Tom Wolfe ataca promiscuidade de universitários

Bob Minzesheimer
Em Nova York

O sexo está no ar na Universidade Dupont. A faculdade de elite, louca por esportes, regada a cerveja, está no novo romance de Tom Wolfe "I Am Charlotte Simmons" ("Sou Charlotte Simmons", da editora Farrar, Straus & Giroux, US$ 28,95, cerca de R$ 90).

"Sexo! Sexo! Estava no ar, junto com o nitrogênio e o oxigênio!" escreve Wolfe. "O campus inteiro estava úmido de sexo! Túmido! Lubrificado! Engasgado! Coçando! Em um estado de excitação permanente! Rutrutrutrutrutrutrutrut".

Todo esse sexo na faculdade, pontuado com as exclamações e efeitos sonoros característicos de Wolfe, receberá grande parte da atenção quando seu novo romance, de 676 páginas, for lançado na próxima terça-feira (9/11).

Em uma entrevista, entretanto, Wolfe diz que tem tanto interesse na questão de status quanto na questão do sexo, ou como diz: "A interseção de sexo com status. Grande parte do comportamento sexual tem menos a ver com a paixão e mais com status."

O assunto fascina Wolfe desde que leu o sucesso de Vance Packard de 1959, "The Status Seekers", que Wolfe chama de "sociologia acessível aos leitores".

No campus fictício de Wolfe, garotos ricos das fraternidades e esportistas exageradamente grandes definem o que é legal. As meninas, em geral, definem seu status pelos rapazes com quem dormem, ou, como chamam, "se conectam".

O sexo pode ser tão casual que se torna um jogo nas repúblicas das fraternidades: será que alguém consegue marcar com a garota sete minutos depois de avistá-la pela primeira vez?

Wolfe, por outro lado, parece ser do outro século, com seu terno branco característico, de cintura calça alta e polainas. Quando visitou Stanford, em Michigan e outras faculdades para fazer a pesquisa para o romance, vestiu-se mais casualmente: "um blazer azul e uma gravata borboleta, que por si só me destacava" dos demais.

Quando se aventurou nas festas das fraternidades, com 73 anos, "os alunos viram que eu era velho demais para ser um agente da polícia de entorpecentes".

Muitos alunos não tinham idéia de que estavam diante do autor de "Os Eleitos", sobre os primeiros dias da corrida espacial, ou "O Teste do Ácido do Refresco Elétrico", sobre a viagem de ônibus pelo país de Ken Kesey, movida a ácido, e dos romances campeões de vendas "Fogueira das Vaidades" e "Um Homem por Inteiro".

Isso não o surpreendeu. "Nesta era, nunca assumo que a maior parte das pessoas conhece muitos escritores", diz ele. "Quando foi a última vez que um autor esteve na capa da Us Weekly?"

Apesar de os estudantes não conhecerem suas obras, eles eram amigáveis e o ajudaram a entrar em um mundo com pouca semelhança com seu tempo, da classe de 1951 de Washington and Lee e de Yale em 1957 (doutorado em estudos americanos).

Há cinco anos, ele começou a visitar as universidades, inclusive: Universidade da Carolina do Norte, da Flórida, da Pensilvânia, Harvard, Yale, Princeton. Ele não foi com uma tese em mente, mas apenas com um interesse em ver "como os estudantes vivem". Ele fez sua pesquisa "pessoa por pessoa", em vez de anunciar: "Aqui estou."

Uma escola que ele não pesquisou foi Duke, onde sua filha, Alexandra, hoje repórter de 24 anos do "The Wall Street Journal", estudou. "A última coisa que ela queria era seu pai xeretando". Ele ri das especulações publicadas de que Dupont, de fato, é Duke disfarçada, transferida para Chester, na Pensilvânia.

Wolfe interessou-se pelos dormitórios mistos, onde aprendeu a noção de "dormcesto". No romance, um veterano explica a um calouro: "Este é um dormitório misto, mas isso não significa que os meninos atravessam as salas e pulam na cama com as meninas... de fato, significa que não podem fazer isso. Não há uma regra contra, mas é mal visto. É considerado patético e ridículo ser reduzido a se relacionar com alguém de sua própria casa. Chamam de dormcesto... você sabe, como incesto."

Mas o advento dos dormitórios mistos, diz Wolfe, ofereceu possibilidades infinitas. Quando os dormitórios deixaram de ser fechados aos membros do sexo oposto, "em uma escola com 5.500 estudantes, você tinha 5.500 camas disponíveis dia e noite... era como a invenção do motel, sem precisar passar pelo saguão, o que abriu oportunidades sexuais."

O romance de Wolfe inclui dois escândalos: um envolvendo o mimado departamento atlético e outro gerado pela visita de um ex-aluno, o governador da Califórnia, e seu encontro Clintoniano, tarde da noite, com uma aluna.

A maior parte do romance é contada da perspectiva de uma aluna jovem e brilhante, sexualmente inocente, Charlotte Simmons. Wolfe usa sua introdução à vida na faculdade moderna para esclarecer os leitores de "que talvez conheçam tão pouco" quanto ele. A personagem principal é mulher porque "há mais pressão sobre as mulheres do sobre os homens".

Charlotte descobre o que significa ser "sexilada" --expulsa de seu quarto durante a noite por uma colega de quarto que está com um rapaz. Charlotte fica "chocada ao entender que tal abominação era tão comum que tinha nome".

Wolfe chama os estudantes de meninos e meninas, como em: "Praticamente todo menino presente na sala de leitura Ryland estava lá para estudar. As meninas, vinham estudar e procurar meninos."

Podem estar na faculdade, diz ele, mas "agem como crianças". O retrato que o autor faz do ambiente universitário pode alarmar pais de alunos, mas ele diz ter evitado "os extremos". Um rascunho anterior incluía um estupro em série por atletas, que ele diz que "não é assim tão raro", mas acabou omitindo-o.

Wolfe salienta que em seu romance, "todo mundo não está transando feito cães no parque" e que um de seus principais personagens masculinos é um veterano que, depois de quatro anos na Dupont, é virgem, e não por escolha.

"A diferença", diz Wolfe, "é que, antes, os rapazes tentavam esconder o fato de serem virgens. Atualmente, as meninas também o fazem." O que ele descobriu de mais chocante, disse, foi a linguagem vulgar usada por algumas alunas --que ele chama de "patoá do palavrão". Wolfe diz que encontrou alunas que "falam exatamente como soldados e marinheiros. É extraordinário."

Ele também não aprova a tendência atual dos professores se vestirem tão mal quanto os alunos. No romance, Wolfe ridiculariza um professor por usar short na aula. Na entrevista, ele aconselha os maiores de 35 anos a "mostrarem o mínimo de pele possível. Não importa sua boa forma, a pele cai primeiro". E diz: "É por isso que na praia, sempre uso uma camisa."

Feministas provavelmente não gostarão do romance, diz ele. Sua única personagem feminista é "esquentada e desbocada". "Mas, como personagem, eu a adorava". Foi isso que viu nas universidades, que o feminismo "morreu um pouco". Ele observa que as alunas tendem a se vestir "como objetos sexuais. Toda aquela pele que mostram não é para ventilação. É um convite sexual."

Essa é a opinião pessoal de Wolfe, mas a única coisa próxima de um julgamento moral em seu romance é uma cena na qual um ex-aluno visita a universidade, 40 anos depois de sua graduação. Ele está com seus dois filhos adolescentes em uma festa, depois de um jogo de futebol. Eles vêem meninas de seios de fora e um pênis de 60 cm em meio a "16.000 metros quadrados de cerveja derramada" e "grandes fumaças de xixi".

O ex-aluno fica chocado: "O Colegiado era o colegiado, mas isso era indecente --'imoral' foi o termo que cruzou sua cabeça, mas a própria palavra tornou-se obsoleta. Desapareceu das conversas sofisticadas."

Quase no fim do livro, Wolfe lida com um problema que encontrou em sua própria vida. Charlotte sofre de depressão e insônia, geradas por uma terrível experiência com um menino das fraternidades.

A descrição de como ela se sente: "Sua mente era uma máquina ligada no máximo, que não diminuía de velocidade" --vem de sua própria experiência com a depressão, que, segundo ele, durou quatro meses, em 1997, após um ataque cardíaco e uma cirurgia de ponte para revascularização do miocárdio. "Era uma sensação de inutilidade em cima da falta de esperança. É tão difícil explicar a alguém que nunca ficou deprimido".

Eventualmente, com a ajuda de um psiquiatra, Wolfe recobrou o sentido de equilíbrio e confiança. As primeiras críticas de "I Am Charlotte Simmons" não foram boas, e o título ficou conspicuamente ausente da lista dos finalistas do National Book Award.

Wolfe dá de ombros e diz: "Aceito os prêmios que recebo e não me preocupo com os que não recebo." Novo romance aborda relação entre vida sexual e busca de status Deborah Weinberg

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