Falta de sono engorda, apontam pesquisadores

Nanci Hellmich
Em Las Vegas

Se você quiser perder peso, trate de dormir mais.

Essa é a mensagem que se pode extrair de um amplo estudo divulgado nesta quarta-feira, dia 17 de novembro. O estudo confirma pesquisas anteriores, indicando que a falta de sono gera aumento de peso.

Pesquisadores na universidade de Columbia em Nova York examinaram os padrões de sono e índices de obesidade entre os participantes da Pesquisa de Exames de Nutrição e de Saúde Nacional, de 1982 a 1984 e depois em 1987. (As pesquisas mais recentes não observaram os padrões de sono.)

A pesquisa examinou registros de 6.115 pessoas, com idades entre 32 e 59 anos. Os participantes eram classificados de acordo com a quantidade de sono dormida a cada noite. Os pesquisados que dormiam de sete a nove horas eram considerados normais. Os pesquisadores não levaram em conta fatores como depressão, atividade física e o sexo dos participantes.

Entre as conclusões apresentadas aqui em Las Vegas, no encontro anual da Associação Norte-Americana para o Estudo da Obesidade, em parceria com a Associação Americana do Diabetes, estão:

  • as pessoas que dormem de duas a quatro horas por noite têm 73% a mais de predisposição a serem obesos que as pessoas de sono normal.
    As pessoas que dormem cinco horas têm 50% a mais dessa predisposição.

  • quem que dorme seis horas têm 23% a mais de propensão a ser obeso, em relação às pessoas de sono normal.

  • quem dorme 10 ou mais horas têm 11% a menos de propensão à obesidade.

    "Dormir durante mais tempo de fato têm um efeito protetor contra a obesidade", diz o pesquisador-chefe James E. Gangwisch. Entretanto, ele assinala que o estudo não "prova a relação de causa e efeito. É uma associação."

    Essa pesquisa confirma outros estudos entre crianças e adolescentes, que mostravam a mesma relação entre sono e obesidade, segundo o cientista. Estudos entre os animais também indicam que quando os ratos são privados do sono o apetite deles cresce.

    Pesquisadores já teorizaram que a falta de sono pode afetar vários hormônios relacionados ao apetite e à ingestão de alimentos, como a leptina e a grelina.

    "A privação do sono ativa uma pequena parte do hipotálamo (região do cérebro) que também está envolvida na regulagem do apetite", diz Eve Van Cauter, da universidade de Chicago, um dos principais centros americanos de estudos sobre o sono.

    O estudo que a cientista realizou na edição de novembro da Revista de Endocrinologia Clínica e Metabolismo indica que a duração do sono tem um grande impacto na leptina. Quando as pessoas são privadas do sono, seus níveis de leptina são mais baixos, o que pode despertar no corpo um maior apetite, diz a dra. Van Cauter.

    "Parece que o controle do peso pode ser acrescentado à longa lista de benefícios adquiridos quando se tem o sono adequado", conclui o dr Gangwisch. Estudo conclui que horas dormidas afetam o metabolismo da fome Marcelo Godoy
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