Kerry empata com Bush, mas o supera na Flórida

Susan Page
Em Washington

O senador John Kerry eliminou a modesta vantagem do presidente Bush e os dois candidatos rumam para o dia da eleição empatados em 49%, segundo a última pesquisa nacional USA Today/CNN/Gallup, no final de uma campanha extraordinariamente dura e cara.

Em cerca de 12 Estados disputados que deverão determinar o vencedor, Kerry detém uma vantagem de 5 pontos percentuais --incluindo pequenas vantagens entre prováveis eleitores nos Estados críticos de Ohio e Flórida. Ele perde por uma vantagem semelhante no terceiro grande campo de batalha, a Pensilvânia.

Mas as pesquisas nacionais feitas pelo USA Today em seis Estados competitivos mostram que qualquer dos candidatos poderá ganhar a disputa.

A batalha entre enormes operações de arregimentação de eleitores e a perspectiva de uma enxurrada de novos eleitores são vitais para a possibilidade de Bush ganhar mais quatro anos ou juntar-se a seu pai como presidente de um só mandato.

Os resultados sugerem que a advertência feita por Osama bin Laden aos americanos em um vídeo divulgado na última sexta-feira deixou de dar um reforço a Bush, como previam alguns analistas. Esse fato e a revelação na semana passada de que 377 toneladas de explosivos desapareceram de um local no Iraque que as tropas americanas deixaram de controlar parecem ter prejudicado sua posição.

Uma semana antes, Bush havia superado Kerry em 11 pontos percentuais quanto a quem lidaria melhor com a situação no Iraque; essa vantagem encolheu para 4 pontos. A vantagem de 22 pontos que Bush detinha em relação ao combate ao terrorismo diminuiu pela metade.

Na semana passada Bush vencia Kerry por 51% a 46%. A nova pesquisa, feita com 1.573 prováveis eleitores entre sexta-feira e domingo, tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo.

"Parece um Halloween assustador para George W. Bush", diz Mark Mellman, pesquisador de Kerry. "As pessoas deste país claramente querem um novo começo."

Matthew Dowd, principal estrategista da campanha de Bush, disse que a corrida está apertada mas que o presidente está em boa posição. Ele rejeita as suposições da Gallup sobre os 3% de prováveis eleitores que se disseram indecisos.

A fórmula da Gallup assume que 9 em cada 10 desses eleitores apoiariam Kerry, com base em análises de disputas presidenciais anteriores envolvendo um presidente no cargo.

Sem considerar esses eleitores, Bush ganhava de Kerry por 49% a 47% entre os prováveis eleitores. Entre o grupo maior de eleitores registrados, Kerry supera Bush por 48% a 46%.

Os candidatos percorreram o mesmo território no domingo (31/10). Bush parou na Flórida --com comícios em Miami, Tampa e Gainesville-- antes de voar para Cincinnati (Ohio). Kerry fez campanha em Dayton (Ohio) e New Hampshire antes de ir para Tampa.

Bush pediu o apoio de democratas hesitantes e prometeu manter a guerra ao terrorismo. Kerry prometeu um "surto de atividade" e "medidas reais" para proteger a segurança da nação, se for eleito.

Conclusões da última pesquisa:

  • Uma maioria de 52% disse que está insatisfeita com a maneira como vão as coisas nos Estados Unidos. A aprovação do mandato de Bush caiu para 48%, abaixo da marca de referência crítica para presidentes no cargo, de 50%.

  • O terrorismo foi a questão mais importante citada por eleitores na pesquisa nacional e nas realizadas na Flórida e na Pensilvânia. Mas em quatro Estados do centro-oeste --Iowa, Minnesota, Ohio e Wisconsin-- a economia apareceu em primeiro lugar.

  • Na Flórida, 30% dos eleitores registrados disseram que já tinham dado seus votos, usando locais de votação antecipada e cédulas de ausentes. E eles apoiaram Kerry por 51% a 43%.

    E Ralph Nader? O candidato independente que ajudou a decidir a eleição de 2000 para Bush não é um fator muito importante desta vez. Entre 1.573 prováveis eleitores, ele tinha o apoio de 9. Última pesquisa mostra o democrata na frente nos Estados-chave Luiz Roberto Mendes Gonçalves
  • UOL Cursos Online

    Todos os cursos