Eleição de 2004 quebra tabus políticos dos EUA

Chuch Raasch
Colunista do USA Today
Em Washington

Ok! Um axioma político continuou valendo em 2004. George W. Bush ganhou Ohio e a Casa Branca, dando continuidade à série de presidentes republicanos eleitos com o auxílio do "Estado da castanha buckeyed".

Mas, algum dia, as mudanças demográficas abalarão esse axioma, sem dúvida alguma. Axiomas políticos, truísmos e mitos possuem os seus limites, assim como ocorre com as demais crenças. Muitos norte-americanos acreditavam que dois vastos oceanos nos protegiam daquele tipo de terrorismo que devastava o Oriente Médio, até o 11 de setembro de 2001.

Pelo menos cinco verdades, tabus, mitos ou axiomas foram derrubados na campanha presidencial de 2004, e eles deveriam ser instrutivos para as futuras campanhas. Aqui estão os que caíram sob o peso dos eventos neste ano.

1. Um presidente com aprovação abaixo dos 50% não se reelege

Na pesquisa final de opinião USA Today/CNN/Gallup, feita na semana anterior à eleição, 48% dos entrevistados disseram aprovar o trabalho do presidente Bush. Mas ele obteve 51% dos votos populares em 2 de novembro, o que só pode ser atribuído a uma das seguintes hipóteses: ou a pesquisa entrevistou muita gente que não votou, ou muitos eleitores que desaprovam a performance de Bush ainda assim votaram nele.

Fiquemos com a segunda opção. Nas pesquisas de boca-de-urna, 5% dos eleitores de Bush disseram desaprovar o seu desempenho. Ou eles taparam as narinas e votaram no presidente porque tinham uma ojeriza ainda maior pelo democrata John Kerry, ou eram apoiadores do presidente que estavam desapontados com o seu desempenho recente.

2. As convenções políticas não têm importância

Os estrategistas da campanha de Bush e até mesmo alguns democratas concluíram que a convenção de Kerry em Boston possibilitou uma conexão bem nítida dos eleitores com o histórico de mais de 30 anos do senador na Guerra do Vietnã, tendo, porém, revelado um quadro bem menos nítido daquilo que Kerry faria caso fosse eleito presidente.

Os eleitores esperam que as campanhas sejam voltadas para o futuro, mas o foco intenso de Kerry nos anos 70 e final dos 60 monopolizou uma parcela tão grande da sua exposição em Boston que deixou os eleitores com questões não respondidas. Depois, os Veteranos das Lanchas Rápidas de Combate pela Verdade, inimigos de Kerry, lançaram uma artilharia propagandística pesada que atacava a atuação do senador na Guerra do Vietnã.

"A Convenção Nacional Democrata fracassou completamente ao não deixar nos eleitores uma impressão duradoura sobre quem era o candidato e o que o seu partido defendia para o futuro dos Estados Unidos", disse o conselheiro político de Bush, Karl Rove.

Assim, quando o inevitável frenesi das convenções políticas ressurgir daqui a quatro anos, lembrem-se de 2004.

3. Eleitor que decide na última hora vota na oposição

Se isso fosse verdade, Kerry poderia prestar o seu juramento em 20 de janeiro. Mas, segundo as pesquisas de boca de urna, 51% dos eleitores que tomaram a sua decisão na última semana da campanha votaram em Bush.

Kerry venceu por nove pontos percentuais entre aqueles que se decidiram no dia da eleição, mas estes eram tão poucos que tiveram pouco impacto no resultado. A maioria dos eleitores se decidiu pelo menos um mês antes da eleição.

4. O candidato mais alto ganha a presidência

Isso foi algo realmente testado em 2004, já que Kerry, que tem 1,93m de altura, é dez centímetros mais alto que Bush. Mas o fato de ocupar o cargo falou mais alto que a estatura. E o mais baixo ganhou quatro anos a mais.

5. O resultado do último jogo local de futebol americano dos Washington Redskins antes das eleições proporciona um prognóstico acurado do resultado eleitoral

Desde 1936, se os Redskins vencem, os republicanos ganham a Casa Branca --e vice-versa. Os Redskins perderam dois dias antes da eleição, mas, ainda assim, Bush obteve a vitória. Assim, essa tradição de 68 anos também foi rompida. Resultado desfaz velhas superstições e axiomas da política do país Danilo Fonseca

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