ao lado da cidade de Nova York e sofreu perda significativa quando os terroristas atingiram o World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001.

Kerry, tendo-se saído bem nos debates, espera usar as últimas duas semanas de campanha para convencer os eleitores de que é um substituto seguro para Bush, na era do terrorismo. O esforço incluirá uma série de discursos formulados para retratar o senador como defensor da classe média e Bush como defensor das elites.

As últimas estatísticas mostraram que 51 milhões de americanos assistiram ao menos parte do último debate presidencial. Presidente permanece tentando rotular o democrata como "liberal" Deborah Weinberg

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