EUA terão plano de metas para reduzir obesidade

Nanci Hellmich

Um novo relatório, elaborado por uma sociedade civil que defende a saúde pública nos Estados Unidos, considerou ineficientes as atuais políticas nacionais e estaduais de combate à obesidade.

O Fundo para a Saúde Americana, organização sem fins lucrativos baseada na capital Washington, tomou uma posição arrojada nessa quarta-feira (20/10), recomendando que um órgão federal de saúde, o Centro para a Prevenção e Controle das Doenças, seja declarado o "centro de comando e controle" para administrar essa crise da obesidade.

A organização reivindicou que seja criada uma estratégia nacional coordenada e agressiva. "Precisamos de um plano de metas que tenha algumas garras", declara a diretora executiva do Fundo, Shelley Hearne.

Uma só agencia ou departamento no comando desse plano teria mais condições de efetivamente coordenar programas entre agências federais e estaduais, segundo o relatório.

Cerca de 65% dos americanos estão com sobrepeso ou obesos, e cerca de 30% das crianças têm peso acima do recomendado ou correm riscos de atingir essa faixa. Os quilos a mais aumentam os riscos de diabetes, doenças cardíacas, muitos tipos de câncer, artrite e outras doenças.

O relatório sugere que o Centro para a Prevenção e Controle das Doenças forme uma força-tarefa para desenvolver um plano de ação nacional, que inclua a participação de especialistas de outras áreas; coordene todas as campanhas de educação pública, inclusive para as crianças, e estabeleça linhas de ação nutricionais, como para a Pirâmide da Cadeia Alimentar e para o Programa Nacional de Almoço na Escola, baseado nas pesquisas da área da saúde.

Tudo isso retiraria dessa questão o departamento americano de Agricultura, que então poderia se concentrar em "sua missão principal, a de promover o bom andamento da atividade agrícola", sugere o relatório.

O Fundo para a Saúde Americana recomenda que a pesquisa para cura, tratamentos e programas comunitários sobre a obesidade sejam "acelerados". Para isso, o Centro para a Prevenção e Controle das Doenças deveria:

  • constituir um Serviço Rápido de Investigação da Obesidade, de rápida implementação nas comunidades, para ajudar a criar e desenvolver investigações pormenorizadas sobre programas eficazes de prevenção e controle de peso.

  • conduzir uma investigação sobre a preparação física da juventude, que sirva para se avaliar os programas de educação física nas escolas e o impacto da boa preparação corporal no desempenho dos alunos em salas de aula.

  • estudar o impacto da publicidade na alimentação e na saúde das crianças.

    A diretora Hearne diz que o país irá salvar vidas e poupar dólares dos contribuintes se investir em programas de prevenção contra a obesidade --criando de tudo, desde a promoção de almoços escolares mais saudáveis até o aumento de pistas e calçadas, para incrementar o número de caminhantes.

    "Se gastarmos alguns dólares agora, estaremos poupando bilhões em termos de programas de previdência social no futuro", segundo a diretora. "E há muito mais que o governo poderá fazer para conter essa onda de obesidade."

    Mas Bill Pierce, porta-voz do secretário nacional de Saúde e Serviços Humanos, Tommy Thompson, diz que o órgão federal "já está implantando muitas das iniciativas recomendadas pelo Fundo para a Saúde Americana", inclusive a criação da força-tarefa, a promoção de campanhas de educação pública, o incentivo para o estabelecimento de comunidades mais saudáveis e o aumento de recursos para pesquisas sobre a obesidade.

    Vários especialistas aplaudiram as sugestões do Fundo. O relatório é "extremamente cuidadoso com o futuro", diz Kelly Brownell, diretor do Centro de Estudos sobre Distúrbios Alimentares e de Peso da universidade de Yale.

    E segundo George Blackburn, co-diretor da divisão de nutrição da Escola Médica de Harvard, "há muito trabalho pela frente". 65% dos americanos estão com sobrepeso, aponta levantamento Marcelo Godoy
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